Trombofilia: mãe supera desafios da doença na gestação

Jéssica Firmino Camilo, de 29 anos, teve bebê arco-íris depois de dois meses de tratamento

Foto: Daiane Firmino Fotografias
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Forquilhinha

Ter um filho, ser mãe e constituir uma família é o sonho de muitas mulheres. Mas, ao longo dessa caminhada, podem surgir algumas dificuldades relacionadas à gravidez. Uma das condições que podem afetar esse processo é a trombofilia, doença caracterizada pela coagulação do sangue e por atingir a reprodução feminina, impossibilitando a concepção e causando abortos repetidamente. Além de prejudicar a saúde física, a condição também abala o sistema psicológico. 

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A fotógrafa Jéssica Firmino Camilo, de 29 anos, natural de Criciúma e residente em Forquilhinha passou por esse processo traumático. Ela e o esposo, Lucas Pereira, no mês de outubro de 2018 receberam uma notícia inesperada e feliz que contagiou toda a família. “Descobrimos que iríamos ser papais. Não era um bebê programado, mas já tínhamos tanto amor por ele, que vivíamos o sonho de ser mamãe e papai. Contamos para família e foi só alegria”, relata. 

Embora o sonho tenha vindo como uma surpresa, uma notícia triste ‘do dia para a noite’ atingiu a família, principalmente a mãe. “A alegria durou pouco tempo. Em um domingo à tarde fomos tomar um cafezinho e alimentar nosso bebê que ainda estava no ventre. Nesse exato dia, iniciou o nosso pesadelo. Na cafeteria já vi que havia algo errado, um sangramento. Foram mais de cinco vezes ao médico e com oito semanas de gestação, o diagnóstico: havia perdido o bebê. Durou tão pouco, mas foi tão amado, que nos despertou a vontade de sermos papais novamente”, conta a fotógrafa. 

Entre abortos espontâneos e retidos, o da Jéssica foi retido. Com isso, a mãe precisou ir à maternidade para realizar a curetagem – procedimento que retira os restos placentários de um aborto. “O mais triste é estar com todas as mamães gravidinhas e trazendo seus filhinhos, enquanto você aguarda para o seu filho ser retirado do útero. Você sai da maternidade sem um filho. Nesse momento você sente muita dor psicológica, porque a física você nem liga mais”, desabafa. 

Questionamentos

Neste momento, muitos questionamentos surgem. “Você acha que nunca vai ser mãe e se pergunta ‘por que tudo isso aconteceu? por que comigo?’. Os médicos falam que é comum a perda gestacional, mas o comum para mim seria ter o meu bebê no meu colo”, comenta Jéssica. Depois desse momento, a fotográfa resolvou por conta própria pesquisar o que poderiam ser as causas para o aborto que teve. “Me tornei um expert em gestação de tanto que li artigos. Diante disso, eu desconfiava que seria a trombofilia, depois de passar por seis ginecologistas, consegui os exames e descobri que era a doença”, explica. 

Doença hereditária e adquirida

A trombofilia pode ser dividida em dois tipos: a hereditária e a adquirida. Na primeira, os pacientes herdam uma alteração no sistema sanguíneo que promove a anticoagulação do sangue. Já na trombofilia adquirida, a produção de anticorpos age contra o próprio organismo. O risco da doença aumenta quando é associada a outros fatores como a gestação, excesso de peso, doenças oncológicos, entre outros. 

“A gente só consegue, normalmente, descobrir uma trombofilia quando acontece alguma complicação. Muitas pessoas são portadoras dessa alteração genética ou nas trombofilias adquiridas, e não vão provocar nenhum alteração. Mas, algumas mulheres desenvolvem quadros de alterações obstetras e acabamos fazendo o diagnóstico”, explica o ginecologista especialista em reprodução humana, Vilson Luiz Maciel. 

O diagnóstico, conforme o profissional, pode ser realizado através de exames de sangue. “Existem exames específico, tanto para as trombofilias hereditárias como as adquiridas. Quem geralmente pede para realização desses exames são especialistas em reprodução humana, que estão acostumados com esse tipo de alteração”, acrescenta. 

Tratamento através de injeções

O tratamento através das injeções de enoxaparina e as iniciativas para uma nova gestação iniciaram em dezembro de 2019, porém, não tiveram sucesso de imediato. “Eu não tinha medo das injeções, tinha medo de perder o bebê novamente. Confesso que a primeira doeu muito, mas eu seria forte”, enfatiza Jéssica.  

O tratamento da trombofilia nem sempre evita uma nova perda, então, nada é garantido. “No segundo mês de tentativas, fiz teste sete dias antes do atraso. Mas agora veio um belo positivo, mas a comemoração não foi igual, pois junto estava com medo de perder novamente”, conta a mãe. 

Jéssica ainda relembra que a maior emoção foi o primeiro ultrassom. “Sabíamos que se escutássemos seu coração havia chance da gestação progredir. E se não ouvíssemos, era porque havia perdido novamente. Lembro que o Lucas não entendia muito, mas a primeira pergunta para o médico foi: ‘cadê os batimentos do bebê?’ e ele colocou. E assim escutamos a batida mais linda. Minha mãe estava junto e chorou, foi tão emocionante. Nossa gestação foi assim, comemoramos todos os dias”, complementa. A partir daí, a cada mês e ultrassom, um motivo de alegria. “O medo de perder só passou no dia do parto”, acrescenta a mãe. 

Depois de passar por todas essas inseguranças, no dia 10 de setembro de 2020, veio ao mundo o bebê arco-íris de Jéssica e Lucas. “Agora, nosso milagre tem nome e se chama Leonardo. Bebê arco-íris é uma bela forma de definir esses bebês tão especiais. São crianças que nascem de uma mãe que sofreu anteriormente um aborto espontâneo ou que teve um filho morto prematuramente. E, assim como um arco-íris, eles são aquela luz colorida de esperança após uma cinzenta tempestade”, finaliza a mãe. 

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