CPI dos respiradores ouve as primeiras testemunhas

Principal oitiva foi com o advogado Leandro Adriano de Barros, que seria a “pessoa de confiança” de Douglas Borba

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Thiago Oliveira
Florianópolis

Teve início, na manhã e tarde de quinta-feira, as primeiras oitivas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), que visa apurar as irregularidades na compra do Governo do Estado de 200 respiradores a R$ 33 milhões, com dispensa de licitação e pagamento antecipado. O primeiro dia de depoimentos foi focado na parte técnica. “O objetivo é entender como era o processo, os trâmites dentro das secretarias para depois aprofundarmos a investigação da compra”, explicou o relator adjunto da CPI, Fabiano da Luz (PT).

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Um dos depoimentos, porém, ganhou atenção especial. Os membros da CPI sabatinaram, por cerca de 1h45min, o advogado Leandro Adriano de Barros, que segundo o Ministério Público (MP), seria a “pessoa de confiança” do ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba, e que teria feito o contato com a ex-servidora de Secretaria de Estado da Saúde (SES), Márcia Geremias Pauli para garantir a idoneidade da Veigamed, empresa responsável pela venda dos respiradores. O MP, inclusive pediu a prisão temporária de Barros, mas que foi negada pelo Tribunal de Justiça.

No depoimento, Barros afirmou que não conhecia a Veigamed até o dia 3 de abril, quando recebeu uma ligação do médico e empresário Fábio Guasti, com quem ele tem contrato de prestação de serviço jurídico para a empresa “Meu Vale”, e que seria o dono da companhia responsável pela aquisição dos respiradores. “No dia 3, o seu Fábio me ligou um pouco preocupado, nervoso, que em Santa Catarina estavam falando mal do grupo dele. E me pede para fazer contato com representantes do Estado, avisando para ficarem tranquilos que ele iria cumprir o contrato. Até então, eu nem sabia o que era a Veigamed”, afirmou.

Segundo Barros, ele enviou uma mensagem por WhatsApp para a servidora exonerada da SES, garantindo a chegada dos equipamentos. O advogado, então, foi questionado, se ele estaria induzindo Márcia a “ficar tranquila”, sem nem ao menos conhecer a empresa vendedora, ele garantiu que “ele [Guasti] tinha estrutura financeira para cumprir esse contrato, independente da Veigamed ser fantasma ou não. Eu conheço dele, acreditei ser verdadeira a afirmação que a empresa seria dele. Se é crime eu receber informação do meu cliente para tentar dizer ao Estado de Santa Catarina que ele cumprirá o contrato não é crime nenhuma”, completou.

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