Somente em 2021, exportação de mel em Içara já soma US$ 5,19 milhões

Produto corresponde a 27% de tudo o que é exportado no município içarense

Foto: Arquivo/TN
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Érik Borges

Içara

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Içara é conhecida como a capital catarinense do mel. E os números refletem essa realidade. Isso porque somente neste ano, a soma do valor de mel exportado já chega a US$ 5,19 milhões. Isso corresponde a 27% de tudo o que é exportado no município içarense. Em 2020, o volume de mel exportado chegou a soma de US$ 10,2 milhões em Içara.

O principal comprador de mel de Içara é os Estados Unidos da América (EUA). “O mercado de exportação estava bom, com o covid-19 aumentou bastante as vendas, o mercado aqueceu, tanto lá fora como aqui dentro, por conta dos benefícios do mel. Mas agora a gente está enfrentando um processo de antidumping dos apicultores dos EUA. Eles estão averiguando isso, só que a decisão pode acontecer só em janeiro”, diz Guilherme Castagna, diretor da empresa Minamel, de Içara.

Entenda o caso

No dia 21 de abril deste ano, duas associações de apicultores os EUA protocolaram uma petição junto ao governo dos EUA ao qual acusam Argentina, Brasil, Índia, Ucrânia e Vietnã de praticarem o dumping, que é a prática desleal de comércio internacional, ou seja, de venderem mel aos EUA a preços abaixo do custo de produção deles.

A denúncia coincide com o período de forte valorização do dólar no mundo, que faz com que a indústria norte americana torne-se menos competitiva. De acordo com a Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel), a petição protocolada pelos produtores americanos seria uma tentativa de tarifação ao Brasil e mais quatro países para aumentar a competitividade.

Vendas nacionais em crescimento

De acordo com Guilherme Castagna, as vendas nacionais estão crescendo. E o diretor fala que a empresa estaria atualmente entre os três primeiros do brasil em volume de vendas nacionalmente. “No mercado nacional, a nossa venda é de 800 toneladas/ano. Agora é entressafra na região, pra ter mel, só quando tiver flor. Agora entrando o frio não tem mais. Então começa lá para setembro e outubro novamente”, explica Castagna.

Ele conta que a projeção para as próximas safras não há como prever. Isso porque irá depender do clima. Atualmente, o preço do mel está em torno de R$ 13 a R$ 16 reais por quilo. Ele explica que preço varia nessa faixa dependendo da qualidade do mel.

Vocação econômica

Para o diretor Executivo da Associação Empresarial de Içara, Deyniffer Morangoni, a importância do mel em Içara se dá em razão da identidade que ele traz para a cidade. “Todo município precisa ter uma identidade. E é a identidade que liga à vocação econômica, porque a gente está pensando no desenvolvimento regionalmente. Por exemplo: dá para fazer rota turística na gastronomia típica italiana de Nova Veneza, Mina de Carvão em Criciúma, visitar o  Santuário em Içara e já ver as coisas relacionadas ao mel”, exemplifica Morangoni.

Ele ressalta que a cidade precisa cada vez mais abraçar o mel e a identidade que ele traz ao município, pois isso gera benefícios econômicos. “Em outras cidades que tem outros produtos, tudo gira em torno do produto. Por exemplo: em Urussanga: tem o vinho, na Serra tem a maçã, em Brusque tem o festival da cuca, em Blumenau é a terra da Cerveja, etc. Então acaba atraindo turistas de todos os cantos do Brasil para fazer roteiro aqui”, ressalta Morangoni.

A prefeita de Içara, Dalvania Cardoso destaca a importância do mel para o município. “A apicultura se confunde com nossa história. Não é de graça que é dessa atividade que vem uma de nossas marcas: a de capital do mel. O que nos alegra é ver que esse produto que aqui processamos nos leva ao mundo a partir de uma crescente exportação”, diz Dalvania.

A presidente da Acii, Adriana Mara de Oliveira destaca o superávit na balança comercial em 2021 em Içara e ressalta que parte desse resultado é proveniente da exportação do mel. “Esses são recursos novos que, ao serem injetados na economia da cidade, fazem com que outros setores também sejam beneficiados”, diz Adriana.

Feira virtual do mel

De 1º a 30 de junho, os brasileiros poderão comprar produtos apícolas de Santa Catarina sem sair de casa e com preços tabelados. Na 2ª edição da Feira Virtual do Mel de Santa Catarina, cerca de 30 apicultores e meliponicultores de diferentes regiões do Estado estarão com seus produtos à venda pelo site www.faasc.com.br/feiradomel. A feira é uma realização da Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), da Epagri, empresa do Governo de Santa Catarina, e do Sebrae/SC.

Pela segunda vez, por conta da pandemia, produtores optaram pelo formato virtual da feira. O novo canal permitiu ampliar as vendas para todas as cidades catarinenses e também para outros estados, mostrando a qualidade do mel de Santa Catarina para todo o Brasil.

Além de mel de diversas floradas, mel composto, mel com certificação orgânica e mel de melato de bracatinga, o público poderá comprar outros produtos, como balas, bolachas, bolos, cera de abelha, própolis, favo de mel, pão de mel, pólen e vinagre de mel.

De acordo com o presidente da Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), Ivanir Cella, a ideia é aproximar o produtor do consumidor, divulgar o potencial, a qualidade e a diversificação do produto catarinense. “Com o site estamos estabelecendo novos mecanismos de comercialização do nosso mel, buscando o desenvolvimento territorial e agregando valor aos produtos. Assim também podemos expandir a feira do mel de Santa Catarina para consumidores de todo Brasil, que vai ter acesso aos melhores méis, todos com certificação”, diz Cella.

A plataforma do evento não é um e-commerce – ela aproxima o consumidor do produtor. Nela, o comprador pode escolher um fornecedor para a sua cidade e entrar em contato diretamente com ele. A venda do mel será tabelada como todos os anos, porém os demais produtos são negociados junto ao produtor, assim como o frete.

A motivação para a segunda edição virtual da feira veio do resultado da primeira, realizada no ano passado, que surpreendeu os organizadores. “Foi um sucesso pela grande repercussão que teve o mel catarinense, que ganhou alcance nacional oportunizando a divulgação e muitos contatos comerciais aos feirantes. Durante um mês, a feira alcançou 13 mil pessoas e elevou as vendas dos expositores em 10%”, comemora o chefe da Divisão de Estudos Apícolas da Epagri, Rodrigo Durieux da Cunha.

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