Interesse em filiações a clubes de tiro aumenta mais de 50%

A partir de 18 anos, a pessoa já pode praticar tiro esportivo

Foto: Lucas Colombo / TN

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Érik Borges

Morro da Fumaça/Criciúma

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O decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, em maio de 2019, que alterou as regras para o uso de armas e munições, dentre elas, a permissão para colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) poderem ir de casa ao local de tiro com a arma com munição, fez com que o número de pessoas interessadas na filiação a clubes de tiro esportivo aumentasse mais de 50%. A informação é confirmada pelo proprietário do Clube de Tiro Fumacense, Júlio Aguiar. “Houve grande aumento, até porque ocorreu a mudança do governo e notícias sobre aquisição de arma. Tudo isso influenciou o povo a se informar”, conta. Segundo ele, em 2019 os clubes foram muito procurados pelas pessoas que queriam conhecer outros modelos e armas e realizar cursos básicos de tiro. Atualmente, na região Sul do estado, existem nove clubes de tiro.

Para iniciar as práticas esportivas de tiro, a pessoa precisa ter, no mínimo, 18 anos. O praticante precisa obter o Certificado de Registro de Atirador. “A documentação fica pronta em algumas semanas, via Exército Brasileiro, que é quem controla essa emissão”, conta. Além disso, a Polícia Federal também desempenha a função de autorizar praticantes de clubes de tiro. Para a prática esportiva a maiores de 25 anos, é concedido o porte de trânsito para deslocamento até competições. Através de guia de trânsito do Exército. “Ao filiado, a gente recolhe a documentação necessária para ser encaminhada aos trâmites legais e, dentro de 30 ou 40 dias, o certificado pode ser emitido para ser um atirador esportivo”, explica Aguiar.

De acordo com ele, é necessário passar por teste psicológico, depois realização de teste de tiro, para somente depois ser emitido o certificado que declara a aptidão para a aquisição esportiva. Além disso, é preciso ter, no mínimo 25 anos, para obter o porte de trânsito da arma de fogo para a prática esportiva. Quem tem de 18 a 24 anos pode utilizar as armas do próprio clube de tiro para a prática esportiva. No Clube de Tiro Fumacense existe um instrutor credenciado pela Polícia Federal (PF). “É sempre interessante, quando há alguém menor de 25 anos, a presença desse instrutor”, diz.

Existem dois valores quando os assuntos são posse e aquisição. Para a posse, os custos com documentação e testes são de aproximadamente R$ 500, incluindo as taxas.

Para a prática do tiro esportivo acontece a filiação na Entidade Desportiva de Tiro, existe a anuidade, realização de testes e Certificado de Registro, emitido pelo Exército, com validade para 10 anos. Para essa modalidade, os custos burocráticos são de aproximadamente R$ 1,3 mil, Atualmente, o Clube de Tiro Fumacense conta com aproximadamente 70 praticantes. “Geralmente, uma vez por semana, acontece confraternização. Temos estande de tiro com 10 boxes, além de tiro ao prato e tiro de rifle de longa distância (200 metros). Todas com medidas oficiais”, pontua.

Flexibilização das regras à posse de arma de fogo

A partir do decreto assinado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019, que facilita a posse de arma de fogo e altera a posse de cinco para 10 anos, a procura pela autorização mediante Polícia Federal aumentou. De acordo com Ivone Santos da Soler, psicóloga com formação em Perícia, Cognitiva Comportamental e Neuropsicologia, credenciada pela Polícia Federal na avaliação de pessoas que queiram autorização para ter a posse de arma de fogo, a responsabilidade dos profissionais que avaliam também ficou maior. “Para ser credenciado, os profissionais precisam comprovar formação e cursos capacitantes para mensurar todas as exigências da instrução normativa 78 da Polícia Federal”, explica. Ela conta que passa por entrevistas com as psicólogas da Polícia Federal de Brasília, que vêm para os estados com o intuito de avaliar como estão sendo feitas as avaliações e, se realmente os profissionais estão cumprindo as exigências necessárias.  “É muito importante que as pessoas busquem por profissionais qualificados e que cumpram o que é exigido, pois recentemente, em nossa região, foi descredenciado um psicólogo que não atendia esta exigência. Entregava laudo sem ao menos fazer a avaliação e, por meio de denúncia, foi pego pela PF”, conta Ivone. De acordo com ela, a exigência é que se avalie no mínimo as funções da atenção concentrada, atenção difusa, memória, comportamento, personalidade projetiva e expressiva, além de uma entrevista semiestruturada.

“Não é possível fazer os procedimentos em menos de uma hora e 15 minutos, considerando que o sujeito seja rápido nas respostas. Cada vez mais vemos a importância de realmente buscar profissionais que valorizem a ética e que não corrompam a profissão”, ressalta. “É preciso ter consciência de que uma arma não é brinquedo. É importante as lojas de armas buscarem se informar quem é este profissional que vai atender o seu cliente, se este tem profissionalismo e atende realmente às exigências da PF”, emenda. A partir de 15 de janeiro do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro alterou a licença de arma de fogo de cinco para 10 anos. De acordo com Ivone, cada laudo assinado, é preciso ter muita certeza do resultado, porque a retirada da arma do cidadão que conta com a licença, só é possível fazer mediante esfera jurídica. “Cada vez mais estão aliando a compra com a segurança pessoal e ao lazer, através dos clubes de tiros”, ressalta.

A Instrução Normativa 78/2014, publicada no Diário Oficial da União em março de 2014, estabelece procedimentos para o credenciamento, fiscalização da aplicação e correção dos exames psicológicos realizados por psicólogos credenciados, responsáveis pela expedição do laudo que ateste a aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo e para exercer a profissão de vigilante.

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