Mineiros querem a venda da Cooperminas

Só assim salários atrasados poderiam ser pagos a mais de 300 funcionários. Assembleia no sábado poderá definir futuro da empresa

Foto: Heitor Araújo/ TN
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Criciúma

Há três anos, mineiros da região sofrem pelo descaso e atraso dos salários da Cooperativa de Extração de Carvão Mineral dos Trabalhadores de Criciúma (Cooperminas). Através da Associação dos Trabalhadores Celetistas e Credores Trabalhistas da empresa, uma Assembleia Geral Extraordinária está marcada para sábado, dia 19, às 8h, e poderá definir o futuro da mina, que está interditada e sem funcionamento. A soma dos valores que devem ser pagos aos profissionais atinge, em média, R$ 23 milhões.

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“Esse passo foi dado através dos celetistas, do nosso movimento trabalhista, que reergueram as mangas e foram atrás dos seus direitos. Com isso, convocamos uma nova reunião com os cooperados, e conseguimos uma assembleia para esclarecer a real situação da empresa. Eles citam que a mina não vai abrir mais, então nós queremos saber qual vai ser o futuro e o porquê de não colocar ela à venda e dividir o valor para os funcionários que têm a receber”, explica o presidente da Associação e também mineiro, Celio Roberto Nicolau.

Atualmente, a Cooperminas conta com 112 cooperados e 340 funcionários que aguardam receber as dívidas retroativas. Ademar Barcelos Custódio, de 51 anos, é um dos mineiros que foi atingido pela crise da empresa. “Quando eu vi meus colegas perdendo carro, casa e moto, eu tive que começar a fazer algo para não acabar na mesma situação. Foi onde comecei a reciclar, juntar papelão e garrafa pet. Levantava na madrugada e foi assim, em três anos, que consegui pagar meu carro e minhas contas. Tinham dias que eram de chorar, abria o portão cedo para catar os materiais porque às 9h pegava o ônibus para a mina, trabalhando sabendo que não iria receber”, relata.

Custódio trabalhava desde 2013 na Cooperminas e em junho desde ano, através da justiça, conseguiu se aposentar depois de muitas dificuldades. “É um serviço perigoso, mas a gente chegava com alegria, porque na mina em si é bom de trabalhar, só que depois que houve essa situação, ficou difícil. Muitos sonhos foram interrompidos. Colegas perderam até a família, por não compreenderem a situação”, acrescenta.

Acordo entre celetistas e a empresa

Os funcionários alegam que os insumos da mina estão sendo vendidos e o dinheiro não está sendo destinado às dívidas trabalhistas. Este é o principal fato que motiva a assembleia. “É isso que queremos descobrir. Eles (empresa) alegam que esse dinheiro serve para pagar os insumos da Cooperminas, como o salário dos funcionários e a energia elétrica, que seria R$ 50 mil, 60 mil, mas nós fomos a fundo e descobrimos que está isento por um ano pelo Ministério Público. Nós queremos saber o que entra, o que é investido e o que sobra”, relata Nicolau. Ainda conforme o presidente, entre todos os funcionários, fichados e cooperados, apenas 10% estaria sendo beneficiado com as vendas dos materiais.

Mineiros na assembleia

Apesar de a assembleia ser direcionada apenas para os cooperados da empresa, os mineiros também estarão na reunião. A estimativa é que tenham pelo menos 200 profissionais. “Nós estaremos presentes, temos direito e teremos a oportunidade de entrar lá, sem fazer baderna, bagunça e vandalismo. Vamos lá requerermos o que é nosso e fazer manifesto do nosso direito”, comenta Nicolau.

 “A chance de reabrir a mina é zero, nula”, afirma o presidente da associação

Ainda, conforme o presidente da Associação, a Cooperaminas deve em torno de R$ 400 milhões, valor que impossibilitaria o retorno das atividades. “Mais de 90% dos mineiros tinha esperança que a mina seria reaberta. Mas a gente soube através do advogado da empresa, em uma reunião que tivemos, que há três anos eles tentam reabrir a mina, mas não conseguem. Então a chance de reabrir é zero, nula”, pontua.

Confira a matéria completa no Jornal Tribuna de Notícias desta quarta-feira, dia 16. 

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