Dia das Mães: a força que vem do amor

Nos últimos meses, a vida de Mayara Rossa, de 31 anos, mudou completamente. As filhas Maria Augusta e Isabelly trazem esperança para dias melhores

Foto: Bendito Ventre
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Criciúma/Siderópolis

Força. Desde o ano passado, esse é o principal sentimento que conduz a vida de Mayara Rossa, fotógrafa de Criciúma e mãe de duas meninas: a Maria Augusta, de dois meses, e a Isabelly, 11 anos. Junto às filhas, a mulher enfrentou dificuldades inimagináveis, como a ausência do marido na reta final da gravidez e, também, na hora do parto – um dos momentos mais esperados pela família -, devido às complicações causadas pelo coronavírus.

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A gravidez da filha mais jovem foi desejada por cinco anos e, em 2020, Mayara recebeu a tão esperada notícia: um bebê a caminho. Em meio à pandemia, os cuidados durante a gestação tiveram que ser redobrados e, até outubro, ninguém da família havia contraído o coronavírus.  Mas, o cenário mudou. Com a incidência da Covid-19 cada vez mais alta em Santa Catarina, o marido, Alexandre Rossa, representante comercial, contraiu a doença durante uma das viagens a trabalho.

À época, Mayara estava com aproximadamente cinco meses de gestação e também contraiu a doença, mas sem sintomas graves. Enquanto isso, o quadro do marido piorava de forma rápida e ele precisou ser hospitalizado. Lidando com o coronavírus, com a gravidade da saúde de Alexandre e com a própria gravidez, a mãe, até hoje, não sabe como enfrentou todo esse período de dificuldades. “Eu realmente não sei de onde tirei tanta força”, diz.

Há cerca de seis meses, a vida de Mayara e das filhas mudou completamente. Alexandre não pôde acompanhar os últimos meses da gestação, nem o parto e nem os primeiros meses de vida da pequena, porque continua em recuperação devido às complicações do coronavírus no Residencial Nova Belluno, em Siderópolis. Desde então, a fotógrafa tem assumido papel de mãe e pai da família. “Todo mundo me pergunta: como tu estás forte assim desse jeito? E eu não sei explicar, mas é Deus, porque a força, eu não sei de onde eu tiro. Parece uma história que não é minha”, desabafa.

Os médicos não dão esperança quanto ao estado de Alexandre, já que o paciente teve sequelas neurológicas ao longo do período que esteve hospitalizado, mas a esperança da família permanece intacta e, semanalmente, a mãe visita o marido juntamente com as filhas. “A fé me mantém forte. Por mais que eu diga para todo mundo que o que a gente vê é difícil, por causa da própria doença e do estado que ele está, para Deus, nada é impossível”, comenta Mayara.

Em Criciúma, o casal e a filha mais velha moravam de aluguel, agora, sem poder trabalhar e sem o marido em casa, Mayara se mudou para a casa dos pais, em Siderópolis. “Eu sempre falo, eu tenho que assumir um pouco do papel de pai. Mas ser mãe é ter força e amor. Às vezes elas estão dormindo e eu penso: meu Deus o que vai ser de mim? Só com as duas e o Alexandre assim. Mas a fé, o amor e força de que logo tudo isso vai passar é o que me mantêm. Enquanto há vida, há esperança”, acrescenta.

Momento marcante

Um dos momentos mais marcantes durante os últimos meses foi o parto da filha, realizado em março. Sem a presença de Alexandre, que estaria ao lado dela, tudo foi ainda mais difícil. “Subir aquela rampa [do hospital], sozinha, foi muito difícil. Porque era para ele estar junto. Eu queria estar junto com ele, porque tínhamos sonhado por cinco anos”, enfatiza Mayara. “Eu convidei a minha sogra para ir comigo, pensei nela também enquanto mãe, porque é o único filho dela, ela só tem ele. E ela teve esse momento comigo, viu a neta nascer, trouxe força para ela também”, complementa.

O marido participou do parto, só que uma forma diferente. Através de uma videochamada, Alexandre pôde ouvir e ver o parto, mesmo sem conseguir falar ou se mexer, apenas com os olhos abertos. “Eu só conseguia dizer: ‘Pai, levanta! Pai, levanta’, porque todo mundo dizia, quando a Maria Augusta nascer, ele vai sair da cama, ela seria a força, o estímulo dele”, ressalta.

Mesmo em meio à ausência do marido e as dificuldades da rotina, Mayara não perde a esperança. “As minhas duas filhas são o que me mantêm forte, se não fossem elas, eu não sei o que seria de mim. A minha vontade era sumir, pegar as minhas coisas e sumir. Só que eu tinha um bebê na minha barriga e a Isabelly, que é super apegada ao pai e precisa de mim nesse momento. Se não fossem elas, eu não teria aguentado”, finaliza a mãe.

O amor recíproco entre a mãe e as filhas traz esperança para dias melhores. “A minha fé também é o que me mantém forte”, finaliza Mayara.

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