Atenção e amparo à população em situação de rua

Projeto em Criciúma atua há nove anos em prol desses moradores e é pioneiro em Santa Catarina

Foto: Divulgação/ Decom
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Criciúma

Eles vivem em áreas abandonadas e degradadas, em praças, sob marquises e em locais que geralmente possuem pouca limpeza ou, em alguns casos, nenhuma. Sujeitos a riscos físicos e traumas psicológicos, os moradores que estão em situação de rua precisam de amparo, principalmente, quando o assunto é saúde. Em Criciúma, um programa pioneiro no Estado oferta atenção integral a esse grupo populacional, que se encontra em condições de vulnerabilidade e com vínculos familiares fragilizados.

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O Programa de Atenção Básica Consultório na Rua, instituído em 2012, presta auxílio médico e psicológico às pessoas em vulnerabilidade social que estão ou são do município. Além da Capital do Carvão, apenas outras cinco cidades catarinenses aplicam o projeto. “Criciúma foi a pioneira, em 2012. Assim que saiu a portaria o projeto foi implantado aqui. Levou um tempo até ser autorizado, e aí depois foi ativada a equipe. De lá para cá, tem sempre esse serviço no município”, explica a psicóloga da equipe criciumense, Jéssica Gomes May.

Em Criciúma, aproximadamente 200 pessoas estão ativas e cadastradas no Consultório na Rua. “É uma necessidade esse programa, porque eles são itinerantes. É diferente de uma pessoa que tem uma casa e sabe que ali é uma Unidade de Saúde do território, então a gente atende a cidade toda nessa situação. Nosso objetivo é inserir essas pessoas no sistema de saúde ou na assistência social, serviços do município em geral. É prestar apoio”, acrescenta Jéssica.

A equipe de atendimento do Consultório na Rua é constituída por seis profissionais: enfermeiro, técnico em enfermagem, assistente social, psicólogo e dois agentes sociais redutores de danos. “Consulta odontológica, especialistas, tudo que for relacionado à saúde, a gente faz essa parte. Também trabalhamos com redução de danos, distribuímos roupas que são doadas. Sempre fazemos esses acompanhamentos, temos uma organização com os pacientes mais complexos também”, enfatiza a psicóloga.

Embora tenha 200 moradores cadastrados e ativos, desde o início do programa, já são quase 600 no total. “Como eles vão e vêm, a gente ativa e inativa. Os ativos são considerados aqueles que foram atendidos de 2020 até agora”, pontua Jéssica. Atualmente, a equipe se divide para aplicação da vacinação contra o coronavírus na população em situação de rua.

“A gente tem uma sede, no centro de especialidades, no Santo Antônio. Mas temos o carro, então a gente anda pela cidade e, às vezes, recebemos ligações também. Todos os dias, praticamente, nós estamos no Centro Pop e na Casa de Passagem. Eles são da assistência social e nós da saúde, mas há sempre uma parceria”, enfatiza a psicóloga.

O objetivo principal do Consultório na Rua é inserir a população sem residência fixa no sistema de Saúde de Criciúma. “Para o município foi realmente algo muito inovador, o primeiro em Santa Catarina e que continua com as atividades. Tanto que, aqui na região Sul, é o único. Acaba sendo uma referência, principalmente com as coisas práticas, como a higienização de um machucado evitando que piore”, ressalta Jéssica.

Além de todo o trabalho de amparo à saúde física, o lado emocional e psicológico também é imprescindível durante a abordagem. “Às vezes eles já desistiram. Então tem todo um trabalho, porque muitos já perderam a perspectiva de vida. A gente tenta conversar com eles, por isso, a saúde mental é bem presente nas atividades”, acrescenta a psicóloga.

O trabalho da equipe, assim como os moradores em situação de rua, é itinerante. Sem rotina específica. “É um desafio pessoal e profissional. Porque a gente lida com as mais variadas situações. É desafiador a todo momento, a gente tem que se trabalhar também para não perder a esperança e não desistir, porque muitas vezes, eles já desistiram deles mesmos”, finaliza Jéssica.

O início do programa em Criciúma

O projeto foi inscrito e aprovado pelo Ministério da Saúde em 2010, porém, só foi colocado em prática em 2012. “O Consultório da Rua surgiu da necessidade do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) de atender os usuários de rua que faziam o uso de drogas e que não conseguiam acessar os serviços de saúde formal. A ideia partiu dessa necessidade e, dentro do programa ‘Crack é possível vencer’. Na época, o projeto foi feito por mim e pelo enfermeiro Denilson e foi encaminhado ao Ministério da Saúde em 2010, mas aprovado somente em 2012, por uma questão burocrática do município”, explica uma das responsáveis por inscrever Criciúma no programa, Grasiela Deboita Gregorio.

Funcionamento

O Consultório na Rua funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, e atende em áreas vulneráveis, praças, parques e prédios abandonados. Na ocasião, são feitos encaminhamentos médicos para as Unidades de Saúde Básica (UBSs) e para o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD). Também são realizados curativos e entregas de barras de cereal e achocolatados para diminuir o efeito de substâncias. Além disso, os moradores podem ser encaminhados ao Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP) e a Casa de Passagem.

 

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