Centro Comunitário em Linha Torrens causa desavenças na comunidade

Moradores querem que o espaço sirva também como uma capela mortuária. Ex-proprietário do terreno, que doou cinco metros para a prefeitura ampliar a estrutura, não aceita

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN
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Morro da Fumaça

Há meses, moradores da comunidade Linha Torrens, em Morro da Fumaça, enfrentam um impasse: a utilização do novo Centro Comunitário como, também, uma capela mortuária. A estrutura – uma antiga unidade escolar, que recentemente passou por reforma e ampliação, teve parte do terreno doado por um morador vizinho, que não está satisfeito com o uso do local. Diante da situação, a administração municipal estuda a possibilidade de destruir parte do espaço que pertence ao ex-proprietário e devolver a doação.

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“A estrutura foi reformada com o intuito de ser uma capela mortuária, já era uma cobrança da comunidade. Fiz uma reunião com eles e optamos por reformar aquela estrutura [ao lado da igreja], que já é do município. O local que é usado hoje está colocando em risco as pessoas, é um espaço antigo e praticamente está caindo, só que encontramos um empecilho, tinha uma parte do terreno, cinco metros, que não tinha sido feita a doação, só que ninguém sabia disso, nem eu”, explica o prefeito de Morro da Fumaça, Agenor Coral, o Noi.

Quando a reforma teve início, o proprietário não aceitou que fosse construída a capela mortuária, por ser em frente à casa dele. “Ele começou a questionar, tinham esses cinco metros que a prefeitura usou e que não tinha sido recebido como doação. A gente fez um documento, por exigência deles, para formalizar a doação, sendo exclusivo a construção de um Centro Comunitário, então fizemos a reforma e entregamos a chave para a comunidade. Mas há uma discussão entre eles sobre usarem para velório ou não”, acrescenta o prefeito.

Aércio Magagnin, que fez a doação para reforma do local, continua insatisfeito com a situação. “Nós não aceitamos. Se eles teimarem, o advogado vai entrar no Ministério Público, porque nós temos documentação, foi passado isso [a terra] para ser um Centro Comunitário. Agora de Centro Comunitário para capela mortuária, tem diferença”, comenta o morador. “O prefeito disse para nosso advogado que iria colocar a comunidade se virar e o nosso advogado disse: ‘não senhor, quem vai responder na justiça és tu’”, acrescenta.

O morador da localidade afirma que essa situação não é necessária. “O cemitério tem um pedacinho de terra para fazer, pra quê fazer isso? Faz ali e está tudo certo”, pontua. “Tem que perguntar para alguns desses moradores que querem a capela mortuária, se eles cedem um pedacinho de terra na frente da casa deles. Ninguém dá”, enfatiza Magagnin.

Desde o início, o pedido do morador é que o espaço seja usado exclusivamente como um espaço de lazer para a comunidade, além de possuir as salas para catequese. “Espero que seja um Centro Comunitário para o povo se divertir, para o pobre vir fazer uma festa, é isso que eu quero. Era cheio, toda vida vinham”, finaliza Magagnin.

Um velório já foi realizado

De acordo com o presidente da Associação do Cemitério, Jorge Cizeski, o espaço já foi inaugurado. “Teve uma senhora que faleceu com cem anos, nós fizemos o velório ali, só que não foi fácil, eles quiseram tirar”, comenta. “A prefeitura já passou para a comunidade, só porque ele [doador do terreno] está ameaçando por causa de alguns metros que foram doados. Já está certo, lá é uma capela mortuária”, acrescenta.

Cizeski comenta que esse pleito já é antigo da comunidade. “A gente fazia [os velórios] no salão, mas já está caindo. Tem uns três anos que estou lutando por essa capela mortuária, tenho ata registrada e tudo, agora por causa de política ele [doador do terreno] está discordando”, lamenta o presidente da associação.

Em meio à situação, algumas desavenças já foram registradas entre os moradores. “Esses dias eu estava instalando as cortinas, ele foi lá, eu estava sozinho, ele falou um monte de coisa, besteirada. Até se eu quisesse entrar na justiça ele iria se incomodar, como é da comunidade estou deixando a coisa acalmar”, comenta Cizeski. “Se ele se opuser, como a associação é registrada, vamos fazer um Boletim da Ocorrência (B.O). O prefeito entregou para nós certinho, nós podemos fazer o que quisermos ali”, finaliza.

Terreno doado deve ser devolvido

O prefeito relata que quando houve o velório, há cerca de um mês, a associação foi chamada atenção, já que a estrutura foi entregue para a comunidade para ser um Centro Comunitário. “Agora nós vamos ver, provavelmente a gente vai fazer a devolução dessa doação e desmanchar a parte que seria do proprietário e devolver os cinco metros que são deles, aí sim, a população pode usar como quiser”, ressalta Noi.

O objetivo, agora, é evitar que haja mais desgaste na comunidade em virtude do assunto. “Quando eu fiz toda a documentação e a licitação, não imaginaria que iria ter esse impasse aí, eu achei que como fosse uma comunidade pequena, aquela associação tinha poder de decisão, mas foi totalmente ao contrário, o proprietário não aceita que use como capela mortuária, até porque, ele acredita que em frente a casa não fica bom”, enfatiza o prefeito. “Não vamos permitir que cause um desgaste maior, é mais prático desmanchar o que foi feito, revogar a lei de doação e usa como quiser”, finaliza.

 

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