Criciúma: Sobram vagas, faltam candidatos

Empresas de Criciúma e região sofrem para conseguir novos funcionários, enquanto isso, cada vez aumenta mais a quantidade de trabalhadores informais nas ruas


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Tiago Monte

Criciúma

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Aqueles que são mais atentos e circulam pelas ruas de Criciúma e região, já devem ter percebido que o número de pessoas trabalhando informalmente tem aumentado cada vez mais. Na grande maioria, são vendedores dos mais diversos produtos que tentam seduzir os motoristas e pedestres do Sul do Estado. Porém, por outro lado, as empresas praticamente imploram para conseguir novos funcionários. Ou seja, a conta não fecha.

A gerente corporativa de Recursos Humanos da Canguru, Silvia Sá, confessa que o diagnóstico ainda é muito difícil de ser feito. “A gente tem algumas pessoas que entram para trabalhar e não aparecem mais na semana seguinte. A gente ainda não tem dados concretos sobre isso, mas acontece muito de pessoas quererem mais flexibilidade de horários. Talvez os custos estejam muito altos e eles entendam que uma informalidade possa dar mais retorno do que em uma empresa”, explica.

No mês passado, a empresa realizou feirão de empregos e esperava obter 550 pessoas. O número até foi atingido, através de inscrições no site da empresa, mas nem todos apareceram no local. “Apareceram 250 pessoas. Foi bastante, legal e superimportante ter feito, foi uma movimentação gigante que a gente fez para tentar angariar essas pessoas e 250 pessoas apareceram, mas eu saio do feirão e têm pessoas nas sinaleiras”, comenta.

Falta de interesse em jornadas de trabalho

Para Silvia, um dos motivos desse desinteresse são as jornadas de trabalho propostas pelas empresas. “É um momento muito diferente que a gente vive, as pessoas querem estar mais em casa, perto da família. Ao mesmo tempo que elas precisam do emprego, elas também estão com instabilidade emocional e financeira. Elas acham que aquele valor que é oferecido não é suficiente para tudo o que precisa ser custeado. É um momento diferente e de dificuldade”, pontua.

Outros dois casos são bastante comuns. “Não fecha a parte comportamental. Na entrevista, a pessoa diz: eu não gosto de acordar cedo. Acontece isso. Por outro lado, tem aquela pessoa que encaixa certinho, mas depois a gente perde ela”, detalha a gerente.

O presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Moacir Dagostin, percebe que os jovens, em um grande percentual, não querem mais trabalhar no sistema tradicional. “Eles querem empreender muito e estão buscando isso alguma maneira. Fica perceptível se observarmos o número de MEIs: está elevado demais. Surgiram muitas MEIs”, diz. MEI é a sigla para Microempreendedor Individual, onde a pessoa, que trabalha por conta própria, se legaliza como pequeno empresário.

Baixos salários contribuem para a situação

Dagostin atribui o desinteresse das pessoas aos baixos salários oferecidos pelo mercado. Para ele, é algo circunstancial e que deve ser superado.  “As remunerações não são tão atrativas ainda. Nós entendemos que, em uma nova etapa, além da matéria prima alta, as empresas não têm muitas condições de elevar os salários. É uma etapa que precisará ser ultrapassada. No setor de tecnologia, o aumento salarial é absurdo: 100, 200 e 300% do que se pagava há dois anos”, diz.

Para o presidente da Acic, a mudança na carga horária do comércio em geral também é um fator que influencia na sobra de vagas no mercado. “O jovem não quer o emprego tradicional: que precisa cumprir horário, trabalhar no sábado, no domingo… Se nós voltarmos uns cinco anos, ou mais um pouco, os nossos supermercados não abriam nos domingos, o comércio não abria sábado à tarde. Então, essas exigências de trabalho 24 horas, muitos em indústrias, inclusive, não se encaixam com os jovens. Ninguém quer trabalhar em horário noturno ou algo parecido. Existe essa dificuldade”, explica.

A demanda de produção da região fez aumentar o número de vagas na região.“A demanda também está muito grande. A produção das empresas da região aumentou muito, então, também em função disso, está faltando trabalhadores. As ofertas continuam cada vez maiores, principalmente na área de tecnologia. Quem quer ir para essa área, não se encaixa nas vagas. O que mais tem é vaga aberta para programador, mas os jovens querem trabalhar com internet, mas não programando”, diz.

Informais faturam mais nas ruas

Experiente em abordagens aos trabalhadores informais, o Secretário de Assistência Social e Habitação de Criciúma, Bruno Ferreira, entende que estas pessoas não têm interesse em trabalho formal, pois faturam mais nas ruas.“A gente não pode definir um padrão, mas o que eu entendo, até com a experiência que temos nas abordagens a essas pessoas: muitos deles ganham, em média, 300 a 400 reais por dia. Então, um dos fatores é a arrecadação que eles têm diariamente”, diz.

Bruno ainda destaca o auxílio destacado pela prefeitura de Criciúma. “A gente faz, aqui em Criciúma, todos os meses, uma edição do Balcão de Empregos, porque a gente chegava para abordar essas pessoas, na sinaleira, e a própria placa dizia: ‘estou desempregado, preciso de ajuda’. Se está desempregado, a gente oferece ajuda: colocamos no carro, na hora, e levamos na empresa. Muitos não querem. Eu atribuo a essas pessoas estarem na sinaleira é o dinheiro fácil”, finaliza.

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