Mais de 140 hectares de área recuperada em Treviso e Siderópolis

As obras nos espaços, localizados em Treviso e Siderópolis, foram realizadas a partir de estudos e do Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) elaborados pelo Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas (Ipat) do Iparque (Parque Científico e Tecnológico da Unesc). Os técnicos do Ipat ainda auxiliaram a equipe de Criciúma do Serviço Geológico do Brasil/Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB/CPRM) apoio à fiscalização das obras.

Foto: Milena Nandi
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O Sul de Santa Catarina teve recentemente, a conclusão das obras de recuperação ambiental de duas áreas degradadas pela mineração que juntas somam mais de 140 hectares. As obras nos espaços, localizados em Treviso e Siderópolis, foram realizadas a partir de estudos e do Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) elaborados pelo Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas (Ipat) do Iparque (Parque Científico e Tecnológico da Unesc). Os técnicos do Ipat ainda auxiliaram a equipe de Criciúma do Serviço Geológico do Brasil/Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB/CPRM) apoio à fiscalização das obras.

A maior área, com 120 hectares, fica em Treviso. O terreno, localizado no interior do município, começou a receber as obras em 2016. A conclusão se deu no fim de 2019. Já em Siderópolis, a área de 20 hectares localizada em um espaço mais urbanizado, as obras ocorreram em duas etapas: de 2014 a 2016 e de 2019 a setembro de 2020.

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O técnico do SGB/CPRM e engenheiro civil, Geovani de Costa, explica que as áreas em Treviso e Siderópolis foram mineradas pela Carbonífera Treviso S/A, e que como se trata de uma massa falida, uma ação civil pública determinou que a União realizasse a execução e fiscalização das obras de recuperação ambiental, uma vez que ela deveria ter fiscalizado a atividade no passado. Por ser área minerada, a ação foi para o Ministério de Minas e Energia (MME) e como o SGB/CPRM já atua na região, o MME entendeu que a gerência da recuperação ficasse conosco”, explica.

A concepção do projeto

O coordenador do Centro de Engenharia e Geoprocessamento (Cegeo) do Ipat, Jóri Ramos, conta que a equipe multidisciplinar envolvida na elaboração do estudo, desenvolvimento do projeto e no assessoramento técnico para a fiscalização das obras é composta por profissionais das engenharias Civil, de Agrimensura, Ambiental e Química, além de Agronomia, Biologia e Geologia.

O Prad elaborado pelo Ipat indicou a utilização de técnicas de bioengenharia para a recuperação das áreas degradadas. Também deu a preferência para utilização de plantas nativas da região, com um mix de espécies de verão e de inverno, para que a área tenha cobertura vegetal o ano todo.

Ramos reforça a importância da entrega destas duas obras para a região Sul de Santa Catarina, uma vez que estas, trazem benefícios socioambientais. “Eram áreas inutilizadas e com potencial degradante muito forte. Com as medidas implementadas, o ambiente se tornou melhor. O cenário da região começa a ser modificado e a Unesc como universidade comunitária, tem também o papel de contribuir nesta reconstrução”, afirma.

O processo indicado pelo Prad foi o de cobertura seca. O coordenador do Cegeo explica que nesta técnica, o estéril que está em contato com as áreas de preservação permanente (APP), como margens dos rios é totalmente retirado. Já no interior do terreno, com a impossibilidade de tirar toda essa camada de resíduos, é realizado o nivelamento da camada de estéril, posteriormente coberto com uma camada de argila para que assim, evite o acesso da água ao material estéril. “Isso impede que o estéril reaja com a água e assim, ela se torne ácida, contaminado as águas subsuperficiais. Na região, a drenagem ácida é o maior problema que temos relacionado ao passivo ambiental da mineração”, explica Ramos

Os estudos indicaram ainda a remodelagem topográfica do terreno permite o disciplinamento das águas de chuvas para os sistemas de drenagem pluvial, contribuindo com a minimização da infiltração da água no sistema. “O desafio em uma área tão grande é fazer com que a água da chuva vá até os cursos hídricos sem ter contato com a camada poluente”.

Técnicas modernizadas

O técnico do SGB/CPRM e engenheiro civil, Geovani de Costa, conta que o processo de recuperação ambiental de áreas degradadas no Sul de Santa Catarina iniciou há 20 anos e ao longo do tempo, as técnicas utilizadas foram melhorando e se modernizando. Segundo ele, as águas subterrâneas são a maior preocupação, uma vez que a drenagem ácida inviabiliza a vida aquática e o uso da água para diversas atividades. “Todo o trabalho é realizado com o objetivo de trazer benefício para a sociedade. Ao falar de recuperação ambiental estamos nos referindo também à qualidade de vida da população que mora no entorno destas áreas”, salienta.

Costa explica que o passo seguinte à conclusão das obras é realizar o monitoramento de cada área por cinco anos, com coletas e análise de água superficial e subterrânea, verificação da regeneração natural da vegetação, e análise do retorno da fauna e flora. Ao final deste período, os resultados das análises das amostras e demais informações serão encaminhadas ao Instituto de Meio Ambiente de Criciúma (IMA-SC) para avaliação. É o órgão quem dá o parecer final sobre a eficácia da recuperação ambiental e a liberação da área para ser devolvida à sociedade. “A modificação do ambiente já é perceptível ainda durante as obras de recuperação. Durante o processo na área do Rio Pio (em Treviso), já conseguimos perceber a melhora na qualidade da água. As análises demonstraram que o pH da água já estava menos ácido que anteriormente”, revela.

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