Cresce a participação feminina nos cargos eletivos

Mesmo com números ainda muito inferiores que os dos homens, mulheres vão ganhando espaço nas prefeituras e Câmaras

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Thiago Oliveira
politica@tnsul.com

Criciúma

Os números ainda são pequenos. Dos 27 municípios da região, apenas três deles serão comandados por mulheres. Das 267 cadeiras do Legislativo, somente 41 terão vereadoras. Mas mesmo assim, há um avanço em relação às últimas eleições municipais.

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Em 2016, nenhum município da Região Carbonífera ou do Extremo Sul contava com uma mulher no comando do Executivo. Já na vice-prefeitura, foram três casos: Cocal do Sul, Sombrio e Timbé do Sul.

Já neste ano, foram três mulheres eleitas. Na Região Carbonífera, Dalvania Cardoso (PP) venceu as eleições de Içara, e a dupla formada por Dra. Saionara (MDB) e Soraya (PSD) levou o Executivo de Lauro Müller. No Extremo Sul, a prefeitura ficou com Gislaine Cunha (MDB).

História feita

Dalvania volta a fazer história em Içara. Em 2016, havia se tornado a primeira mulher candidata ao Executivo. E no domingo, foi eleita a primeira prefeita.
“Estou muito feliz, estou muito honrada. A primeira prefeita mulher da nossa cidade. Não sou do centro, não sou de família tradicional, não tenho nenhum político na minha família. Mas honrei cada momento. E cada responsabilidade que me foi atribuída quando me candidatei em 2016. Terminei a eleição. Não prejudiquei a cidade. Não fiz o jogo de gato e rato para tentar incomodar, atrapalhar o governo ou a cidade. Fui plantar um novo projeto. Fui buscar os melhores parceiros. Apresentei o melhor vice. Não serei a prefeita de quem votou em mim. Serei a prefeita de todos. Quero ser uma prefeita muito presente. Sou focada em trabalho. Conheço de administração pública. Conheço o que dá certo e o que não dá certo. Quero contribuir muito com a nossa cidade”, destacou Dalvania, que assumirá o cargo no próximo dia 1º de janeiro.

Lauro Müller também faz história com uma chapa feminina. Saionara Bora e Soraya Librelato formaram uma chapa feminina, mas garantiram que isso não fez diferença na eleição e não fará na maneira de governar. “Para mim e para Soraya, é uma coisa normal. A gente sabe que a sociedade é machista, mas pela nossa construção, ela aproximação com o povo, com a comunidade, eles entenderam que o sexo não faria diferença. O que faz diferença é aquilo que tu és. E o que a gente é? Duas mulheres fortes, guerreiras, honestas, tementes a Deus, família, transparentes e é isso que eles viram. As nossas qualidades”, disse a prefeita eleita.

Aumento no Legislativo

Já nas Câmaras Municipais, também houve um aumento. Se em 2016, foram eleitas 28 mulheres para o Legislativo (uma média pouco maior a uma por município), nestas eleições, o número subiu para 41. A média de 1,51 parlamentares por município ainda é baixa, mas representa uma elevação de 46,5%.

Dos 27 municípios, em 12 deles houve um aumento feminino nas Câmaras de Vereadores. Principalmente na Amrec, onde isso ocorreu em nove cidades: Balneário Rincão, Criciúma, Forquilhinha, Içara, Lauro Müller, Morro da Fumaça, Nova Veneza, Orleans e Siderópolis. Já na Amesc, houve aumento em Araranguá, Maracajá e São João do Sul.

O número permaneceu o mesmo em Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Meleiro, Passo de Torres, Praia Grande, Santa Rosa do Sul, Sombrio, Timbé do Sul, Treviso e Turvo. Já em Ermo, Jacinto Machado, Morro Grande e Urussanga, houve uma redução no número de mulheres nas Câmaras.

Chama a atenção também que em alguns municípios, nenhuma mulher foi eleita nem em 2016 e nem em 2020. Todos no Extremo Sul: Passo de Torres, Santa Rosa do Sul e Sombrio.

Destaques em Criciúma

Na proporção, as melhores médias estão em Morro da Fumaça, São João do Sul, Siderópolis e Timbé do Sul. Em cada uma das Câmaras, das nove cadeiras, três serão ocupadas por mulheres (33,3%).

Em Criciúma, o número proporcional é menor. As três mulheres eleitas correspondem apenas a aproximadamente 17,5% da bancada. Mas chama a atenção a votação delas. Roseli De Lucca (PSDB) e Giovana Mondardo (PCdoB) conquistaram o maior número de sufrágios entre todos os postulantes.

Mais votada em Criciúma, Roseli, que havia sido suplente no último pleito, atribui o resultado do domingo ao trabalho desempenhado, principalmente à frente da Secretaria de Educação. “Eu acho que foi resultado de um trabalho feito anteriormente. Não especificamente na campanha. Como secretária, trabalhamos muito. Muitas pessoas me ajudaram, quiseram estar comigo e foi uma parceria muito boa. Tínhamos uma equipe que acreditava na Roseli De Lucca”, conta. “Antes tínhamos duas mulheres [na Câmara]. Agora vamos ter três. Ainda é pouco, mas é um caminhar. Estamos progredindo. E isso mostra que as pessoas estão votando no candidato, independentemente de ser homem ou mulher, acreditam no trabalho e nas propostas”, completa.

Já Giovana se elegeu em sua primeira participação política. Para ela, o momento reforçou a ideia de representatividade. “O momento que a gente está passando e o fato da gente relembrar que em 95 anos de emancipação, tivemos 15 mulheres vereadoras, e durante essa pandemia, levando em consideração a taxa de desemprego das mulheres, levando em consideração as creches fechadas. Acredito que as mulheres tenham entendido que representatividade é um ponto importante. E mulheres comprometidas com políticas públicas.
Ficar entre as mais votadas teve um significado muito forte, mostrando que a possibilidade de ter potencial, a vontade de estar na política e isso já é muita coisa. Incentiva que mais mulheres entrem na política. Entrei não para fazer a política sozinha, mas para puxar outras mulheres”, afirma.

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