A pobreza no corredor que liga o litoral à Serra

No município de Meleiro, famílias de fora vêm em busca de melhores condições de vida no interior. Atualmente, pouco mais de 240 pessoas estão cadastradas no programa Bolsa Família

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN
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Meleiro

No corredor do trajeto que liga o litoral à Serra catarinense está localizado o município de Meleiro, pertencente à Região do Extremo Sul (Amesc). Desde os primórdios, os imigrantes europeus, quando vinham em busca de novas oportunidades, dedicavam-se à agricultura e à pecuária, atividades que até hoje são as principais fontes econômicas da pequena cidade. Embora o franco crescimento seja pautado pela área rural e o benefício em poder plantar, cultivar e consumir as próprias culturas, ainda assim, há pobreza em pontos isolados da localidade.

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Meleiro tem pouco mais de 7 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As principais atividades econômicas são provenientes da rizicultura e avicultura, mas engana-se quem acredita que a pobreza está ligada a grandes metrópoles ou áreas periféricas. Números divulgados pelo Portal da Transparência, do Governo Federal, indicam que há cerca de 242 famílias inscritas no programa Bolsa Família no município. Em busca da recuperação econômica devido à pandemia, Meleiro registrou, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregos 2020 (Caged), 461 admissões e 461 desligamentos, não gerando, no quantitativo geral, nenhum novo posto de trabalho.

Deslocamento para as áreas rurais

A segregação urbana, é hoje, um dos principais fatores que levam às pessoas a se deslocaram das grandes cidades para municípios menores, principalmente pelo alto custo dos aluguéis e condições de vida precárias, oriundos do descontrolado processo de urbanização. É o caso de Ana Lúcia de Barros. Na residência “emprestada” do pai, vive a família da esposa e mãe de quatro filhos. Aos 44 anos, a mulher cria um casal de gêmeos, de 10 anos, e um menino e uma menina menores, de quatro e seis anos, respectivamente. No dia em que a reportagem do Jornal Tribuna de Notícias esteve na residência da família, o mais jovem estava de aniversário. Sem poder realizar uma festa de comemoração, a mãe lamenta. “Queríamos fazer um bolinho, mas fazer o quê, não temos condições”, disse. O esposo, Paulinho, é o único que trabalha fora. Há pouco tempo conseguiu um emprego em uma mecânica próxima de casa, e é dali que sai o sustento dos familiares, juntamente com apoio do programa Bolsa Família, no valor de R$ 447.

Ana Lúcia é natural de Siderópolis, município de Região Carbonífera (Amrec), mas de lá, saiu em busca de novas oportunidades e melhores condições de vida em Criciúma, maior cidade com potencial econômico do Sul. Mas, na prática, as coisas não aconteceram como a família almejava e então, há um ano, se mudaram para Meleiro. A moradora reside atualmente na Companhia de Habitação Popular (Cohab). “Viemos para ver se melhoravam as coisas, só que não melhoram”, comenta.

Entre as maiores dificuldades em criar as crianças na situação que vive, a mãe afirma que a pior parte é quando “os filhos pedem as coisas e não têm, isso é complicado”. Quando questionada se já passou algum tipo de necessidade, seja qual for, Ana Lúcia responde que sim, de maneira tímida, e prefere não prolongar o assunto. “Ainda bem que aqui todo mundo ajuda, teve época de eu não ter nem um leite para dar aos meus filhos, e eles pediam, não era fácil. Nem eu sei como eu enfrento, mas fazer o que, é difícil”, relata a mãe.

Ana Lúcia, atualmente, está desempregada. Devido à pandemia e por ser acometida com problemas de saúde, classificando-a como grupo de risco da Covid-19, precisa ficar em casa cuidando dos filhos. “Agora sem aula não dá para colocar na creche”, enfatiza. Em meio a todas as dificuldades, ao menos do aluguel, a mãe está isenta. “Pelo menos isso. Mas o que adianta? A gente não paga aluguel, mas vem a conta de luz lá nas alturas, a conta de água também, mas fazer o que? Paciência”, relata. Um alimento é garantido na família, já que cerca de cinco galinhas são criadas na residência. Os animais vivem soltos na propriedade e, segundo a mãe, têm o costume de pôr os ovos dentro de casa.

Confira a reportagem completa na edição desta segunda-feira do jornal Tribuna de Notícias

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