Araranguá: Após polêmica, seringa com vacina é encontrada

Caso veio à tona no início da semana, quando enfermeiro de Araranguá foi acusado de venda de imunizante contra a Covid-19. Porém, tudo não passou de um erro técnico

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Tiago Monte

Araranguá

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Durante toda a semana, o caso do enfermeiro e estudante de medicina, Jean Patrício ganhou notoriedade nas redes sociais. Ele foi filmado no momento que cometeu um erro durante a vacinação de uma idosa, contra a Covid-19, em Araranguá. Jean inseriu a agulha no braço da mulher, porém, a dose do imunizante não foi aplicada.

 

Diversas teorias foram levantadas, como a sistemática venda de vacinas, por parte de Jean, para outras pessoas. Porém, tudo não passou de um erro técnico do enfermeiro. O advogado que o representa, Renan Cioff de Sant’Ana, acompanhou o Instituto Geral de Perícias (IGP) na abertura da caixa de descartes das vacinas contra a Covid-19. Na verificação, foi encontrada a seringa utilizada pelo enfermeiro, ainda com a dose da vacina. “Nós acompanhamos a abertura do descarte. A caixa foi aberta, fotografada e as seringas foram espalhadas no ambiente. Elas foram verificadas individualmente para ver se seria encontrada uma seringa contendo a quantidade de dose da vacina. Foi localizada uma vacina com o líquido e, logicamente, a gente acredita que é aquela do Jean”, explica o advogado.

Desta forma, ficam afastadas as acusações de comercialização das vacinas. “O que estamos divulgando, até para tranquilizar a população de modo geral, e afastar as falsas acusações que foram feitas contra o meu cliente, é que no descarte foi encontrada uma seringa com a quantidade exata da vacina, conforme ele mesmo havia comentado”, reforça Renan.

Mesmo que o inquérito ainda esteja em andamento, fica claro que não houve má fé de Jean com a não aplicação da vacina. “Claro que o laudo pericial vai ser divulgado na semana que vem, mas nós, desde o principio, trabalhamos na linha do que foi dito pelo Jean: que houve um descarte apropriado e que, se fosse aberta a caixa, a vacina, a agulha, estaria lá como ele havia colocado. Tudo leva a crer, obviamente, neste momento, que a conclusão vai ser de que tudo não passou, infelizmente, de um erro técnico do enfermeiro”, reforça Renan.

Mais tranquilidade para o enfermeiro

Mesmo que tenha sido “julgado e crucificado pelo tribunal da internet”, conforme palavras do próprio Jean, o enfermeiro está mais tranquilo e reforça a certeza inicial. “Eu nunca duvidei de que a seringa estivesse dentro da caixa do descarte. Eu só queria que isso tivesse uma confirmação oficial. Até então, era só a minha versão: era eu contra todo mundo. Agora, a confirmação é oficial de que a seringa está lá e intacta. Era a única intacta”, pontua.

Assim, Jean diz, novamente, de que tudo não passou de um equívoco. “Todas as demais foram aplicadas, desta forma cai por terra a teoria de que eu estava fazendo isso em série e que eu não estava fazendo porque não queria. Isso comprova toda a minha versão de que foi um lapso e eu não fiz de forma consciente. Foi realmente um erro no procedimento, um equivoco”, destaca.

Jean relembra a quantidade de ofensas que sofreu nos últimos dias. Ele precisou, inclusive, desativar as redes sociais pessoais para que não ficasse ainda mais abalado. “O que eu ouvi por aí… Desativei as minhas redes sociais para não ler os comentários, mas, mesmo assim, o povo me mostrou histórias totalmente sem fundamentos. O povo inventou um monte de história para ter o que falar”, diz.

Umas das histórias consideradas mais absurdas foi divulgada por uma mulher, através de um áudio no aplicativo WhatsApp. Ela afirma que Jean estaria vendendo vacinas para os funcionários de um supermercado de Araranguá. “Sendo que o genro da senhora que é funcionário do supermercado. Misturaram tudo. Não tinha nada a ver comigo e com o supermercado. Só que, quem fez isso, vai sofrer as punições legais”, antecipa Jean.

Medidas jurídicas serão tomadas em breve

Mesmo levando em consideração a comoção gerada pelo caso e o momento que a população vive, em torno da pandemia da Covid-19, o advogado de Jean garante que medidas jurídicas serão tomadas contra as pessoas que fizeram comentários levianos nas redes sociais. “Nós somos cidadãos. Então, nós entendemos que, até certo ponto, é normal que uma situação como essa que o Jean se envolveu, gere comoção social e insurgência das pessoas e dos parentes daquela senhora. O que não se pode tolerar são as mentiras que foram espalhadas depois daquele vídeo. Esse rapaz viveu dois dias de terror”, diz Renan Cioff.

O advogado garante que todas as provas estão sendo levantadas para punir os responsáveis no momento adequado. “Além de todos os xingamentos, que excedem o que nós entendemos como uma insurgência natural, pelo momento em que vivemos, esses fatos serão apurados e, no momento oportuno, nós tomaremos todas as medidas possíveis contra as pessoas que já estão sendo identificadas”, pontua.

Jean lamenta que a atitude precise ser tomada, mas julga necessária a movimentação. “Eu fico triste com isso porque eu queria que as pessoas olhassem com mais empatia para as outras, que esperassem um pouco, pelo menos, para manifestar a opinião e o julgamento sobre o caso. Após a conclusão do inquérito, as pessoas poderiam falar algo, mas o povo opina, julga e condena em 15 minutos. Nesse tempo, a pessoa já é até enforcada, se bobear”, ressalta.

Por outro lado, o enfermeiro recebeu também mensagens de apoio de conhecidos e pessoas que se solidarizaram com o caso. “Eu recebi mais de 500 mensagens de apoio no WhatsApp. Pessoas que me conhecem, que sabem da minha índole e a minha inocência. Esses confiaram em mim desde o início e me disseram que sabem que eu não faria isso. Eles reforçaram o que eu já sabia. Agora, temos um ‘exército’ na internet caçando ‘prints’ de gente que fez comentário maldoso. Isso vai facilitar muito o trabalho dos órgãos competentes para achar os culpados. Foram muitas barbaridades que denegriram a minha imagem. Essas pessoas vão pagar conforme manda a lei, na justiça”, finaliza.

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