Içara: a Capital do Mel por lei estadual

Além de ser o maior produtor de Santa Catarina, o município também é um dos cinco maiores exportadores do produto a nível nacional

Lucas Colombo- Colheita do Mel / Arquivo
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Gustavo Milioli/Especial

Içara

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A apicultura começou a despontar em território içarense há aproximadamente 30 anos. Três décadas depois, o município ostenta a posição de quarto maior exportador de mel do Brasil. Essa capacidade fez com que o Governo do Estado denominasse Içara com o título de Capital do Mel, entregando a placa da Lei 16913/2016 à Associação dos Apicultores local.

Um dos pioneiros no ramo foi Agenor Castagna. Ele recorda que via as famílias Cechinel, Benincá e Casagrande darem os primeiros passos na criação de abelhas, enfrentando diversas dificuldades pela falta de tecnologia e mão-de-obra com experiência. “Na época, em virtude da grande quantidade de áreas de reflorestamento de eucaliptos, essa prática foi aumentando na região. Eu resolvi entrar nessa também, montando minha produção com 40 caixas de abelhas”, relembra Castagna.

Hoje, Içara conta com mais de 20 apicultores profissionais, isto é, que trabalham exclusivamente com a atividade. Em números gerais, a cidade tem a maior produção de mel de Santa Catarina, apesar de outras regiões terem um número maior de trabalhadores. “Na Serra e Oeste existem mais apicultores, mas são propriedades pequenas, secundárias, que contam com outros tipos de atuação na agricultura. O nosso diferencial é que aqui todos os apicultores são profissionais”, comenta Castagna. O número de caixas de abelhas cultivadas vai de 200 a até 2 mil, diferentemente do restante do Estado.

Agenor Castagna obteve um grande sucesso em sua produção de colmeias, até que resolveu inovar. Ele fundou a empresa Minamel, que no ano 2000 se tornou a primeira exportadora brasileira do produto para o mercado internacional. Além disso, ele é o atual presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), que conta com cerca de 30 companhias. Os principais destinos do mel içarense e nacional são os Estados Unidos e a Europa.

O povo brasileiro tem o costume de consumir menos mel em relação aos estrangeiros. “Nosso consumo é minúsculo. Enquanto aqui cada pessoa em média consome 70 gramas por ano, no geral, lá fora eles consomem até um quilo”, aponta Guilherme Castagna, filho de Agenor, que hoje é o responsável pelas exportações da empresa. “A maior parte do nosso mel vai para os Estados Unidos, em torno de 75%. Tem sido assim nos últimos 15 anos. Nesse ano apenas 600 toneladas foram destinadas para o mercado nacional, contra 4.300 toneladas para o internacional”, comenta o empresário.

2020 pode ser considerado o melhor ano da história para o ramo. O novo coronavírus fez com que as vendas disparassem, a partir da ideia de que os produtos provenientes da abelha são bons para fortalecer o nosso sistema imunológico. “O Brasil teve recorde de exportações nesse ano. Até novembro o país tinha exportado 42 mil toneladas de mel. Antes, o maior número tinha sido 30 mil. A Minamel corresponde a cerca de 10% desse total”, enumera Guilherme.

“O mel é um alimento natural e por vezes é até confundido como um remédio, o que não é verdade. Na realidade ele fortalece a imunidade geral, sendo saudável para o corpo e suas autodefesas. Isso também vale para os estratos de própolis e pólen. Todos esses produtos tiveram uma alta na procura por conta dessa pandemia, para prevenir uma possível infecção do coronavírus”, arremata.

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