Venezuelanos pedem esmola nas sinaleiras em Criciúma

Fabiana Olivares, está há quatro dias na cidade à procura de emprego, enquanto passa os dias na sinaleira com o filho

Fabiana está há quatro dias em Criciúma com o filho de cinco anos (Foto: Guilherme Cordeiro/TN)
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Desde 2017, milhares de venezuelanos iniciaram um fluxo migratório ao Brasil, fugindo das dificuldades enfrentadas no país natal. Chegando a Manaus, capital do Amazonas, conheceram os problemas brasileiros, em uma das metrópoles mais violentas do mundo: muitos permaneceram em situação de vulnerabilidade, pedindo dinheiro nas ruas. Iniciou-se então a migração de refugiados ao interior brasileiro e muitos chegaram a Criciúma.

Há quatro dias, Fabiana Olivares, 29 anos, é uma das venezuelanas em Criciúma, distante 6,2 mil quilômetros da sua cidade, Tucupita, no nordeste da Venezuela, onde ainda estão seus pais. Ela morou dois anos em Manaus, antes que o desemprego a fizesse, por meio de caronas, chegar ao Sul Catarinense com o filho de cinco anos.

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Desemprego

Fabiana mora com o filho na casa de um amigo venezuelano. Seus outros três filhos foram morar com uma tia no Paraná. Sem emprego, a solução paliativa foi pedir dinheiro nas esquinas em Criciúma, portando um cartaz que explica a situação de estrangeira sem emprego.

“Está ruim a situação na Venezuela, não tem nada, comida, educação, medicamento, trabalho, nada. Está pobre. Estava assim há dois anos e agora está pior”, lamentou.

Porém, a realidade em Manaus não foi tão diferente assim. “A coisa estava apertada, não consegui trabalho e decidi vir para Santa Catarina”, completou Fabiana; ela espera uma oportunidade de emprego para se consolidar em Criciúma.
“Aqui está bom, não sei dizer se é o melhor, porque estou só há quatro dias aqui, estou buscando outra oportunidade e uma igreja, um pastor, vai me ajudar a conseguir um emprego”, conta.

Na Venezuela, ela vendia hambúrguer. Em Manaus, também atuou como vendedora de alimentos, até ficar desempregada. “Quero conseguir uma casa para meus filhos e não ficar na rua. Eu sei cozinhar, trabalhava cozinhando, sei limpar, de tudo um pouco”, conclui a venezuelana.

De acordo com o voluntário Almir Fernandes, presidente da Cruz Vermelha, nos últimos meses tem aumentado o número de venezuelanos em Criciúma, assim como haitianos e ganeses.

“A gente atendeu na pandemia várias situações de haitianos e venezuelanos, algumas associações do pessoal de fora. Na região da Quarta Linha e Pinheirinho tem um grupo grande. Por várias vezes na pandemia eles nos procuraram, líderes de famílias que moram em repúblicas espalhadas pela cidade”, aponta Almir.

Assistência Social

A secretaria de Assistência Social de Criciúma mantém os atendimentos nos Cras, centro Pop e casas de passagens. De acordo com a titular da pasta, Patrícia Vedana, não há um levantamento oficial de quantos venezuelanos residem atualmente no município.

“São atendidos como qualquer outra pessoa e encaminhadas aos equipamentos de assistência. Não tem um diagnóstico específico de quanto temos na cidade não há, porque esse número varia bastante”, aponta Patrícia.

Programa de interiorização de imigrantes

O Amazonas é um dos dois estados brasileiros a fazerem fronteira com a Venezuela, junto com Roraima.

Segundo levantamento da Agência da ONU para refugiados, há cerca de 225 mil venezuelanos vivendo no Brasil: quase 20 mil ainda estão em Manaus, onde o poder público não dá conta de atendê-los.

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