Araranguá: Cabeleireiro é vitima de homofobia

Luan Pablo Rabelo, de 18 anos, é agredido verbalmente por um comerciante da cidade enquanto passava pelo calçadão de Araranguá. Imagens repercutem nas redes sociais

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Tiago Monte

Araranguá

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Estatísticas levantadas pelo  Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDHPR), indicam que a cada três minutos, um homossexual é agredido no Brasil. No sábado, dia 24, uma das vítimas foi o cabeleireiro Luan Pablo Rabelo, morador de Araranguá.

O jovem de 18 anos saía para um rápido horário de almoço, por volta das 13h15min, e estava passando pelo calçadão da Cidade das Avenidas, quando foi agredido verbalmente por um comerciante local. Foram inúmeros xingamentos em poucos segundos. “Eu estava saindo da galeria onde trabalho e ele estava posicionado fazendo o trabalho dele no calçadão, mas eu já conheço ele, porque dois amigos meus passaram por uma situação constrangedora de humilhação e ataques homofóbicos com ele. Ele pratica discurso de ódio e meus amigos foram ameaçados de apanhar na rua e perseguidos por esse cara. Quando eu passei pela frente dele, ele falou coisas horríveis. Eu perguntei: ‘O senhor está falando comigo?’ e ele me xingou mais ainda”, relata Luan.

O caso foi filmado e postado nas redes sociais, ganhando certa repercussão nas mídias e alcançando mais de 50 mil visualizações no Instagram. “Ele falou mais coisas horríveis como ‘sua bicha’, ‘boiola’, ‘tu merece morrer’. Ele me ameaçou de morte, porque ele sabe onde eu moro, e disse que eu não devia estar ali fazendo ‘aqueles gestos todos’, sendo que não teve gesto nenhum”, destaca.

Mais agressões na volta do almoço

Quando Luan retornou do almoço, encontrou uma amiga, acompanhada do namorado, e pediu ajuda. “Se aquele cara fizer alguma coisa comigo, tu filmas”, pediu o cabeleireiro. O companheiro da amiga empunhou o celular e registrou o caso para Luan expor as agressões na internet. “Ele só não me bateu porque o namorado da minha amiga estava ali. Eu filmei também, então ele deu uma maneirada no palavreado, mas continuou me xingando. Ele disse que eu sou doente, deveria morrer, e que não sujaria a mão comigo, mas que pagaria ‘moleques de rua’ para me baterem”, conta Luan.

O comerciante fez diversos insultos contra o cabeleireiro. “Eu gritava com ele, dizia que isso não era legal. Na verdade, eu queria que ele me agredisse para que ele fosse preso. Naquele momento, eu preferia levar um tapa ou um soco, mas não perder a razão”, relata a vítima.

Além de ter publicado o vídeo no perfil pessoal do Instagram, juntamente com uma explicação sobre o ocorrido, Luan também registrou um boletim de ocorrência que, segundo ele, já foi despachado para o juiz.

O cabeleireiro reconheceu o comerciante, conseguiu o número de telefone do agressor e verificou que o mesmo já contava com passagens pela polícia, mas que não tinha sido identificado na situação vivenciada pelos dois amigos. “Na situação comigo, ele fugiu do local. Se ele está tão certo, porque não ficou ali?”, questiona.

Comerciante estaria em Criciúma

Alguns contatos de Luan, nas redes sociais, informaram que o homem estaria, na tarde de ontem, trabalhando na região central de Criciúma, mais precisamente na Praça Nereu Ramos, com os cartazes e camisas que ele desenha e pinta. “Geralmente, ele fica no mesmo lugar, em Araranguá. Algumas seguidoras disseram que ele estava um tempo em Floripa. Fazia quase um mês que a gente não via mais ele, depois do caso com meus amigos. Agora, ele retornou e aconteceu tudo isso. Hoje (Ontem), algumas pessoas me mandaram fotos dizendo que ele está em Criciúma”, diz.

Luan diz que, até então, não soube de ações da polícia no caso. “A Justiça não fez nada ainda. Pelo que eu sei, nenhuma polícia chamou ele ainda e ninguém fez nada. Ele está assim: passa na frente das lojas e assedia as mulheres, deixa lixo pelo chão, onde ele passa. Isso é ridículo”, dispara a vítima.

Vítima de violência quando ainda era criança

Luan sofre com a homofobia desde o início da adolescência. Em vídeo publicado no Instagram, ele relata uma agressão física, sofrida aos 12 anos de idade, após ter sofrido diversos tipos de ameaças. “Há cinco anos, na saída da escola, realmente houve uma agressão física onde me resultou em um monte de problemas, porque acabei tendo uma hérnia testicular, por ter recebido um chute. Me chamaram de tudo, falaram que eu deveria morrer também, me chamaram de viado e mais um monte de palavrões. Fui encontrado desmaiado, fui socorrido e levado para o hospital”, relembrou.

Luan explica que, na época, era muito novo e não tinha muito conhecimento sobre casos de homofobia, que ainda não era crime no Brasil. Por não ser assumido na época, ele destaca também que não teve como falar à sua mãe que foi agredido por ser gay e, assim, os agressores saíram impunes. “Hoje, eu prefiro bater de frente com uma situação dessa, encarar a justiça e ir para frente. Quero pedir que as pessoas tenham mais conscientização, que tenham mais respeito e empatia, se colocar no lugar do outro. É complicado, porque imagine se fosse seu filho, irmão irmã, mãe, tia ou uma pessoa que você ama. Você não quer que essa pessoa passe na rua e seja vista com nojo, seja discriminada e humilhada. Somos seres humanos, queremos respeito e sossego”, finaliza.

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