Linha do Tempo: os movimentos dos bandidos em Criciúma na madrugada

Durante a madrugada, foram pelo menos duas horas de muita apreensão da população: as ações criminosas começaram às 23h40

Última bomba foi desarmada às 8h (Foto: Eduardo Schaucoski/Impacto)
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Foi por volta da meia-noite de ontem que o susto, o medo e a sensação de impotência invadiram a residência da maioria dos criciumenses. Rajadas de fuzis, explosões e a incerteza levaram milhares de pessoas a alteraram sua rotina noturna, procurarem os lugares mais refugiados dentro das próprias casas e permanecerem em alerta por pelo menos mais duas horas.

A ação criminosa de 30 homens fortemente armados, que controlaram o centro da cidade entre pouco antes da virada de segunda para terça-feira até as 2h da terça, envolveu planejamento e fatos que se anteciparam ao conhecimento público.

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Se à meia-noite a população procurava os corredores das próprias residências, alguns minutos antes a sede da Polícia Militar (PM) em Criciúma já estava em sinal de alerta e sob ataque do grupo criminoso.

23h40: Segundo a PM, foi nesse momento que um caminhão foi incendiado na entrada e saída no batalhão. Também foi neste momento que os criminosos iniciaram os disparos contra a sede. Essa ação que pode ter sido intimidação não feriu nenhum policial, de acordo com informações da própria PM.

23h50: Dez minutos depois, enquanto a sede do batalhão estava sendo alvejada, uma guarnição de rádio patrulha cruzou por um dos dez veículos do grupo que circulavam pela cidade.

Em troca de tiros nas proximidades do Parque das Nações, o soldado Jeferson Luiz Esmeraldino foi gravemente ferido e posteriormente encaminhado para o hospital.

0h: Começou o pânico e o medo quase generalizado na cidade; essa é a hora em que os criminosos chegaram ao centro de Criciúma. Ruas foram fechadas, população intimidada a se recolher e a chuva de disparos e explosões ouvidas em diversos pontos do município.

0h10: Foram 10 minutos de disparos contínuos, com rajadas de fuzis, até a primeira explosão; assim iniciaram-se as investidas contra a agência do Banco do Brasil, na esquina da rua Lauro Müller com avenida Getúlio Vargas.

Nesse momento, os seis funcionários da prefeitura, que realizavam a sinalização viária quando começou a ação criminosa, já eram feitos de reféns e permaneciam sentados em um cruzamento.

A Polícia Militar confirma que três tipos de projéteis de grosso calibre foram utilizados: .556, .762 e .50. Para entrar no banco, o grupo criminoso usou explosivos.

0h30: A Polícia Militar confirmou o incêndio no Morro do Formigão, na BR-101, em Tubarão. Nos grupos de Whatsapp, já circulava a informação de ações orquestradas entre Criciúma e Tubarão.

1h: O prefeito Clésio Salvaro fez um pronunciamento pedindo para a população permanecer em casa durante o que chamou de “cidade sitiada por criminosos”.

1h30: Uma hora mais tarde, também foi confirmada a utilização de um caminhão do lixo pelos criminosos. Também por volta desse horário os disparos diminuíram a frequência. Então, duas explosões foram testemunhadas pelos criciumenses; algumas residências chegaram a tremer.

2h: Os criminosos fugiram com muito dinheiro, deixando cerca de R$ 800 mil para trás, em maletas e cédulas espalhadas pelas ruas da cidade, em direção a Nova Veneza.

3h: Começam a chegar os reforços da Polícia Militar em Criciúma. Neste momento, população já estava nas ruas para recolher cédulas perdidas; foram encontrados artefatos possivelmente explosíveis.

5h40: Quatro pessoas foram presas com uma quantia de mais de R$ 800 mil. Segundo a PM, não há relação com a quadrilha: elas foram recolher as cédulas que se perderam durante a fuga do grupo.

6h30: Os 10 veículos pretos utilizados pelos criminosos foram encontrados na Localidade de Picadão, área rural de Nova Veneza.

8h: Foi desarmado o último artefato explosivo, colocado em um veículo Fiat vermelho na rua Lauro Müller.

10h45: Governador Carlos Moisés concedeu entrevista coletiva em Criciúma, ao lado do prefeito Clésio Salvaro, sobre a chamada “ação criminosa bem sucedida” no município.

As diligências permanecem até o momento e a dúvida paira sobre a população criciumense, ainda incrédula pela noite surreal vivida.

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