Cocal do Sul: Dedicação no campo acompanha gerações

Fernanda Dela Bruna, aos 28 anos, gerencia a produção da família, no interior de Cocal do Sul

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN

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Geórgia Gava

Cocal do Sul

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“Sou filha, neta, bisneta e tataraneta de agricultores”. Com raízes no campo desde que nasceu, Fernanda Dela Bruna, aos 28 anos, tem no segmento a principal fonte de renda de toda a família. Junto aos pais e irmãos, gerencia o negócio voltado à fruticultura de clima temperado, com foco na produção de uvas, pêssegos, nectarinas e ameixas no interior de Cocal do Sul.

A dedicação à produção de frutas com caroço teve início em 1984, com o avô de Fernanda, em Azambuja, Pedras Grandes. No município de Cocal do Sul, a família está há aproximadamente 15 anos. Desde então, os Dela Bruna atuam na agricultura, com foco no atual cultivo, a fruticultura de clima temperado.

“Devido a minha família ser basicamente toda de agricultores, desde os meus tataravós, até anterior a eles, eu cresci nesse meio. Acredito que foi isso que me influenciou a fazer a formação que eu tenho. Eu sou engenheira agrônoma formada pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) em 2016 e, posteriormente, realizei uma pós-graduação em pós-colheita de frutas no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC)”, conta Fernanda.

Atualmente, a família possui um negócio próprio, a Agrícola Dela Bruna, e comercializa para as Ceasas, feiras e pequenos mercados e, também, de forma domiciliar. “Nossa produção é familiar, trabalhamos eu, meus pais e irmãos. Não atuamos com o sistema orgânico, somente o convencional, porém, segue todas as exigências do Ministério da Agricultura, com muita segurança”, explica Fernanda.

O protagonismo da mulher na agricultura

Para Fernanda, ser mulher e trabalhar no campo é um grande desafio diariamente. “Primeiramente, porque as pessoas do nosso entorno, da nossa cidade, elas não estão tão acostumadas com mulheres na agricultura. É diferente, por exemplo, de trabalhar em Mato Grosso, Goiás, que isso é muito comum”, explica a engenheira agrônoma.

A agricultora relembra que no Brasil, atualmente, entre 30% e 40% das propriedades rurais são gerenciadas por mulheres. “Eu já sofri preconceito quando iniciei a minha carreira, primeiro, por ser agrônoma em campo, porque geralmente as mulheres formadas em agronomia trabalham mais no setor de vendas e, também, por ser filha de produtor. As pessoas pensavam que eu não seria capaz de dar conta do meu trabalho”, enfatiza.

Segundo a produtora, a mulher, no agro, precisa mostrar o dobro do serviço para poder ser reconhecida. “Às vezes isso se torna um pouco frustrante, mas, com o tempo, as pessoas acabam aceitando essa situação. E quem me conhece sabe do trabalho que realizo. Também gosto de usar minhas redes sociais para deixar isso bem transparente. Gosto de mostrar o orgulho que tenho pelo campo”, frisa Fernanda.

Vendas da Agrícola Dela Bruna

Atualmente, 80% da produção Dela Bruna é destinada a Centrais Estaduais de Abastecimento (Ceasas). O restante do cultivo é distribuído a pequenos mercados da região e feirantes. “Também realizamos venda em casa sob encomenda, porque nossa mão de obra é bem reduzida, trabalhamos somente com a família, então demanda muito tempo e dedicação”, acrescenta a engenheira.

Força nas redes sociais

Através do Instagram, Fernanda e a família buscam mostrar um pouco da rotina no campo. A divulgação tem feito a diferença e quebrado paradigmas. “Aqui no nosso município, a agricultura é muito familiar, então quando eu mostro as minhas atividades nas redes sociais, as pessoas ficam confusas, questionam se dou conta do serviço. Mas, quem me conhece sabe o quanto eu trabalho e o quanto eu gosto de deixar isso bem claro, que a força feminina no campo vem crescendo e tomando proporções muito interessantes”, finaliza.

 

 

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