Suicídio de jovens na região aumenta 100% em 2020

Enquanto no ano passado esse número foi de quatro casos consumados entre as idades de 18 aos 24 anos, até agosto deste ano, oito pessoas dessa faixa etária tiraram a própria vida

Foto: Arquivo / TN
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Criciúma

Tirar a própria vida é a segunda principal causa de óbito violento entre jovens com idade entre 15 e 29 anos, conforme divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Na região de Criciúma, o suicídio entre os jovens (de 18 e 24 anos), em 2020, já atingiu o dobro do que em todo ano de 2019. Até o fim de agosto deste ano, oito jovens (e mais dois adolescentes) tiraram a própria vida, enquanto no ano passado esse número totalizou quatro casos consumados.

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O número alarmante chama atenção de especialistas no assunto. Segundo a OMS, 17% das pessoas, em algum momento da vida, pensaram seriamente em cometer suicídio. Essa ideação suicida é agravada na transição da adolescência para a vida adulta, fase essa marcada por alterações biológicas, psicológicas e emocionais.

Bianca Maria Sebbem Lima, que é oficial da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e especialista em prevenção ao suicídio infantojuvenil conta que é necessário romper o tabu de que falar sobre o assunto pode instigar para o suicídio. “Ao contrário, os governantes que investiram em campanhas e mecanismos de educação e prevenção apresentaram redução no número de pessoas que tiraram a própria vida”, afirma Bianca.

Possíveis indícios            

Segundo ela, é importante que a família esteja em alerta quando se verifica mudança repentina e prolongada de comportamento, como irritabilidade, tristeza profunda, alterações de sono ou uso de drogas, falta de vontade de se relacionar com pessoas do convívio ou de fazer atividades costumeiras. “Nem sempre isso é indicativo de tentativa de suicídio, mas é importante o alerta, pois indica que há um sofrimento muito grande com o qual o jovem não sabe lidar”, diz Bianca.

Casos consumados na região

Neste ano, 30 pessoas já tiraram a própria vida na região. Isso representa uma média superior a 3 casos consumados por mês. No ano passado, 48 pessoas cometeram suicídio na área de abrangência do Instituto Médico Legal (IML) de Criciúma.

Na cidade criciumense, 11 óbitos dessa natureza foram registrados nesse ano. A segunda cidade que mais registrou suicídios neste ano foi Forquilhinha, com cinco, mesmo número que Morro da Fumaça, enquanto Urussanga aparece no levantamento com três e Cocal do Sul com duas mortes. Municípios que registraram um caso foram Balneário Rincão, Içara, Nova Veneza e Orleans.

Número de suicídios em 2020 na região:

Criciúma: 11

Forquilhinha: 5

Morro da Fumaça: 5

Urussanga: 3

Cocal do Sul: 2

Balneário Rincão, Içara, Nova Veneza e Orleans: 1 cada cidade.

Instituições dispostas a ajudar

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, no número 188 (atendimento 24 horas).

“É importante falar bastante sobre esse tema. Porque a partir do momento que o suicídio ocupa a segunda causa-morte (violenta) na região, isso acaba nos preocupando muito”, diz Almir Fernandes, agente da Polícia Civil e presidente da Cruz Vermelha de Criciúma.

Além do CVV, em Criciúma há locais onde as pessoas podem buscar ajuda, como o (Núcleo de Prevenção a Violência e Promoção a Saude (NUPREVIPS), Centro de Atenção Psico-Social (CAPS), Associação Criciumense de Apoio a Saúde Mental (CERES), Serviço de Psicologia Aplicada Esucri (SPAE), Sociedade de Psicologia de Criciúma e Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (CEREST). “Há uma grande parceria nessa rede de proteção à vida”, diz Fernandes.

Almir conta que a Polícia Militar de Criciúma também está capacitada e passou por treinamentos para lidar com situações de atendimento a esse tipo de ocorrência em que a pessoa necessita de ajuda.

Nesse caso, através do 190, é possível solicitar apoio para que a PM encaminhe a pessoa para falar com um profissional capacitado a prestar auxílio emocional e psicológico. “As pessoas podem contar com a Polícia Militar. No momento em que as pessoas precisam recorrer a uma ajuda de emergência, a PM irá encaminhar para o serviço especializado da rede de proteção à vida”, explica Fernandes.

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