Aumento no preço do gás natural irá impactar consumidores

Em Santa Catarina, principais setores atingidos são a indústria, comércio e consumo veicular. Reajuste passa a valer a partir do dia 1º de maio

Foto: Lucas Colombo/ Arquivo TN
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O aumento no preço do gás natural já é realidade em todo o país. Mas, em Santa Catarina, o percentual anunciado pela Petrobras deverá ser aplicado somente no dia 1º de julho, após a Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc) apurar a relação semestral das diferenças referentes aos valores do combustível. A adição divulgada desta vez equivale a 39% de acréscimo na venda às distribuidoras e deve-se à aplicação das fórmulas dos contratos de fornecimento, vinculados à cotação do petróleo e à taxa de câmbio. Os impactos devem ser sentidos desde a indústria, ao produto e consumidor final.

De acordo com o gerente de regulação da Aresc, Silvio César Rosa, antes de ser aprovado qualquer repasse, haverá uma apuração semestral, que acontecerá em junho e deverá ser aplicada aos usuários somente a partir do dia 1º de julho. “Nesse primeiro momento, os consumidores, tanto domésticos, como industriais, comerciais e veiculares não sentirão esse impacto, porque nós temos uma ferramenta regulamentária, que é a conta gráfica, na qual, são registradas e acumuladas as diferenças desses aumentos”, enfatiza.

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O engenheiro explica que o acréscimo também dependerá da movimentação da Petrobras. “Isso porque está vinculado ao preço do dólar, mas nos próximos meses pode ter um ajuste negativo, então vai depender muito da apuração desse saldo da compra e venda do gás, com aumento ou diminuição do preço, para que tenhamos esse valor que será repassado ao usuário no dia 1º de julho”, acrescenta Rosa. “Neste momento não temos impacto nenhum, mas lógico que temos a previsão, caso não ocorra alteração ou ajuste negativo nesse período”, completa.

Impactos nas indústrias

Uma das indústrias que deve ser afetada pelos reflexos do aumento substancial no preço do gás natural é a de revestimento cerâmico. “O quanto vai impactar nosso segmento depende da agência reguladora, a Aresc. Ela que acaba referendando o acréscimo. Mas é um número assustador. O repasse para as indústrias e os consumidores deve ser menor do que os 39% que foram anunciados, algo em torno de 30%, mas mesmo assim é muito alto”, relata o presidente do Sindicato das Indústrias de Cerâmica de Criciúma, Otmar Josef Müller.

O percentual anunciado é resultado, principalmente, do acréscimo aplicado ao preço do petróleo exterior. “Hoje, ainda, a Petrobras é o único fornecedor de gás natural no Brasil e ela atrela o preço do gás nacional ao preço do petróleo Brent, então havendo esse aumento somado ao dólar, há esses saltos enormes no preço”, acrescenta Müller. “É um fato preocupante, porque no caso das indústrias de revestimento cerâmico, dependendo do tipo de produto, 20, 25% do custo de fabricação vêm do gás, então será um aumento de aproximadamente 7% no custo do produto final, vai dar um impacto bem grande”, completa.

Conforme o presidente do Sindiceram, o valor é muito alto e não há como a indústria absorver, desta forma, o aumento deverá ser repassado ao produto final. “Infelizmente, não há como contornar o impacto causado pelo acréscimo no preço do gás natural. As indústrias cerâmicas, de vidro e, nesse caso, os fornecedores que produzem os esmaltes, são cativos do gás natural, então hoje, pelas tecnologias de produção, não há substituto para o combustível, não temos como fugir”, declara.

Aumento também do GNV

De acordo com o proprietário do posto de combustíveis São Pedro, na Próspera, Paulo Roberto Benedet, o anúncio do acréscimo pegou todos do ramo de fortalecimento veicular de surpresa. “Com esse aumento de 39% no gás natural, vai ter um impacto muito grande, se fala em praticamente um aumento de R$ 0,80 e, com certeza, vai inviabilizar o consumo de GNV”, lamenta.

Concorrência minimizaria acréscimos

De acordo com o diretor de Estratégia e Mercado da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Marcelo Mendonça, a única forma de combater ou minimizar esses aumentos é ampliar a competição de comercialização do gás natural. “Hoje nós temos uma única empresa que oferta, então não temos a possibilidade de comprar de outros agentes, só implementando essa concorrência, permitindo que outros agentes participem do mercado, é que a gente vai conseguir adquirir um gás mais competitivo “, explica.

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