A retomada das aulas 100% presenciais em Criciúma

A partir de hoje, conforme determinação da Administração Municipal, escolas municipais terão a presença integral dos alunos. O retorno respeitará as medidas sanitárias e seguirá um planejamento pedagógico

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Tiago Monte

Criciúma

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Após polêmicas em torno da decisão da Administração Municipal de Criciúma, mais de 20 mil alunos estão convocados para voltar às salas de aula, a partir de hoje – dia primeiro de junho.  As 65 escolas municipais retornam com as aulas obrigatórias e 100% presenciais, após mais de um ano de afastamento, em função da pandemia da Covid-19, cumprindo todas as medidas sanitárias necessárias, como distanciamento entre as mesas, uso de máscara e álcool em gel.

A medida de retorno integral da capacidade permitida, veio após ser constatado baixo número de estudantes frequentando de forma presencial, baixo número de casos de Covid-19 nas unidades, dificuldade de aprendizagem e o aumento da evasão escolar.

O retorno às salas de aula foi divulgado por meio de live, na manhã de ontem, com a presença do prefeito Clésio Salvaro, acompanhado dos secretários da Educação e Saúde, Miri Dagostim e Acélio Casagrande. De acordo com dados repassados por Dagostim, o ensino virtual pode corresponder a uma redução de até 80% na aprendizagem. Outro dado é o baixo índice de procura pelas apostilas de ensino disponibilizadas pela secretaria. “Estamos realizando ações de busca ativa de alunos que não estão frequentando e nem entregando as atividades impressas. Estamos conversando com os pais para convencê-los de levar os alunos de novo para as escolas. Em uma das maiores escolas do município, com 800 alunos, foi impresso 100 mil apostilas, apenas 50% dos pais foram procurar e 40% do material nem retornou. É na sala de aula que se faz o debate, que se tiram as dúvidas e tem uma troca de conhecimento”, frisou o secretário de Educação.

Corpo docente é testado antes da volta

A Secretaria de Educação contabilizou 251 casos de Covid-19 nas escolas municipais, entre alunos e professores. Além disso, os profissionais da Educação já estão sendo contemplados com a vacinação até o grupo oito, que engloba Educação Infantil e Ensino Fundamental. “Nossa decisão foi fundamentada após visitar as unidades escolares. Tomamos uma decisão assertiva, pois conhecemos a realidade. Nas visitas vimos salas com um aluno e um professor, dois alunos e um professor, salas vazias e fechadas”, pontua Salvaro.

O prefeito de Criciúma defende a permanência das crianças nas escolas. “Nós estamos tomando uma medida mais restritiva, levando as crianças de volta para a escola. Na unidade, ela aprende a ler, a escrever a fazer contas. As crianças seguem as regras, até mais que jovens adultos e idosos. O lugar de criança é na escola”, frisou o prefeito.

As escolas municipais farão aferição de temperatura, uso obrigatório de máscara, distanciamento social. Além disso, o corpo docente foi testado contra o coronavírus antes do retorno. “A criança vai à praia, na festinha dos amigos, nos parques, nas pracinhas perto de casa, ficam o dia todo brincando, só não podem ir para a escola. Na sala de aula, a criança aprende a escrever, a ler e fazer conta. Há uso de máscaras para todas as crianças, observando o distanciamento e a obrigatoriedade do álcool em gel”, enfatiza Salvaro.

Caso haja uma suspeita de contaminação, o aluno será encaminhado para a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima onde passará pelo teste rápido e avaliação. Em casos de alunos positivados, será realizada avaliação para a necessidade de dispensa da turma que ele integra. Na hipótese de professores serem infectados pelo novo coronavírus, a turma será dispensada para o ensino virtual – protocolo já seguido desde o retorno misto, em fevereiro. Os alunos que estiverem ausentes das aulas, nos primeiros dias, serão contatados, por telefone pela direção da escola em que eles estudam. Caso siga existindo a ausência, haverá visita presencial, na casa do aluno, para conversar com os pais.

Intervenção junto ao Ministério Público

Muitos pais não estão à vontade para que as crianças e adolescentes voltem às salas de aula. Aqueles que querem manter os alunos em ensino remoto, podem buscar, inclusive, o direito na justiça. “A fala do prefeito é um equívoco. Amanhã (Hoje), não terá 100% das crianças na escola. Eu sou avó de duas crianças – uma de oito anos e outro de quatro anos – ambos estudam em escola pública e não irão para a escola amanhã (hoje). Irão exercer o direito de ter aula remota com o apostilamento. Eu vou buscar esse direito no dialogo ou na luta jurídica. Assim como eu, enquanto avó e minha filha enquanto mãe, têm outros pais que estão se esforçando para cuidar das crianças em casa. Nós entendemos que, nesse momento, é o melhor caminho”, diz a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Criciúma (Siserp), Jucélia Vargas.

Ela diz que o decreto Estadual está sendo infringido pelo Governo Municipal. “Desde o momento que o Governo Municipal se dispôs a ofertar aulas presenciais, ele tem que estar preparado para se, por acaso, 100% dos pais decidirem que os filhos estarão na sala de aula. Mas isso se os pais decidirem mandar os alunos para 100% das aulas presenciais. Agora, o prefeito dizer que a partir de amanhã (hoje) é 100% presencial, tem uma grande diferença. Primeiro, porque existe um decreto estadual que está bem entendido que, enquanto durar a pandemia, quanto menos tiver isolamento social, mais cresce o índice de contaminação e a lotação dos hospitais”, comenta.

Alguns grupos de pais e responsáveis estão, inclusive, buscando os direitos junto ao Ministério Público. “O (projeto) Lute Como Uma Mãe está com uma ação junto à OAB e ao Ministério Público, caso o município infrinja o decreto. Por enquanto, é a fala do prefeito e ele só quer holofote. A decisão não é dele e, sim, dos pais e responsáveis. Quem ficar em casa, remotamente, on-line ou por apostilamento, o Governo precisa dar conta. Se precisar, vamos buscar esse direito judicialmente”, finaliza Jucélia.

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