Autoridades alertam para o “ciclo da violência” pré-feminicídio

De acordo com a Polícia Civil, os casos de assassinatos de mulheres são resultados de relacionamentos abusivos e intervenção precoce pode evitar mortes

Daniel Búrigo / Arquivo TN

- PUBLICIDADE -

Érik Borges

Criciúma

- PUBLICIDADE -

O crime de feminicídio não começa com a morte da mulher. Essa afirmação é da delegada Patrícia Zimmermann D’ávila, que coordena as Delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) da Polícia Civil. De acordo com a delegada, a maioria absoluta desses casos ocorre quando há uma relação íntima de afeto entre o autor e a vítima. “Normalmente são maridos, companheiros, namorados. Então é necessário que as vítimas tenham atenção redobrada para o “Ciclo da Violência”, alerta Patrícia.

Segundo ela, o crime de feminicídio não começa com a morte da mulher. Ela destaca que normalmente há um crime anterior, seja uma ameaça, uma censura, um empurrão ou até mesmo lesões corporais leves e graves. “Por isso que a mulher, quando percebe essas ocorrências de violência, deve procurar ajuda. Nós discutimos hoje a necessidade de alteração no que diz respeito ao crime de ameaça, que é o primeiro crime que acontece no ciclo de violência”, destaca Patrícia.

O feminicídio mais recente na Região Carbonífera (Amrec) ocorreu em Forquilhinha. Na última sexta-feira, dia 25, Aline Arns, de 38 anos foi morta pelo ex-companheiro, de 40 anos. Esse foi o segundo caso do ano no município em 2020. Uma policial militar (Regiane Miranda) foi morta pelo ex-marido em julho deste ano.

O delegado da Polícia Civil de Forquilhinha, cidade de pouco mais de 20 mil habitantes onde dois feminicídios foram registrados no último ano, Ricardo Kelleter diz que a orientação se dá no sentido de que a mulher vítima de qualquer fato abusivo ou que a constranja precisa comunicar as autoridades.

“A mulher que se sinta vitima de qualquer tipo de violência, seja ela física, psicológica, moral, sexual, que procure uma delegacia de policia para comunicar os fatos para que, dessa forma, sejam tomadas as medidas cabíveis o quanto antes”, relata Kelleter. O delegado lembra que pode ser feito o requerimento de medida protetiva.

Sofrem caladas

A delegada ressalta que muitas mulheres sofrem ameaças e renunciam ao direito de representação contra o agressor na instauração de inquérito policial. “E após essas renúncias, a gente vê acontecer os crimes de feminicídio. Também é muito alto o número de mulheres que sofrem calada a violência dentro de casa e não denunciam seu companheiro e acabam perdendo a própria vida”, diz Patrícia.

Ela destaca a importância da intervenção de vizinhos, parentes e de alguém próximo que tenha conhecimento da violência no sentido de denunciar esses fatos à Polícia Civil para responsabilizar os infratores. “Quando há uma intervenção precoce dos primeiros atos de violência, muito dificilmente esse crime vai migrar para um feminicídio”, lembra Patrícia.

Números alarmantes

Em Santa Catarina, neste ano o número de feminicídios já chega a 56. No ano passado, 58 casos foram registrados. Isso significa que acontece quase um feminicídio por semana no Estado. Menos de 15% das vítimas de feminicídio contavam com medida protetiva. Nos dois últimos anos houve aumento nos índices, visto que em 2018 foram 42 feminicídios.

Em cada dez mulheres atendidas nas delegacias do país, pelo menos três sofrem violência há mais de cinco anos. A Lei do Feminicídio, de 2015, tornou o homicídio de mulheres por motivação de gênero um crime hediondo, com pena de 12 a 30 anos de prisão. A recente mudança na Lei Maria da Penha coloca na prisão quem descumprir as medidas protetivas.

A cada dois segundos uma mulher é vítima de violência no Brasil. A cada duas horas, uma mulher é assassinada no Brasil. Santa Catarina está entre os dez Estados mais violentos contra a mulher no Brasil.

A deputada estadual Ada De Luca destaca duas iniciativas parlamentares que ajudam a defender e proteger as vítimas desses crimes. “Neste ano de 2020, nós propusemos e conseguimos transformar em lei aprovamos dois projetos importantíssimos em defesa da mulher. A Delegacia Virtual da Mulher, que permite o registro das ocorrências pela internet, é uma ferramenta fundamental neste período de pandemia. Também transformamos em lei o programa que reforça as provas periciais em casos de estupro”, pontua Ada.

Denuncie violência contra as mulheres aos canais da Polícia Civil de Santa Catarina:

Delegacia de Polícia Virtual da Mulher: www.pc.sc.gov.br

Número: 181

WhatsApp: (48) 98844-0011

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.