Primavera deve ser marcada por temperaturas mais quentes e menos chuvas

Estação começa nesta terça-feira ainda com resquícios do inverno, mas situação deve mudar logo nos primeiros dias. Região sentirá os impactos do fenômeno La Niña

Foto: Guilherme Cordeiro / TN
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Gustavo Milioli

Criciúma

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Começa às 10h31 de hoje, oficialmente, a primavera de 2020. A estação neste ano será atípica, com menos chuvas e mais dias quentes em comparação ao mesmo período em anos anteriores. No ciclo, os dias e as noites têm a mesma duração de horas, pois os dois hemisférios da Terra encontram-se igualmente iluminados pelo sol. Depois disso, os dias começam a ser mais longos do que as noites. A estação segue até o dia 21 de dezembro, quando dá lugar à chegada do verão.

Segundo previsões da Epagri/Ciram, a mudança climática deve começar a acontecer a partir de amanhã. A máxima em Criciúma chegará aos 27º C, demonstrando a tônica de como será essa primavera. Conhecida por ser um dos períodos mais chuvosos do ano, desta vez a estação será diferente. A tendência é de chuva a abaixo da média climatológica para o trimestre (setembro-outubro-novembro) em Santa Catarina. Nesses meses, a chuva deve ocorrer com irregularidade no tempo e no espaço, com possibilidade de dias consecutivos sem precipitação, devido à configuração do fenômeno La Niña.

O acontecimento climático influenciará diretamente na formação de menos chuva na região Sul do Brasil ao provocar uma mudança na dinâmica dos ventos e, consequentemente, no transporte de umidade. O sinal estará amarelo para a estiagem no Estado por conta das chuvas abaixo da média. Desde o começo de setembro de 2020, as águas do oceano Pacífico Equatorial Leste estão com temperatura abaixo da média. É este resfriamento que caracteriza o fenômeno oceânico-atmosférico La Niña que, como o El Niño (aquecimento acima do normal do Pacífico Equatorial Leste), modifica o padrão de chuva e de temperatura em diversas regiões do planeta. A diminuição da chuva no Sul do país é uma das suas principais características, bem como o aumento da precipitação nas regiões Norte e Nordeste.

Cuidados para as culturas da estação

Os agricultores deverão se manter atentos devido aos períodos de seca nos próximos meses, principalmente aqueles que trabalham com grãos, como o arroz e o milho. Em setembro, entretanto, a chuva já pode ser considerada dentro da normalidade, o que ameniza o quadro. “Até o momento, a maioria das culturas sofreram mais com o frio do que com a falta de água. A partir de agora há uma tendência de chuva abaixo da média. Com isso entra a importância de os agricultores trabalharem a reservação de água nas propriedades rurais” destaca Edson Teixeira, engenheiro agrônomo e gerente regional da Epagri.

Além dos grãos, frutas como banana, maracujá, uva, pêssego e nectarina também são tipicamente desta época. Neste caso, estiagem não irá afetar tanto, porque ela aumenta a concentração de açúcar nas frutas, possibilitando uma planta mais sadia e doce.

Balanço do inverno

A estação mais fria do ano foi considerada proveitosa no Sul catarinense pelos meteorologistas, ao menos, no quesito temperaturas. “Foi um inverno bom, porque para a fruta o que importa é a qualidade do frio. Podemos dizer que foi muito melhor do que os três últimos”, comenta o especialista Ronaldo Coutinho. Em Santa Catarina, dá para se dizer que o frio ficou acima da média. A temperatura mais baixa foi de -10º C, na Serra.

Projeção para o verão

As influências do La Niña não se restringem à primavera. Os impactos serão sentidos também durante o verão, que promete não ser tão rigoroso nesta temporada. “Vai ser parecido com o do ano passado. Mais para seco, com mais dias agradáveis, sendo de normal para frio. Serão mais dias confortáveis, com picos de calor intenso ao longo da estação. A grande característica do La Niña são os extremos”, sublinha Coutinho. “Em Criciúma, com certeza em um, dois ou três dias a máxima irá passar dos 40º C”, conclui o meteorologista.

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