Afeto, cuidado e bem-estar: as essências da enfermagem

Hoje, a data é dedicada à importância dos profissionais dessa área, que lutam bravamente em busca do melhor atendimento aos pacientes

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN
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Criciúma

Eles salvam vidas, doam-se diariamente pelo próximo, oferecem afeto e cuidado em cada gesto. No último ano, devido à pandemia, muitos perderam a vida, lutaram bravamente, socorreram pacientes e buscaram coragem para no outro dia, estarem a postos novamente. Em homenagem a esses profissionais, celebra-se nesta quarta-feira, 12 de maio, a importância do papel exercido pelos enfermeiros à sociedade.

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De acordo com o Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina (Coren/SC), em todo o Estado são mais de 10 mil profissionais que se dedicam a essa área. Somente entre os municípios de Passo de Torres e Imbituba, na região Sul, são 2.190 enfermeiros.

Ana Regina da Silva Losso é formada em Enfermagem desde 1982 e, há quase três décadas, dedica sua vida à profissão. Atualmente, ela atua como coordenadora da Saúde Mental de Criciúma e já esteve à frente da implantação de serviços indispensáveis ao município, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) – II, III, Infanto-Juvenil e o de combate à dependência de Álcool e outras Drogas (AD).

Para a profissional, dentro da área de Saúde Mental, os enfermeiros são como um elo. “A gente sempre teve dificuldade para enxergar as pessoas com transtorno mental de uma forma integral, porque historicamente, separou-se o corpo da mente, então do corpo os médicos cuidam e da mente, os psicólogos e psiquiatras. O enfermeiro, então, vem para integrar essas duas partes e dizer que a pessoa é uma só. A formação do enfermeiro se baseia no cuidado integral, a gente consegue ter essa clínica ampliada, a gente olha a pessoa, não só a doença”, comenta Ana Regina.

Luta durante a pandemia

Desde o início da pandemia, de acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), 689 profissionais da área morreram vítimas de coronavírus. A maioria por estar exposto à doença na rotina do trabalho ou pela falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). A sobrecarga no dia a dia, turnos excessivos e a insuficiência de treinamentos também são apontados como fatores que prejudicaram a saúde e bem-estar dos trabalhadores da área.

“Além de estar envolvida diretamente com a Saúde Mental, de janeiro até maio, eu participei de um projeto da Associação Brasileira de Enfermagem, que era um atendimento online em que os enfermeiros especialistas em saúde mental ofertavam aos trabalhadores de enfermagem, técnicos, auxiliares, e o sofrimento era muito grande. Embora os profissionais dessa área estejam acostumados a lidarem diariamente com a dor e as perdas, essa pandemia tem aumentado esse sofrimento”, acrescenta Ana.

Os efeitos da pandemia são avassaladores, mesmo que a vacinação desses profissionais já tenha iniciado, parte da população ainda teme o vírus. “O enfermeiro sempre foi o cuidador, hoje, ele se coloca também como alguém que pode estar prejudicando, portando o vírus e levando alguém à morte, isso é muito doloroso. Os enfermeiros têm adoecido, os técnicos de enfermagem têm adoecido, os médicos têm adoecido, porque lidar com esse sofrimento todo está sendo muito difícil”, comenta a coordenadora.

O cenário ainda é incerto, já que não há previsão para conclusão do Plano de Vacinação no país. “Todo dia é uma ansiedade nova, um medo diferente, um enfrentamento diferente, uma angústia diferente, não dá para se acostumar com isso. Está sendo muito lesivo para saúde mental de todas as pessoas, principalmente, para quem está na linha de frente, os enfermeiros, que sempre cuidaram e afagaram os pacientes”, enfatiza Ana Regina.

Luz para os doentes

“Enfermagem é a luz do doente”, assim define a coordenadora da Saúde Mental de Criciúma. “Não é à toa que o nosso símbolo é uma lamparina. Florence Nightingale, mãe da enfermagem, na guerra, ela andava com uma lamparina nos acampamentos para iluminar os doentes, esse é o nosso símbolo, a luz diz muito sobre a nossa profissão”, completa.

Com tantos anos de profissão dedicados à vida de outras pessoas, Ana Regina agradece. “Toda essa minha trajetória, ter entrado na saúde mental, isso me ensinou muito a viver, a conduzir a minha própria vida, superar muitos momentos difíceis. A Saúde Mental é o meu chão, é a minha vida. Tenho muito orgulho de tudo que construí aqui em Criciúma nessa área, e não foi sozinha, tiveram muitas pessoas que caminharam junto comigo e agradeço a cada um, porque sabemos da luta e da implantação desses serviços como substitutivos dos antigos manicômios”, finaliza.

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