Criciúma: dentro do carro, homem agride trans com chave de fenda

Ocorrência foi registrada no bairro Próspera, em Criciúma. Além de ter o pescoço perfurado, a vítima também teve quatro dentes quebrados

Reprodução
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Érik Borges

Criciúma

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Uma violenta agressão física foi cometida contra Vanessa Dresch, de 24 anos, na sexta-feira, dia 11, no bairro Próspera, em Criciúma. Isso porque um homem de 45 anos tentou cravar uma chave de fenda no pescoço dela, durante um encontro. Além disso, a vítima teve quatro dentes parcialmente quebrados em razão das agressões sofridas e alega que sofreu uma tentativa de homicídio.

De acordo com Vanessa, o homem se aproximou dela e pediu que ela entrasse no carro. “Eu aceitei, tranquilamente. Quando eu estava dentro do veículo, fui surpreendida com as agressões. Ele me agrediu com a chave de fenda e com socos”, diz Vanessa, que não revidou as agressões. O homem que a agrediu foi pego em flagrante delito, mas liberado na sequência. No Boletim de Ocorrência (B.O) consta que o homem teria cometido uma “agressão leve”. Ele assinou um Termo Circunstanciado (TC) e liberado na sequência.

Segundo ela, o crime teria sido cometido por simplesmente ela ser transexual, ou seja, discriminação e preconceito por parte do agressor. Vanessa também exerce as funções de modelo, blogueira e dançarina. Em seu perfil no Instagram, ela relata as agressões sofridas e pede que a Justiça seja feita. “Até quando vou ter que andar com medo, me sentir desamparada, sem poder confiar na sociedade? Sofri um atentado pela razão da minha existência. Estou sem conseguir dormir direito, pois ainda estou muito abalada por saber que o meu agressor continua solto e impune”, desabafa Vanessa.

No B.O registrado junto à Polícia Civil, através da Delegacia Virtual, a vítima representou criminalmente contra o agressor. “Se eu tivesse agredido ele, com certeza eu teria sido presa pelo fato de ser trans. Já procurei um advogado e quero que a Justiça seja feita. Criciúma é uma cidade repleta de pessoas LGBTI, e essas atitudes de transfobia não podem acontecer”, diz Vanessa.

Ela conta que esse tipo de violência costuma ocorrer mais em grandes metrópoles, mas que isso já está chegando nos municípios do interior. “Criciúma é uma cidade boa de se viver e o povo costuma respeitar a diversidade. Por isso, quando ocorre uma situação de discriminação e até mesmo de agressão e tentativa de homicídio, os responsáveis devem ser punidos na forma da lei”, conclui Vanessa.

O delegado responsável pelo caso, Fernando Possamai conta que o B.O. foi encaminhado para investigação, pois sequer foi identificado o autor do suposto crime. “A vítima precisa também comparecer para formalizar a representação no prazo decadencial de 6 meses, senão será arquivado”, diz Possamai.

Porém, o agressor foi imobilizado e a Polícia Militar colheu os dados do homem no local da ocorrência, assim como confeccionado B.O. pela PM. Mas a Polícia Civil, conforme relatado pelo delegado, ainda não tem conhecimento sobre o nome do autor do crime. “No B.O. encaminhado não aparece o nome de nenhum autor. Vamos contactar a vítima se conhece e se deseja representar”, diz Possamai.

O delegado da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), Fernando Guzzi diz que, embora o caso esteja sob responsabilidade da delegacia daquela área, ele também irá acompanhar o caso.

 

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