Auxílio emergencial volta a fazer a diferença em casas de baixa renda

Governo Federal voltou a realizar o pagamento do benefício, ainda que em valor menor

Com duas crianças, Márcia teve a ajuda da mãe para manter as contas quando o auxílio foi suspenso (Foto: Guilherme Cordeiro/TN)
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Gustavo Milioli

Criciúma

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O auxílio emergencial do Governo Federal voltou a ser pago a, aproximadamente, 48 milhões de brasileiros nesta semana. Os valores são menores em relação ao ano passado. Agora, vão de R$ 150 a R$ 375, bem abaixo dos depósitos entre R$ 300 e R$ 1.200 entre abril e dezembro de 2020.

A dona de casa Márcia Maria das Neves, moradora do bairro Cristo Redentor, em Criciúma, faz parte do grupo que receberá o benefício. Ela está há cerca de um ano desempregada, é mãe solteira e mora ao lado dos dois filhos.

Na primeira fase, Márcia recebeu parcelas de R$ 1.200 durante três meses, e depois parcelas de R$ 600. Esta era a sua única fonte de renda, já que está cobrando na justiça o pagamento de pensão alimentícia do ex-companheiro. Depois de passar os primeiros três meses do ano zerada, ela voltará a receber R$ 375, o valor máximo, por ser chefe de família.

“No ano passado foi muito bom. Perdi o emprego no início da pandemia e não consegui vaga em nenhum outro lugar até hoje, mesmo entregando currículos direto. Pude fazer um muro aqui em casa, um portão, fiz o quartinho das crianças… Aproveitei bastante”, conta a mulher de 42 anos, que trabalhava como atendente de lanchonete antes de ser demitida.

Desde que passou a ficar sem o dinheiro, ela recorria às cestas básicas do Centro de Referência a Assistência Social (CRAS), ao Bolsa Família e pedia ajuda para a mãe, aposentada, a bancar os pagamentos das contas domésticas. “Foi a minha sorte, senão eu estava perdida”, destaca. Ela é mãe de dois garotos, de 11 e 9 anos. “O meu mais velho é autista e hiperativo. Um está estudando de manhã e o outro à tarde, 15 dias no colégio e 15 dias em casa”, aponta.

Mesmo com a grande diminuição dos valores, Márcia comemorou o retorno do auxílio emergencial. “É pouco, mas ainda é melhor do que nada”, afirma. Ela planeja voltar a conseguir pagar as contas de energia e água, e talvez sabe comprar os itens mais básicos. “Leite, café, o achocolatado das crianças, são coisas que gastamos bastante”, afirma.

O auxílio e as fraudes

O Governo Federal gastou R$ 295 bilhões na primeira fase do benefício, o que corresponde a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Cerca de 68 milhões de pessoas foram contempladas, representando 32,2% da população e cerca de 40% das residências do país. O Tribunal de Contas da União (TCU) estima que R$ 55 bilhões do valor total tenha sido transferido para fraudulentos, ou seja, pessoas que não precisariam receber o auxílio. Apenas 0,5% deste valor foi recuperado até o momento.

Economista atesta importância

Mesmo criticado, o auxílio tem feito a diferença na vida de milhões de brasileiros que ficaram sem fontes de renda na pandemia. Na opinião do economista Dimas de Oliveira Estevam, os custos elevados à União devem ficar em segundo plano neste tipo de situação, por se tratar de uma questão de “vida ou morte”.

“Não é só um benéfico, é essencial. O auxílio é mais do que necessário, é quase uma questão de vida ou morte para essas pessoas que dependem dele, que teriam dificuldades até para comprar comida”, comenta o professor da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc).

“No Brasil se criou uma espécie de mito de que o Estado não pode se endividar, de que precisamos manter o teto de gastos, mas na realidade isso tem sentido apenas em uma economia normal. Agora nós passamos por uma economia de guerra, em que tudo parou e as pessoas ficaram sem renda”, completa.

Ele lembrou que esta realidade não é uma exclusividade nacional. Outros países ao redor do mundo criaram políticas parecidas para a população. “Os Estados Unidos irão jogar US$ 1,9 trilhões em assistência para combater a pobreza. A Europa está fazendo algo semelhante. Quem vai contra são as pessoas que não estão passando por necessidades, que estão em uma situação mais confortável. A situação econômica do país traz a necessidade de a questão do teto de gastos ser discutida de novo”, coloca.

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