Empreendedorismo cresce e alavanca economia na pandemia

Região Carbonífera abriu 1.773 novas empresas entre janeiro e fevereiro deste ano, 435 a mais do que o mesmo período analisado em 2020

Foto: Guilherme Cordeiro/ TN
- PUBLICIDADE -

Criciúma

Necessidade ou opção. A crise econômica provocada pelo coronavírus fez que com muitas pessoas dessem o pontapé inicial na abertura do seu próprio negócio. Alguns motivados pela possibilidade em tirar um antigo sonho do papel, outros em busca de renda, fugindo do desemprego. Conforme dados da Junta Comercial de Santa Catarina (Jucesc), o Estado contabilizou um saldo de 25.260 novas empresas entre janeiro e fevereiro deste ano, o que representa um aumento de 39% em relação ao mesmo período analisado em 2020.

- PUBLICIDADE -

Em Criciúma, segundo dados levantados pela Casa do Empreendedor, 702 novos alvarás foram emitidos no município entre janeiro e fevereiro, o que representa um acréscimo de aproximadamente 60% em relação ao ano passado. Do total, pelo menos 126 são de Microempreendedores Individuais (MEIs), 109 são microempresas e o restante são empreendimentos de pequeno e médio porte.

Um desses alvarás é da vendedora de roupas infantis Leila Mendes Dagostim, que abriu seu cadastro de Microempreendedor Individual nas últimas semanas. Após quatro anos sem exercer a atividade, desde que teve a última filha, a empreendedora retomou a comercialização de vestuário para crianças através da sua própria loja online, a Palito Baby. Atualmente, ela se dedica ao emprego fixo, em horário comercial e, em paralelo, dá andamento ao seu próprio negócio.

“A venda de porta em porta exige trabalho, eu não tinha tempo, então não tive como continuar. Fiquei quatro anos parada. Era algo que me fazia falta, tanto no financeiro quanto no gostar, porque é uma área que eu gosto, tem o meu trabalho fixo que eu gosto, mas o principal são as vendas de roupa infantil“, comenta Leila.

Depois de analisar se voltaria ou não ao mercado, mas dessa vez, como microempreendedora, Leila resolver retomar as atividades. “Eu fiquei quase um ano pensando: volto ou não volto? Aí a minha máquina de lavar estragou, eu não tinha condições de comprar outra e nem de parcelar. Eu sentei no sofá e falei: Deus eu não vejo mais saída. Então eu arrisquei, vendi as minhas férias, comprei as roupas e o que eu gastei eu já recuperei. Acredito que no meio de uma pandemia, várias pessoas estão se reinventando. Eu estou vendo muita gente abrindo MEI e quebrando por não saber administrar e também estou vendo muita gente abrir e se dar bem, porque muitos empreendedores começam na hora da dificuldade”, ressalta.

A paixão pela área de vendas, mais especificamente para o público infantil, sempre esteve presente na vida da microempreendedora. “Vestuário é algo que, na minha opinião, tem público e clientes para todos. Quero poder ter o meu negócio, porque hoje, o meu emprego é aquele salário e deu, aquele horário e deu, e eu sou uma pessoa que desde que comecei a trabalhar eu tenho o meu horário fixo no trabalho, mas estou sempre trabalhando, então se for para me dedicar 10, 12 horas por dia, que seja por algo meu”, enfatiza.

Há pouco mais de um ano, o esposo de Leila também abriu o seu próprio negócio: uma barbearia no centro de Criciúma. Atualmente, os dois são microempreendedores individuais e mantém a renda da família através da dedicação ao trabalho. Embora a pandemia tenha afetado a todos de forma negativa, a força de vontade e determinação permanecem. ”Não pode ter a crise da saúde e da economia, tem que pelo menos um lado resgatar o outro”, finaliza Leila.

Dados na Amrec

A Região Carbonífera (Amrec) registrou a abertura de 1.338 novas empresas no primeiro bimestre de 2020, enquanto neste ano, no mesmo período, foram 1.773, 435 a mais. Entre os setores de atuação que mais tiveram destaque, em primeiro lugar vem o comércio de reparação de veículos automotores e motocicletas, com 462 novas empresas, seguido da indústria de transformação (260). Logo após vem a outras atividades de serviços (175); construção (171); alojamento e alimentação (140); atividades administrativas e serviços complementares (128); atividades profissionais, científicas e técnicas (114); transporte, armazenagem e correio (108); educação (65); saúde humana e serviços sociais (38); informação e comunicação (35); entre outras.

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.