Covid-19: aumento de casos gera alerta na Região Carbonífera

Ações preventivas devem ser adotadas pelos doze municípios da associação. Autoridades preveem lotação máxima dentro dos próximos dias nos leitos de UTI do Sul

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN
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Criciúma

O aumento expressivo de casos ativos do coronavírus (Covid-19) tem gerado alerta na Região Carbonífera (Amrec), que atualmente é a única em todo o Estado no nível grave (laranja) da matriz de risco. Órgãos sanitários competentes e líderes do Executivo têm se unido para buscar alternativas viáveis a fim de minimizar a propagação da doença. A tendência para os próximos dias é que hospitais atinjam a lotação máxima dos leitos clínicos e de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

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“Nós últimos dez dias tivemos um aumento importante tanto de internações em leitos clínicos como em UTIs. Claro que esse crescimento se dá porque tivemos um pedido de vagas da regulamentação para pacientes de fora da nossa região Amrec. Recebemos nove pessoas de outros municípios para a UTI, principalmente do Oeste, o que aumentou bastante a nossa ocupação, que girava há 20 dias próximo a 25% e hoje está em 82%”, explica o diretor técnico do Hospital São José, Raphael Farias.

Dos 35 leitos de UTI destinados a pacientes com coronavírus no Hospital São José, 29 estão ocupados via Sistema Único de Saúde (SUS) e há mais quatro reservas. “A ocupação é praticamente de 100%”, acrescenta Farias. O aumento gera atenção, visto que outras regiões já estão colapsadas. “Há uma preocupação muito grande. Há um fluxo de pacientes vindo para a Amrec, e a nossa região também está com um aumento de casos. Então são dois fatores. Se lá tivesse melhorando e aqui piorando, estaríamos mais tranquilos. Mas, na realidade, a gente vê que o Estado todo está com uma crescente demanda”, completa o diretor técnico.

Dados informam que o volume de internações tem sido de pessoas mais jovens, entre 20 e 30 anos. “E em um quantitativo proporcional muito maior que nas outras vezes que circulou o vírus. É uma população que está muito mais exposta, os idosos estão mais contidos”, acrescenta Farias.  Na Amrec, o número de casos ativos aumentou cerca de 15% nos últimos sete dias, saltando de 656, no dia 16 de fevereiro, para 787 no dia 22.

Reunião debate novos leitos de UTI

Na manhã de ontem, líderes da Região Carbonífera se reuniram para debater ações preventivas contra a propagação da Covid-19. A intenção é abrir mais leitos de Unidade de Terapia Intensiva. “Vamos colocar o Hospital do Rio Maina à disposição para a criação de dez leitos de UTI. O município de Criciúma sempre se preparou para o enfrentamento contra o coronavírus, e desta vez não será diferente”, enfatiza o prefeito da Capital do Carvão, Clésio Salvaro.

Uma nova reunião está marcada para a tarde desta terça-feira, juntamente com o superintendente de Serviços Especializados e Regulação do Estado, Ramon Tártari, para tratar sobre a abertura de novos leitos na região.

Situação nos demais hospitais da região Sul

Os hospitais São José e São Donato, de Criciúma e Içara, respectivamente, são os principais da Região Carbonífera que prestam atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desta forma, o aumento de casos do coronavírus também reflete no número de internações nos leitos das unidades, que por sinal, também tem crescido consideravelmente.

“A situação começou a piorar bem rapidamente. Nós estávamos com dois, três leitos de UTI ocupados, hoje já estamos com oito, foi exponencialmente muito violento (o aumento). A clínica, a mesma coisa, estávamos com dois pacientes, agora são sete até o período da manhã ( de ontem)”, explica o diretor-administrativo do hospital São Donato, Júlio César De Luca. No fim da tarde de segunda-feira, a unidade hospitalar chegou a nove leitos na terapia intensiva.

Atualmente, o Hospital de Içara tem 20 leitos que são regulados pelo Estado. Desses, dez atendem pacientes com coronavírus. “A nossa região está no laranja, Santa Catarina toda no vermelho, mas acho que até a próxima terça-feira, vamos estar todos no vermelho. Aqui na região vai faltar leito de UTI, acredito que até amanhã (hoje) não tenhamos mais no São Donato”, acrescenta De Luca.

A possibilidade em ter mais leitos de UTI no São Donato já foi discutida, mas aparentemente parece ser inviável. “A chance de aumentar de 20 para 30 leitos de UTI, no Hospital São Donato, não existe. Não temos mais espaço, nem mão de obra. É uma situação bem complicada”, finaliza o diretor-administrativo da unidade.

No Extremo Sul (Amesc), o Hospital Regional de Araranguá perdeu dez leitos destinados a pacientes com coronavírus, por falta de equipamentos e mão de obra. Atualmente, apenas dez estão à disposição da população, sendo que, conforme os últimos dados do painel de Leitos do Estado, todos estão ocupados. Já na rede privada, no Hospital Unimed, de Criciúma, a situação se mantém estável, com cinco pacientes internados em UTI e dois na enfermaria. “No momento, está estável, sem tendência de aumento”, relata o diretor técnico da unidade, Leandro Avany Nunes.

Mais de 2,8 mil catarinenses infectados em 24h

Em 24 horas, o Estado catarinense registrou mais 2.856 casos de coronavírus. O número é o maior neste ano e corresponde aos dados de ontem. De acordo com o mais recente boletim, há, em Santa Catarina, 641.840 pacientes com Covid-19, sendo que 608.265 se recuperaram e 26.587 estão em acompanhamento. A doença respiratória causou 6.988 óbitos no Estado desde o início da pandemia. A taxa de letalidade atual é de 1,09%.

Na comparação com o boletim anterior, houve mais 27 óbitos registrados. O total de confirmados aumentou 2.856, enquanto 3.180 pessoas passaram a se enquadrar nos critérios para serem consideradas recuperadas. São 351 casos ativos a menos.

Mais de 200 mil vacinas aplicadas no Estado

A grande esperança que veio junto com o ano novo foi a distribuição do imunizante contra a Covid-19. Em Santa Catarina, um total de 204.132 (D1+D2) doses da vacina foram aplicadas em grupos prioritários que incluem trabalhadores da saúde, idosos e deficientes institucionalizados, população indígena e idosos com mais de 85 anos. Deste total, 156.827 correspondem à Dose 1 (D1), cobertura vacinal de 62,02% e 47.305 à Dose 2 (D2), cobertura vacinal de 18,71%. No Amrec, 11.899 pessoas já foram vacinadas.

Novo lote ainda não foi informado

Embora a vacinação tenha animado os catarinenses, ainda não há previsão de uma nova remessa enviada via Ministério da Saúde (MS). No total, o Estado recebeu 298.140 doses de vacina contra o novo coronavírus em quatro remessas. Elas chegaram ao estado nos dias 18, 24 e 25 de janeiro; e 7 de fevereiro.

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