Sementes chinesas ilegais chegam a Criciúma

Prática tem sido corriqueira: em compra de produto chinês, sementes vêm como “brinde”. Plantio pode acarretar em prejuízos ao meio-ambiente e agricultura

Sementes recolhidas pela Cidasc (Foto: Divulgação/Cidasc)
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Em fevereiro deste ano, Dikson Teixeira, proprietário de uma oficia em Criciúma, comprou ferramentas em um site que importa produtos chineses. Em julho, recebeu como surpresa, em meio a uma bolsa com alguns dos objetos comprados, algumas sementes supostamente de uma fruta semelhante a uma bergamota, mas com aparência também de maracujá e laranja, de acordo com a foto que as acompanhava.

A prática das empresas que vendem produtos diversos chineses, de enviar aos compradores algumas sementes como “brindes”, tem acontecido em todo o mundo. Trata-se de uma ilegalidade, pois a planta de sementes exóticas pode desequilibrar o ecossistema e inclusive acarretar em prejuízos para a agropecuária regional.

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Cidasc em alerta

O primeiro caso de sementes ilegais vindas da China registrado em Santa Catarina foi em Jaraguá do Sul, o que acendeu o alertar na Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), órgão responsável pela defesa sanitária vegetal no Estado. Na terça-feira, a regional de Criciúma teve as primeiras notificações no Sul catarinense.

Além de Dikson, houve mais três registros de sementes importadas sem licença na região: um outro como “brinde” em uma compra de produtos variados e dois casos em que a compra foi diretamente das sementes, no desconhecimento das licenças que precisam ser obtidas para esse tipo de importação.

Prática corriqueira

O envio de presentes pelas importadoras de produtos chineses não é novidade para Dikson. O mecânico disse que é a segunda vez que aconteceu com ele, mas pela primeira vez com mudas para plantio.

“A gente não trabalha com plantio e não entende nada disso. Eu tenho uma horta, até achei uma coisa normal o envio dessas sementes. Tipo um presente. Nesse meio tempo, outra empresa me mandou um relógio de brinde com a compra que eu tinha efetuado”, conta.

Junto com as sementes vieram instruções em inglês para o plantio, além de fotos do fruto que supostamente seriam semeados. O mecânico diz que quando as recebeu, guardou-as no refrigerador, de acordo com as instruções. Foi só neste mês, quando ouviu na rádio sobre o assunto, que percebeu os problemas que poderia acarretar um eventual plantio das sementes exóticas.

“Se é um cara que é do meio ou tem algum parente no meio, tu sabe que não poderias. Hoje eu sei, depois dessa reportagem, que tu não pode receber uma coisa dessas”, afirma. Assim que ouviu a matéria no rádio, contatou a Cidasc e irá entregar as sementes para o órgão sanitário.

Plantas exóticas podem criar infestações e aumentar uso de herbicidas na agricultura

O engenheiro agrônomo da Cidasc de Criciúma e responsável pela Área de Agricultura da regional, Daniel Moritz, explica os riscos que uma espécie vegetal estranha pode acarretar ao ecossistema local, com possível prejuízo ao setor agropecuário.

“O risco é que a semente pode ser de uma espécie daninha, que não temos no nosso país. Pode trazer algum patógeno, alguma doença, fungo ou até um vírus”, afirma. Pode-se, assim, introduzir-se uma espécie invasora ou até uma praga na região. “Pode ser um enorme prejuízo fitossanitário ao nosso país. O custo com herbicidas para controlar essa espécie, se for invasora, pode ser bem grande e talvez até não haja um controle. A gente trabalha com os princípios da precaução e prevenção”, acrescenta.

As sementes são recolhidas pela Cidasc, mediante visita às propriedades ou solicitação para que os receptores encaminhem-nas até o órgão. Posteriormente, elas são encaminhadas para o Ministério da Agricultura, que faz a identificação da espécie. “Nós tentamos rastrear se tem doença ou praga, de onde veio e se for o caso até punir o remetente na China, porque para entrar no país precisa ter autorização do Ministério”, detalha Moritz.

Denuncie

O engenheiro agrônomo explica que o trânsito internacional de mudas e sementes é fiscalizado pelo Ministério da Agricultura. Para entrar no país precisa de autorização do governo federal e a pessoa que importa precisa ir atrás da liberação.

“Muitas vezes o pessoal viaja para outros estados e traz alguma semente importada. Agora esse caso negativo da China tem sido uma oportunidade para o pessoal saber que tem essas restrições e os riscos de trazer sementes de fora que podem trazer problemas incalculáveis para o nosso território”, conclui Moritz.

Caso o cliente recebe essas sementes, deve entrar em contato com a Cidasc pelo telefone 0800 644 6510 ou pelo Whatsapp (48) 3665-7300.

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