Uma luz no fim do túnel: vacinas podem ser aplicadas em janeiro no país

Governo Federal atua em três frentes, enquanto Estado de SP encabeça a produção nacional; Fecam encaminha intenção de compra com o Instituto Butantan

Primeiras doses devem ir a grupo de risco (Foto: Divulgação)

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O Reino Unido aplicou ontem a dose de vacina contra a Covid-19 em uma idosa de 90 anos. É a primeira pessoa no mundo a receber o imunizante fora dos circuitos de testes, um marco histórico contra o vírus que assola o mundo desde o começo de 2020. No Brasil, à parte a queda de braço política entre o Governo Federal e do Estado de São Paulo, a vacinação pode chegar já no começo do ano que vem para os grupos de risco.

Em Santa Catarina, a Federação Catarinense dos Municípios (Fecam) deve oficializar nesta quinta-feira, 10, o protocolo de intenção de compra junto ao governo de São Paulo e o Instituto Butantan da chamada Coronavac, produzida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

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A Amrec acompanha esse processo de intenção da Fecam junto ao Estado de São Paulo. De acordo com o diretor executivo, Lei Alexandre, a região será representada pelo presidente da Associação, o prefeito de Cocal do Sul Ademir Magagnin, durante a visita da Federação ao governo paulista, na qual será assinada a intenção de compra das doses na quinta-feira.

“A região está representada nesse encontro em São Paulo para apoiar essa intenção da Fecam. O governo de Santa Catarina definiu que vai esperar o governo federal. A gente está desenvolvendo um processo para quando vier a discussão à tona”, disse Alexandre.

A expectativa do médico intensivista Felipe Dal Pizzol, coordenador do Centro de Pesquisas do Hospital São José, de Criciúma, é de que as vacinas podem chegar na região no mesmo período em que começarem as aplicações no país.

Apesar das informações muitas vezes desencontradas ou falhas do Governo Federal, Dal Pizzol cita algumas frentes abertas pelo Brasil na busca pelas vacinas: a de Oxford, da Pfizer e a adesão ao consórcio da Organização Mundial da Saúde (OMS), do qual o país pode adquirir doses para 10% da população.

Trata-se da principal possibilidade de vacinação para o país, de acordo com Dal Pizzol. Pesa a favor da Coronavac, segundo o médico, o fato dela ser a única produzida em território nacional, facilitando a logística.

Ainda segundo Dal Pizzol, a tecnologia aplicada na Coronavac é semelhante a todas as outras vacinas aplicadas em território nacional: ela usa um atenuante do vírus, enquanto a da Pfizer, da qual o Governo Federal sinalizou para a compra de 70 milhões de doses, usa o método inovador de RNA e precisa ser transportada a uma temperatura de -70°C.

Dal Pizzol é otimista em relação à análise inicial para o começo da vacinação do grupo de risco no país. O médico considera a possibilidade de doses serem aplicadas, inclusive em Criciúma, quando pode chegar no fim do mês ou começo de fevereiro.

Em São Paulo, o governo estadual pretende dar início ao calendário de vacinação no dia 25 de janeiro, enquanto o Ministério Federal ainda não apresentou datas oficiais – o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, quer iniciar ainda em fevereiro.

“A gente sempre falava no primeiro trimestre do ano que vem, eu imaginava mais próximo de março, mas talvez cheguemos ao meio termo de no fim de janeiro e começo de fevereiro começar a vacinar a população de mais risco no Brasil”, aponta.

É nesse cenário que a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantatan em parceria com a Sinovac, desponta como a principal alternativa no país. “Por ter tecnologia de distribuição parecida com as outras e acredito que terá um bom senso entre os governos e essa questão política ficará em segundo plano”, opina Dal Pizzol.

No entanto, há a possibilidade de diversificação das doses de vacinação. Dal Pizzol aponta que o governo possivelmente não conseguirá comprar todas as doses necessárias de um único fornecedor. Assim, a vacina da Pfizer também poderá ser aplicada no Brasil – o Governo Federal mostra-se confiante na aquisição das 70 milhões de doses para o começo do ano que vem.

“Como ela é (injeção de) RNA, tem que ter -70°C para armazenar e transportar. Está sendo difícil a logística na Inglaterra, eles estão centralizando em hospitais. A estratégia (de compra) é válida. Possivelmente terá a preferência para ser aplicada em grandes centros, cidades com capacidade de logística que tenham condições de armazená-las”, pontua o médico.

Apenas a vacina da Pfizer já foi aplicada fora do circuito de testes. A principal aposta do Governo Federal é a de Oxford, com a compra de 100 milhões de doses – 30 milhões até o fim de fevereiro e outros 70 milhões até junho: cada pessoa recebe duas doses. Ontem, ela teve um estudo prévio publicado na revista Lancet, cuja eficácia apontou para 70% – ou seja, a cada 10 pessoas que recebem as doses, sete são imunizadas de fato.

Uma vez concluída a fase de testes e com publicação de aprovação, essas vacinas precisam ainda ser regulamentadas pela Anvisa. Dal Pizzol opina que este processo poderá ser acelerado, assim como foi feito no Reino Unido na aplicação da vacina Pfizer e deverá ser feito ainda nesta semana nos Estados Unidos.

“Acredita-se que assim como na Inglaterra, dê-se uma autorização emergencial com base nos resultados preliminares, para dar uma licença permanente assim que os estudos terminarem globalmente”, afirma.

Por ser um país continental e cujas campanhas de vacinação são, em via de regra, conduzidas pelo Governo Federal, o Brasil possui uma rede logística referência mundial. Os passos vacilantes no Palácio do Planalto, no entanto, abriu precedente para algo inédito no país: a campanha estadual encabeçada pelo Estado de São Paulo.

Há a possibilidade, inclusive, de um consórcio entre estados, enquanto entidades e governos estaduais tratam diretamente com São Paulo e o Instituto Butantan para adquirir doses, como o caso da Fecam.

Dal Pizzol aponta que, uma vez as primeiras doses sendo aplicadas em território nacional, as vacinas devem chegar homogeneamente às regiões: “Acredito que chegue igual aos outros se for a vacina tipo a Coronavac, que estamos acostumados a lidar. Acho que se for coisa do Governo Federal, vai capilarizar rápido, não com muitas doses, mas proporcional”, avalia o médico.

O Instituto Butantan coloca à disposição a distribuição de 46 milhões de doses da Coronavac até a segunda quinzena de janeiro. Nesta quinta-feira, 10, a Fecam deve assinar o protocolo de compra para os municípios catarinenses. O ato será às 14h em São Paulo. A expectativa da Federação é iniciar as vacinações no primeiro semestre, sem precisar a data – em São Paulo, será no dia 25 de janeiro.

Ainda sem definição do número de doses a ser adquirido, o custo unitário é de R$ 30 – para cada pessoa são necessárias duas aplicações.

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