Covid-19: Brasil registra queda de 15% na média móvel de mortes

Japão está enfrentando o 3º estado de emergência antes da Olimpíada

Fonte: Valor Investe
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O Brasil registrou 2.217 mortes por covid-19 de quinta para sexta-feira (07), segundo o levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde do país ontem. Com isso, o número total de óbitos pela doença chegou a 419.393. A média móvel de mortes nos últimos sete dias foi de 2.158 por dia, um recuo de 15% em relação aos casos registrados em 14 dias.

De acordo com o balanço de sexta-feira, fechado às 20h, foram registrados 78.337 novos casos da doença, elevando o total de infectados no país a 15.087.360. A média móvel de novos casos no Brasil na última semana foi de 60.200 por dia, número que representa um aumento de 3% em relação aos dados registrados em 14 dias.

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Os dados divulgados pelo consórcio de imprensa foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, “O Globo”, “Extra”, “O Estado de S.Paulo”, “Folha de S.Paulo” e UOL, que passaram a trabalhar de forma colaborativa desde o dia 8 de junho para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal.

Anvisa diz que aguarda esclarecimentos sobre vacina Sputnik V

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou, em comunicado emitido nesta sexta-feira, que documentos adicionais enviados pelos governos da Bahia, Maranhão e Sergipe para apoiar o pedido de autorização para importação da vacina russa contra covid-19 Sputnik V são insuficientes, e que segue aguardando os esclarecimentos necessários para realizar uma nova análise do imunizante.

“Após avaliação, verificou-se que os novos documentos apresentados não cumprem o requisito alusivo à apresentação do relatório técnico de análise da autoridade sanitária estrangeira, conforme disposto pelo § 3º do art. 16 da Lei nº 14.124/2021. Em razão disso, os Estados foram comunicados que os processos seguem em diligência até que os esclarecimentos necessários sejam capazes de subsidiar a análise dos pedidos de importação”, diz o comunicado.

Na nota, a Anvisa informa que forneceu, aos Estados importadores solicitantes, “cópia dos documentos e referências técnicas que subsidiaram a decisão da Diretoria Colegiada referente a não autorização da importação da vacina Sputnik V ocorrida na 7ª Reunião Extraordinária Pública da Diretoria Colegiada, em 26/04”.

A Anvisa rejeitou na semana passada pedido de governos estaduais para importar a Sputnik V, alegando falta de informações suficientes para garantir a segurança, a qualidade e a eficácia do imunizante. A agência citou a presença de adenovírus replicante na vacina como um dos principais pontos críticos observados pela área técnica na análise do imunizante.

Ainda nesta sexta-feira, o governador do Piauí e representante do Consórcio Nordeste, Wellington Dias (PT), disse que os representantes da vacina russa sinalizaram o desejo de desistir do contrato firmado com o consórcio para a aquisição de 37 milhões de doses. Segundo ele, os russos ficaram muito incomodados com a forma pela qual a importação da vacina foi rejeitada na Anvisa e queriam sair do negócio.

Pandemia de covid-19 faz vítimas cada vez mais jovens

A pandemia de covid-19 no Brasil está se espalhando cada vez mais pelas camadas jovens da população.

A constatação faz parte do Boletim do Observatório Covid-19, editado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na sexta-feira (7). Os dados apresentados nesta edição confirmam o processo de rejuvenescimento da pandemia, com uma clara mudança demográfica: adultos jovens e de meia-idade representam uma parcela cada vez maior dos pacientes em enfermarias e unidades de terapia intensiva.

Referente às semanas epidemiológicas 16 e 17 de 2021, entre 18 de abril e 1º de maio, a análise destaca as oscilações dos indicadores nos estados, a alta proporção de testes com resultados positivos, bem como a manutenção da sobrecarga de todo o sistema de saúde. Esses indícios revelam que a pandemia se mantém em patamar crítico de transmissão, com valores altos de incidência e mortalidade.

“A ligeira redução de casos e óbitos por covid-19 não significa que o país tenha saído de uma situação crítica, pois as médias diárias de 59 mil casos e de 2,5 mil óbitos nestas duas semanas epidemiológicas se encontram em patamares muito elevados. Somente com a redução sustentada por algumas semanas, associada à aceleração da campanha de vacinação e à intensificação de ações de distanciamento físico e social, combinadas com proteção social, será possível alcançar a queda sustentada da transmissão e a redução da demanda pelos serviços de saúde”, alertaram os pesquisadores do Observatório, responsáveis pelo boletim.

Rejuvenescimento

O processo de rejuvenescimento da pandemia no Brasil é confirmado por meio dos novos dados apresentados no Boletim. A semana epidemiológica 16 apresenta idade média dos casos internados de 57 anos, versus idade média de 63 anos na semana epidemiológica 1. Para óbito, os valores médios foram 71 anos, na semana epidemiológica 1 e 64 anos nesta última. Segundo a Fiocruz, há deslocamento da curva em direção a faixas etárias mais jovens.

Quanto ao número de leitos, após muitas semanas em situação muito crítica, as taxas de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) covid-19 no país começam a dar sinais de melhora, embora ainda longe de indicar um quadro tranquilo. Entre 26 de abril e 3 de maio, as taxas de ocupação de leitos de UTI covid-19 para adultos mantiveram a tendência lenta de queda em quase todo o país.

Fiocruz alcança 30 milhões de doses de vacinas entregues ao PNI

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou, na sexta-feira, no Rio de Janeiro, a entrega de mais 3,6 milhões de doses de vacina contra a covid-19 ao Plano Nacional de Imunizações (PNI), que é administrado pelo Ministério da Saúde.

Com o novo repasse, a instituição científica supera a marca de 26 milhões de doses produzidas e disponibilizadas para distribuição aos estados e municípios. Somando-se outros quatro milhões de imunizantes importados no início do ano, a Fiocruz já entregou mais de 30 milhões de vacinas ao PNI.

A fundação científica, vinculada ao Ministério da Saúde, é responsável pela fabricação da Covishield, um dos imunizantes que já possui registro definitivo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que está sendo usado no controle da pandemia, seguindo os critérios do PNI.

Parceria

A vacina foi desenvolvida através de uma parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica inglesa AstraZeneca. Elas firmaram com a Fiocruz, no ano passado, um acordo para transferência de tecnologia. Os primeiros lotes da vacina que chegaram em janeiro ao país foram importados da Índia.

A fabricação em larga escala no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz (Bio-Manguinhos) teve início em março. No entanto, o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), insumo fundamental na formulação, ainda precisa ser importado.

Na semana passada, a Anvisa deu aval para que a Fiocruz também possa fabricar o IFA. Assim, a expectativa é de que, nos próximos meses, a produção da Covishield esteja 100% nacionalizada.

Von der Leyen pede que EUA exportem mais vacinas contra a covid-19

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou nesta sexta-feira que está aberta a discutir a proposta dos Estados Unidos de suspender as patentes das vacinas contra a covid-19. No entanto, ela pediu que o governo americano aumente drasticamente a exportação de doses de imunizantes no curto prazo.

Von der Leyen afirmou que os fabricantes de vacinas da União Europeia (UE) exportaram quase a metade das 200 milhões de vacinas produzidas na região até o momento. Para ela, os EUA devem acompanhar esse esforço.

“Convidamos todos os que participam do debate por uma suspensão dos direitos de propriedade intelectual a se juntarem a nós e se comprometerem a exportar uma grande parte do que está sendo produzido”, disse Von der Leyen em entrevista coletiva.

Líderes da UE estão reunidos hoje em Portugal, o primeiro encontro presencial entre eles neste ano. Antes da chefe da Comissão Europeia, o presidente da França, Emmanuel Macron, também criticou os EUA e o Reino Unido por não exportarem as vacinas produzidas em seus territórios. Ontem, a Alemanha se opôs à proposta americana de quebrar patentes.

Até agora, os EUA destinaram praticamente todas as doses fabricadas localmente para o mercado interno. No mês passado, Biden liberou o envio de pouco mais de 4 milhões de doses da vacina da AstraZeneca/Oxford para México e Canadá.

A Casa Branca também diz que pretende enviar mais 60 milhões de doses do imunizante, ainda não aprovado para uso nos EUA, a outros países até o início de julho. O envio será liberado assim que terminar uma revisão de segurança por parte da FDA, agência americana de medicamentos e alimentos.

No fim de abril, a Pfizer também começou a exportar doses produzidas nos EUA, mas não informou quantas doses foram despachadas ou quais países as receberam. O Canadá foi um dos países que disse ter recebido doses do imunizante da Pfizer fabricadas no vizinho.

“A UE é a única região democrática deste mundo que está exportando em grande escala”, disse Von der Leyen na entrevista.

Japão

A perspectiva de atletas olímpicos competirem em um estádio vazio neste verão agora é uma possibilidade distinta, já que o Japão estende seu terceiro estado de emergência e faz pouco progresso na vacinação.

Uma Olimpíada sem espectadores é um cenário que o Japão deseja desesperadamente evitar. Para começar, 90 bilhões de ienes (US$ 824 milhões) em receita de ingressos se transformarão em fumaça e o interesse público cairá, decepcionando as empresas patrocinadoras. A decisão final é esperada para junho.

Inicialmente, esperava-se que os jogos atraíssem um total de 10 milhões de pessoas. Mas em março, o governo e os organizadores decidiram não permitir a entrada de espectadores estrangeiros.

Ainda assim, o Japão esperava preencher assentos com fãs japoneses tomando precauções. Seiko Hashimoto, que assumiu a presidência do comitê organizador de Tóquio em fevereiro, disse que não esperava realizar os jogos sem espectadores.

Em seguida, o Japão foi atingido pela quarta onda de covid-19, forçando o primeiro-ministro Yoshihide Suga a declarar o terceiro estado de emergência para Tóquio e outras regiões. O decreto de emergência, inicialmente previsto para 17 dias, foi prorrogado até o fim do mês. Os especialistas acreditam que conseguir profissionais de saúde suficientes para os jogos, que serão inaugurados em 23 de julho, será um desafio.

As funções da equipe médica vão além da resposta ao coronavírus. Eles prestarão assistência não apenas a atletas doentes e feridos tanto na Vila Olímpica quanto nas instalações de competição, mas também a espectadores com insolação.

Quantos profissionais médicos serão necessários no pico? O comitê organizador de Tóquio estima números diários em cerca de 300 médicos e 400 enfermeiras. O plano é montar uma clínica médica para cada 10 mil espectadores.

O comitê organizador de Tóquio diz que está no caminho certo para garantir pessoal médico suficiente para os atletas, após negociar com instituições médicas e organizações relevantes. Mas há poucas perspectivas de conseguir profissionais de saúde suficientes para os espectadores.

O lançamento da vacina deve ocorrer simultaneamente com a Olimpíada, o que significa que a probabilidade de a epidemia morrer em breve é ​​pequena. Não há capacidade extra para alocar profissionais de saúde aos espectadores, alertam os especialistas.

“Estou preparado para a possibilidade de não haver espectadores”, disse Hashimoto na entrevista coletiva da semana passada. Se isso acontecer, Tóquio e o governo central terão que fazer planos para compensar a receita perdida.

Para os patrocinadores, uma Olimpíada sem plateia significa perda de oportunidades promocionais. Qualquer benefício econômico dos jogos seria limitado.

O melhor cenário por enquanto é permitir que os espectadores entrem nos locais com metade da capacidade. Em Tóquio e nas outras três prefeituras sob a declaração de emergência, esportes profissionais e outros eventos proibirão os espectadores até terça-feira.

Depois disso, as instalações podem receber até 5 mil pessoas ou operar com 50% da capacidade, o que for menor.

A liga japonesa de futebol e jogos de beisebol profissional permitiram espectadores desde o verão passado, mas nenhum conjunto de infecções emergiu desses eventos.

“Estamos vendo evidências científicas de que podemos hospedar [a Olimpíada] com segurança”, disse um especialista. O limite de assentos do local a 50% da capacidade deve acomodar a maioria das pessoas que já pagaram por seus bilhetes sem depender de loteria.

Mesmo com menos espectadores, os riscos permanecem. Os fãs podem deixar os locais em multidões ou se reunir em restaurantes próximos, por exemplo. O comitê organizador de Tóquio planeja divulgar diretrizes para o comportamento dos torcedores.

Outra opção é permitir que os governos locais decidam quantos espectadores serão acomodados nas instalações, dependendo das condições locais, embora o limite de 50% ainda esteja em vigor. A Olimpíada será realizada em 42 locais em Tóquio e oito prefeituras, incluindo aquelas em estado de emergência.

“Os governos locais tomarão decisões com base nos limites de espectadores estabelecidos pelo governo central”, disse Tamayo Marukawa, o ministro encarregado da Olimpíada de Tóquio, indicando que as restrições aos espectadores podem mudar de acordo com a localidade.

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