Os reflexos da pandemia na rotina das crianças

Comportamentos psicológicos e alimentares devem ser notados pelos pais com maior atenção durante esse período

Foto: Arquivo/TN
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Criciúma

Com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) vieram novos desafios para as famílias no que envolve o comportamento alimentar e psicológico das crianças. Com isso, há a necessidade de acompanhar de perto, junto de profissionais, alguns sinais que podem ser alertas para transtornos adquiridos durante esse período totalmente atípico.

Foto: Ésdra Alves
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De acordo com a nutricionista Monique Menezes, nunca se prestou tanta atenção no comportamento alimentar das crianças, como agora. “Afinal é através da alimentação, prática de atividade física e qualidade do sono, que conseguimos fortalecer nosso sistema imune, prevenir o ganho de peso e ter equilíbrio emocional. A maior preocupação dos pais, com o isolamento social é o estresse, tédio, medo e ansiedade, sentimentos bastante comuns quando estamos sem rotina e que influenciam diretamente nos hábitos alimentares”, explica.

Desta forma, cria-se uma relação entre os transtornos psicológicos e alimentares e como eles podem afetar os pequenos. “As crianças do “dia para a noite” perderam o contato físico com os amigos da escola, familiares, passeios, muitas não conseguem expressar seus sentimentos e acabam por descontar na alimentação, comendo uma grande quantidade de alimentos com baixa densidade nutricional, sem conseguir preencher o vazio dito como “fome”, acrescenta a nutricionista.

Ainda conforme a profissional, com uma rotina bagunçada e a sobrecarga de trabalho dos pais, as crianças estão mais vulneráveis ao quadro de isolamento. “Para compensar o tédio, o uso das telas se prolongou. Com as aulas virtuais, muitos pais se dizem sem argumentos quando o filho pede para ficar um pouco mais jogando, alguns chegam a relatar sobre não saber em qual horário o filho dorme, por não ter que acordar cedo no outro dia, acabam cedendo e estendendo o horário estabelecido”, complementa.

Mundo virtual afeta a alimentação

Esse fator acaba implicado em uma desordem, onde a criança passa mais tempo sentada vivendo no “mundo virtual”. “O sedentarismo reduz o gasto energético, contribuindo para o ganho de peso. A criança acaba sentindo mais desejo de comer alimentos com realçante de sabor, açúcar e corantes, por estarem em um ciclo vicioso, onde comem muito por estarem engordando. Com a privação do sono, os sinais de fome e saciedade também são afetados, aumentando as chances de má absorção, comprometimento da função intestinal, concentração, humor, controle emocional, e o acúmulo de gordura. Posso afirmar que, uma rotina diária positiva muda significativamente os quadros de estresse, ansiedade, e consequentemente a redução da gordura corporal”, enfatiza a nutricionista.

A nutricionista reforça a importância dos integrantes da família serem exemplos para os pequenos.  “Nós somos os espelhos para nossos filhos, o comportamento familiar reflete nas escolhas e preferências das crianças”, finaliza Monique.

DICAS PARA CRIAR UMA RELAÇÃO AFETIVA COM AS REFEIÇÕES:

  • Ter horário para as refeições;
  • Trazer a criança para a cozinha, fazer um bolo, pizzas caseiras, vale até um hambúrguer com batatinha assadas;
  • Não pular as refeições, principalmente café da manhã, almoço e jantar;
  • Não usar das recompensas, a partir do momento que a criança entende que a hora da refeição é uma hora de trocas ela começa a comer de forma equivocada;
  • Aproveitar o momento para reunir a família e criar memórias afetivas em torno da mesa.

Transtornos psicológicos

Foto: Arquivo Pessoal

Erica Ramos Teixeira, psicóloga especialista em saúde emocional infanto-juvenil relata que os transtornos mais atendidos durante a pandemia são o de humor depressivo e ansiedade. “Se formos ver a história de vida e o que já vinha sendo apresentado ao decorrer dos anos, são crianças e adolescentes que já davam sinais, mas, na nossa cultura, infelizmente, não temos esse olhar para eles, achamos que tudo é fase e vai passar. Porém, agora intensificou e todas essas características e situações estão mais aparentes, estamos tendo mais contatos com isso atualmente, porque a nossa rotina mudou”, conta.

Desta forma, para amenizar os impactos causados por esse momento é necessário readequar a rotina e encontrar maneiras de aproximar os familiares. “Hoje não temos como suprir a falta do “antigo normal”, porque ela vai estar ali. O que podemos fazer é nos readaptar, ver o que temos de melhor quanto ao cuidado familiar, o que a família gosta de fazer, o que a criança ou o adolescente gosta de fazer. É perceber a individualidade de cada família”, explica Erica.

A psicóloga ainda ressalta a importância de haver um acompanhamento multidisciplinar para desenvolver, futuramente, adultos saudáveis, que sabem seus limites, se conhecem e percebem situações que causam desconfortos.  “É muito importante que a criança e o adolescente sejam vistos na nossa sociedade, agora estamos tendo uma conscientização maior sobre isso, encaminhamentos médicos, escolares, os próprios pais que conseguem perceber que alguma situação afetou a criança e ela não está bem. Então é procurar ajuda profissional, médico, pediatra, psicológico, e aí cada caso será analisado, isso tudo sendo conversado com os pais”, finaliza.

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