No Sul catarinense não há vagas de UTI pelo SUS para Covid-19

Leitos estavam todos ocupados ontem nos seis hospitais da região e capacidade de ampliação vai se esgotando

Foto: Guilherme Cordeiro/ Arquivo TN
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Os hospitais do Sul catarinense operam com lotação máxima dos leitos dos de UTI destinado à Covid-19 pelo SUS. Ao todo, são 98 pessoas nas vagas de terapia intensiva. Desde o começo de novembro, iniciou-se a curva ascendente do número de internações em Criciúma e região: ontem foi o dia com mais pacientes nos hospitais das redes pública e privada do município: 189, entre clínica e UTI – sendo o recorde também de internações na terapia intensiva: 56.

Novembro também foi um mês de aumento do número de óbitos por Covid-19 em Criciúma: de acordo com os boletins epidemiológicos divulgados pela prefeitura, foram 20 mortes pelo coronavírus, média de uma morte a cada 1,5 dias. Apenas ontem, quatro óbitos foram registrados no município; em outubro, foram 14 óbitos, média de uma morte a cada 2,2 dias.

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Sem vagas

Os seis hospitais com leitos de UTI pelo SUS contra a Covid-19 no Sul Catarinense estavam com a ocupação total pelo levantamento feito pela reportagem.

O doutor Raphael Elias Farias, diretor técnico do Hospital São José (HSJ), confirmou 33 internações nos leitos de SUS do UTI. No São Donato, em Içara, o boletim divulgado pela assessoria de comunicação indicava 100% de ocupação dos 10 leitos.

Na Amurel, a regional de Saúde confirmou 10 leitos ocupados nos hospitais em Laguna e Imbituba, e a assessoria de comunicação do Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, disse que há ocupação total dos 15 leitos disponíveis pelo SUS.

O mesmo foi dito pela assessoria do Hospital Regional de Araranguá, na Amesc: lotação total dos 20 leitos de UTI.

Capacidade de ampliação de leitos limitada na região

rmantes de contaminações, internações e óbitos reforçou o alerta no poder municipal e estadual. O governador Carlos Moisés anunciou o repasse de R$ 44 milhões no combate à pandemia e prometeu a reabertura de 205 leitos de UTI no Estado.

No entanto, a região está com a capacidade hospitalar praticamente no máximo. O HJS, unidade com maior número de leitos no Sul catarinense, espera habilitar mais duas vagas e atingir o limite de atendimento, de acordo com Raphael Elias Farias. “A expectativa é de abrir nessa semana. Estávamos com falta de recursos humanos”, aponta o médico.

Ainda segundo Farias, o hospital não teria mais capacidade para abrir novos leitos. Está no máximo de equipe, apoio e tudo o mais, frente a essa pandemia. Crescemos muito em relação à quantidade de leitos”, argumenta. “(Para habilitar leitos) Precisa de outras estruturas e pessoal, toda uma cadeia de suprimentos”, acrescenta

O HJS dobrou a capacidade de internações na UTI desde o começo da pandemia; antes, operava com 35 leitos e atualmente tem 70. Todos os novos abertos foram destinados à Covid-19, enquanto a outra metade continuou disponível para outras enfermidades.

Aglomerações dificultam combate à pandemia

Um dos problemas identificados pelas autoridades de saúde, enquanto evitam-se novas medidas restritivas no comércio e demais atividades econômicas – o prefeito de Criciúma Clésio Salvaro disse-se contra o lockdown e o governador Carlos Moisés afirmou não ser a hora para tal medida – é na realização de encontros familiares e festas.

“Cabe às pessoas voltarem àquele nível de consciência do começo da pandemia, quando evitavam sair de casa e não faziam reuniões com amigos e famílias. Esse contato próximo e sem máscara é o principal contato de transmissibilidade”, aponta Farias.

O diretor técnico do HJS cita o crescente número de casos positivos – apenas em Criciúma uma média de mais de 200 por dia, na Amrec, superior a 400 – e o efeito cascata que ocasiona o disparo nas internações. “Quanto mais casos, mais internações e mais vão precisar de UTI. É uma cascata. O início está na transmissão e ela depende das ações das pessoas”, conclui.

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