Araranguá: Balneário Ilhas tem acesso fechado aos veículos

A partir de hoje, prefeitura de Araranguá bloqueará as entradas em medida emergencial e como precaução a uma ação do Ministério Público Federal

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Tiago Monte

Araranguá

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Em uma decisão que está gerando polêmica entre a comunidade de Balneário Ilhas, em Araranguá, a prefeitura bloqueará, a partir de hoje, o acesso de veículos à barra do rio. A medida busca evitar uma sanção maior do Ministério Público Federal (MPF). “Na quarta-feira (hoje), se o tempo permitir, vamos colocar tubos de concreto nos acessos que vão para o rio e dunas. Vamos fazer uma limpeza, criar um espaço para estacionamento, que esteja bem próximo do rio, para que as famílias tenham acesso e possam usufruir a parte de banho. Vamos fechar a passagem de veículos. Isso é já. Vamos colocar lixeiras, placas e solicitamos a licitação de placas educativas e proibitivas”, explica o superintendente da Fundação Ambiental do Município de Araranguá (Fama), Maureci Rodrigues.

A Lei Federal, que acabou bloqueando o acesso de veículos à barra e em toda orla de Araranguá, onde tem dunas e restingas, existe desde 2015. “Nesse mesmo processo já inclui a região de Ilhas e toda a orla de Araranguá onde existissem dunas e restingas. Agora, há o desrespeito a  essa decisão e o pessoal está colocando carros lá”, reforça o superintendente.

Além do acesso de veículos, será proibida a passagem de carros tracionados, que tem facilidade de andar em cima das dunas. “A nossa primeira ação é fechar o trânsito de veículos, que é um pedido da própria comunidade, não é algo autoritário, é uma medida de prevenção que se faz necessária para aquela natureza e meio-ambiente. Com isso, vamos deixar acesso para os turistas e banhistas, só deixando o carro em local próprio”, destaca.

Medida é considerada antipática

O superintendente da Fama sabe que a medida é considerada antipática, mas necessária para evitar uma intervenção mais forte do MPF. “Se nós fecharmos agora para o trânsito de veículos, mesmo sendo uma medida antipática, que alguns podem não gostar, mas nós podemos, depois, adequando todo o projeto, reabrir para passeios ou trilhas. Nós poderemos fazer, pois fomos nós que tomamos a iniciativa de fechar para proteger o Meio Ambiente. Agora, se vier um oficio do Ministério Público Federal, como veio na época da barra, que o prefeito tinha que fechar, aí acabou. Nós não teremos poder para reabrir”, explica Maureci.

O uso não estaria sendo feito de forma ordenada, causando inclusive brigas entre os frequentadores do local. “Da forma que estava sendo usado, antes do Ministério Público fechar, por conta de denúncias, tinha muito vandalismo, trânsito de carro pelas dunas e lixo deixado em todos os finais de semana. Somos forçados a tomar uma medida dessas, proibitiva e antipática, porque o uso não está sendo feito de forma ordenada e com respeito ao meio ambiente da região”, comenta.

A partir de agora, as autoridades criarão um projeto para o futuro do local. Inicialmente, existem duas ideias: uma que restringe o acesso de carros por dia e outra que institui a cobrança de taxa dos veículos. Elas ainda estão em fase inicial de análise. “Temos dois projetos para o Prefeito: plano A e B. No plano B, estaria inserida a possibilidade de cobrar a taxa de carros, em um número controlado por dia, em um trânsito misto com bondinho. No plano A, por exemplo, na barra, colocaríamos uma cancela eletrônica para visitação e, caso o Ministério Público aceite, ao invés de carros, um bondinho que leva as pessoas à barra para explorar a parte comercial e não permitindo automóveis e apenas as pessoas”, comenta o superintendente.

Maureci reforça que não será nada parecido com Bombinhas, onde é cobrada uma taxa dos veículos que entram na cidade. “Não será aos moldes de Bombinhas que você paga para entrar na cidade. Ninguém vai cobrar uma taxa para entrar em Ilha. Vamos fechar as dunas, imediatamente, e limpar. Se nós não fecharmos o acesso aos carros, o Ministério Público vai fechar”, reforça.

Comunidade espera um “meio termo”

Os moradores e frequentadores do Balneário Ilhas têm opiniões divididas. Algumas pessoas relatam a falta de comunicação sobre o caso, por parte da prefeitura, com a comunidade. “Eu acredito que, em um primeiro momento, está sendo radical demais, até porque ninguém veio conversar com a comunidade. Ninguém do poder público, da prefeitura, veio reunir as pessoas da comunidade para saber as reais necessidades e o que nós gostaríamos ou se teríamos alguma solução a mais do que fechar”, enfatiza a comerciante, Ana Maria Menegon.

Ao mesmo tempo, ela acredita que uma medida precisa ser tomada, pois alguns excessos estão acontecendo no local. “Deixar como está também não pode. São dois extremos: o fechamento e deixar como estar. Precisamos de um meio termo. Quem sabe, futuramente, fechar com uma boa estrutura, um bom plano, como estão sugerindo, talvez seja bom, mas isso com uma organização toda em volta”, destaca.

Ana reforça que a situação não é boa também para o comércio local. “Está tendo muito vandalismo. Algumas pessoas vem para cá apenas para fazer bagunça e deixar lixo por aqui. Eles vêm, usam a beira do rio, trazem tudo, armam barraca, fazem churrasco, mas, no final do dia, deixam todo o lixo ali”, finaliza.

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