Criciúma: Unidade de saúde sem cadeira de rodas

Inaugurado em janeiro, e localizado na região central de Criciúma, posto não oferece um equipamento considerado básico para os pacientes

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Tiago Monte

Criciúma

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João José de Oliveira tem 63 anos e é vítima de dois Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC). Ele tem dificuldade de locomoção, pois um lado do corpo está praticamente paralisado, devido ao problema. Na tarde da última sexta-feira, dia 15, por volta das 15h30min, João precisou de atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) da rua João Pessoa, na região central de Criciúma. A responsável pelo transporte foi a esposa dele: Sandra Zapelini, com o auxílio de um cuidador particular.

A surpresa aconteceu na chegada à UBS: não havia uma cadeira de rodas disponível para o transporte do homem do carro até o local de espera para a consulta. “O certo era chamar uma ambulância, mas tive tanta dificuldade, sempre que precisei, que prefiro evitar e transporto ele de carro. Ao chegar, pedi uma cadeira de rodas para transportá-lo, mas uma das moças, que trabalha no posto, me olhou com ar de surpresa, como se eu tivesse pedindo algo de outro mundo, e me disse: ‘cadeira de rodas’? E eu: ‘Sim, preciso transportar um paciente acamado’. Então, ela me disse: nós não temos cadeira de rodas. Como assim, um posto recém inaugurado não tem uma cadeira de rodas?”, questiona Sandra.

Porém, o pior ainda estava por vir: a mulher precisou transportar o marido em uma cadeira de escritório. Simples. Sem apoio para os braços. “Era o que tinha. Daí, tu imaginas: atravessar a calçada, com uma pessoa de 80 quilos, com um dos lados paralisados, em uma cadeira de escritório? Eu tenho um cuidador que me ajuda, mas, mesmo assim, é muito complicado. Ele não se equilibrava, ficava caindo para os lados”, lamenta a esposa.

Consultório no segundo andar

Além da dificuldade do transporte, Sandra se deparou com outro problema: o consultório médico ficava no segundo andar.“Eu pergunto: porque não fazem no térreo? Tudo bem que tem elevador, mas não tem uma rampa pra subir. Onde fica a acessibilidade em um prédio que foi recém inaugurado?”, pergunta, novamente, Sandra.

De acordo com a esposa, não houve uma explicação plausível por conta das funcionárias da UBS. “Não tinha muita gente aguardando consulta, então, resolvi falar com a enfermeira-chefe para ver se ela resolvia. Chamei ela e expliquei o caso. Ela me disse: ‘como assim não tem cadeira de rodas’? Uma outra colega dela respondeu: não tem. E assim ficamos”, destaca a esposa.

Após esse contato, nenhuma outra explicação foi dada. “A enfermeira-chefe entrou para a sala dela e não me falou mais nada. Nenhuma explicação. Eu fiquei aguardando, passamos pela consulta, saímos e ela lá: trancada na sala dela”, enfatiza Sandra.

Sentimento de humilhação

A esposa de João faz uma ressalva: quando necessitou do Hospital São José, foi muito bem atendida, porém, na UBS a situação muda. “É uma afronta, a gente passar por isso. Pagamos muitos impostos para ter essa humilhação. Foi a primeira vez que meu marido usou o SUS e a experiência é essa. No Hospital São José, não. Lá foi primeiro mundo, mas atravessando a rua, no posto, e agora ali no Centro mesmo, muda tudo. É horrível”, ressalta.

Sandra destaca que pediu explicações e nada foi dito. “Eu não me exaltei. Nada. Apenas conversei e pedi explicação. Ninguém me disse nada. Isso que eu tenho instrução e discernimento. Imagina se fosse uma pessoa com menos conhecimento?”, finaliza, com o questionamento, a esposa.

Desconhecimento por parte da prefeitura

Questionado sobre o fato, o Secretário Municipal de Saúde, Acélio Casagrande, diz desconhecer a situação. “Não estou sabendo disso. Vou verificar amanhã(hoje), logo cedo, o que aconteceu, porque tem cadeira de rodas, sim. Vamos apurar para ver o que aconteceu”, comenta Acélio.

Quanto à acessibilidade, Acélio garante o funcionamento do elevador e ainda diz ter uma parte com rampa no prédio.

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