Porto Seco: Desenvolvimento travado sem a pavimentação

Última reunião entre o poder público, Setransc e proprietários dos terrenos definiu que valor global da execução da obra será divido entre as três partes

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN
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Criciúma

Parte do desenvolvimento econômico de Criciúma segue travado à espera de pavimentação. O projeto do Porto Seco, idealizado com o objetivo de contribuir com a organização das empresas transportadoras, além de auxiliar a mobilidade urbana do município, tem investidores interessados nos terrenos, mas não oferece condições de infraestrutura adequadas. Isso porque, somente 900 metros, dos quase quatro quilômetros de ruas públicas no complexo, receberam a capa asfáltica necessária para o tráfego dos caminhões.

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De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logísticas do Sul do Estado Setransc, Lorisvaldo Piucco, há cerca de um mês, durante uma reunião, a prefeitura se comprometeu em contribuir com um terço do valor global da pavimentação, avaliado em aproximadamente R$ 7 milhões. “É um projeto que não tivemos êxodo até o momento por algumas questões, não só públicas, mas por algumas fases que as transportadoras também passaram”, explica. Mas, o grande empecilho ainda continua sem novidades. “Temos vários empresários querendo investir, mas sem o asfalto, não irão”, completa.

Após o poder público anunciar a contribuição, foram solicitados ao Setransc os últimos orçamentos para avaliação e atualização da Secretaria Municipal de Infraestrutura. “Agora, estamos aguardando esse retorno, porque eles vão reavaliar os valores, até porque a matéria-prima do asfalto subiu o preço. Após eles nos darem o orçamento, nós vamos chamar os proprietários dos terrenos e ver o quanto ficou para nós, porque tem muitos que querem participar e pagar. Há interesse da maioria em assumir a parte que irá faltar”, enfatiza o presidente do sindicato.

Diagnóstico ambiental em andamento

Outros encaminhamentos necessários também foram dados nos últimos meses. “A questão ambiental tem que ser resolvida primeiramente, embora a gente já venha há muitos anos trabalhando com isso. Está sendo feito um diagnóstico de todo o complexo, chama-se inventário florestal e também do recurso hídrico. É um levantamento do que temos que suprir da vegetação, além de termos que cumprir algumas normas, como deixar um espaço específico de mata nativa na área”, acrescenta Piucco.

Área mista possibilita diversificação

O projeto do Porto Seco é idealizado desde a década de 1990, mas, inicialmente, somente empresas vinculadas ao setor de transportes poderiam investir no local. Foi então que através de uma resolução, a Nº 165, de 27 de abril de 2017, foi sancionada a Lei Complementar Nº 238, que permite a instalação de empresas de outros segmentos no complexo, como o comércio de autopeças, restaurantes, hotéis, mecânicas em geral e entre outras. “Não tem no Sul do Estado nenhum projeto de infraestrutura mais importante do que o Porto Seco, principalmente depois que ficou misto”, relata Piucco.

Atualmente, sete empresas já estão locadas no complexo, sediadas em lotes que já estão pavimentados. “Os empresários que têm terrenos onde não está asfaltado não querem construir em cima de barro”, pontua o presidente do sindicato. “Como são ruas públicas, nós não deveríamos estar preocupados se vamos ajudar a pagar, a prefeitura que tem que pavimentar. É de interesse público. Ao mesmo tempo, é uma pena, porque desde 2012 que não vem uma indústria para Criciúma“, completa.

Única pavimentação foi realizada em 2009

Um único trecho, de 900 metros, foi pavimentado no complexo do Porto Seco em 2009. O investimento principal veio do Governo do Estado, cerca de R$ 1,5 milhão, na época, a Prefeitura contribuiu com aproximadamente R$ 90 mil. “Uma das dificuldades é que o sindicato não tem poderes legais para executar o asfalto e cobrar dos proprietários; quem tem é só o município”, explica Piucco.

Benefícios vão além da economia

Para o presidente, o projeto não custou nada para o município, até o momento, e vai render inúmeros benefícios quando pronto. “O Porto Seco vai contribuir, em termos de transporte, com a organização das transportadoras em um só endereço, isso vai implicar na mobilidade urbana, que é tão falada e discutida. Por quê? Porque hoje os caminhões vêm de Curitiba, Espírito Santo, Itajaí, Rio de Janeiro, São Paulo, de todo o canto, e descarregam em vários pontos, depois, ficam rodando entre os bairros, procurando carga para voltar até a cidade natal. Se a gente conseguir concentrar os transportadores aqui, eles vão deixar de circular no município e vai evitar que o caminhão, com o tempo, detone a infraestrutura”, relata o presidente.

Interesse público

Segundo o diretor do Desenvolvimento Econômico de Criciúma, Aldinei Potelecki, a reunião acordou, de fato, a divisão do valor global da pavimentação e, neste momento, a atualização do projeto ainda continua sob análise da Secretaria de Infraestrutura. “A princípio, o que ficou definido, é que tanto a prefeitura, quanto o Setransc e os proprietários dos terrenos, os três teriam uma participação na execução da obra”, enfatiza. “E é de interesse público, embora seja um empreendimento privado, a prefeitura tem interesse que isso seja efetuado, porque a obra impacta positivamente a economia e no que diz respeito à mobilidade do município”, completa.

Empresa pioneira no complexo

O Serviço Social do Transporte – Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat) foi a primeira empresa a ocupar o complexo no Porto Seco, em 2007. O centro oferece áreas de lazer, recreação, ensino e treinamento profissional, contemplando a comunidade do setor e também a população geral. São oito dentistas, dois fisioterapeutas e dois nutricionistas que atendem os colaboradores e dependentes, até os 18 anos, de maneira gratuita.

“Estamos aqui no complexo de 33 mil m2 e praticamente somos os pioneiros aqui no Porto Seco. Obviamente, chegamos primeiro muito em razão desse sistema e dessa intenção de realização do projeto. Hoje, ficamos muito necessitados do desenvolvimento da área, por causa da nossa instalação, há quase 14 anos. Essa é uma ideia riquíssima, muito usada pelo Brasil afora, onde empresas se concentram para facilitar a permuta de modais para o transporte”, explica o diretor do Sest/Senat Criciúma, André Luis do Nascimento.

O diretor ainda reforça que a conclusão do asfalto no complexo é fundamental para o desenvolvimento da área.  “Seria primordial para a atração cada vez maior e célere dos empresários que já detêm grande parte dos terrenos que estão aqui no Porto Seco, certamente isso garantirá mais ofertas de linhas do transporte de passageiros, que hoje é bastante restrito e trará mais segurança para os veículos”, finaliza Do Nascimento.

 

 

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