HSJosé: videochamadas trazem alento no isolamento causado pela Covid-19

Pacientes contam suas experiências

Foto: Divulgação/ Hospital São José
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Criciúma

A Covid-19, mais do que trazer angústias, medos e incertezas, trouxe também a quebra de planos e o adiamento de sonhos que, muitas vezes, foram planejados por toda uma vida. Assim aconteceu com Renan Frasseto Vitali, de 33 anos. O coronavírus impossibilitou que ele estivesse perto do Lucas, seu filho, nascido na última semana, em meio a pandemia. Internado na UTI do Hospital São José de Criciúma, desde a terça-feira, dia 24, devido às complicações do coronavírus, Renan só pode ter contato com o bebê, em videochamadas que estão ocorrendo por meio de um projeto realizado pelo Ministério da Saúde, via Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI) do Hospital Sírio Libanês, na instituição de Criciúma. É uma forma de possibilitar o contato com a família, humanizar o atendimento, e tornar mais leve a doença que afasta as pessoas do convívio familiar e impossibilita a vivência de momentos tão esperados, como o nascimento de um filho.

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Renan recebeu o positivo para Covid-19, no dia 17 de novembro, nesse período a esposa ainda estava grávida. “Nós tínhamos tudo planejado, porém ela também pegou a doença. No entanto, mesmo com toda essa preocupação, a bolsa dela estourou e tivemos a graça do nascimento do Lucas. Nesse período do nascimento dele, eu estava com muitas dores nas costas e febre. Fui medicado, até que ao longo dos dias minha situação foi piorando, aumentando ainda mais as dores do peito e falta de ar. Minha esposa teve alta na segunda-feira, dia 23, após o nascimento do nosso filho e fomos para casa. No entanto, minha situação foi se agravando e procurei o Hospital São José já na terça-feira. Foi aí que fui internado na UTI”, explica Renan.

Desde então, a única forma de Renan ver o pequeno Lucas é por meio das videochamadas realizadas pela equipe do HSJosé e dos profissionais do Hospital Sírio Libanês. “Desde que entrei aqui, em todo esse período, a única forma de ver o meu filho é pelo tablete. Eu só vejo a minha família assim. Só tenho a agradecer a todos pelo trabalho excelente que está sendo desenvolvido e por possibilitar que, todos os dias eu veja meu filho”, agradece Renan, emocionado.

Indicação do Ministério da Saúde

O Hospital São José de Criciúma foi um dos indicados pelo Ministério da Saúde a participar do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, em Santa Catarina, por meio do Projeto Conectando Vidas, que é viabilizado via Hospital Sírio Libanês. Neste programa, os pacientes com Covid-19, internados em UTI ou clínicas, consegue ter a comunicação facilitada com seus familiares, além de contar com boletins médicos virtuais.

O HSJosé já promovia a iniciativa, porém o projeto que conta com a utilização de 10 tabletes doados pela instituição de saúde de São Paulo veio ampliar a demanda. Ele começou a ser desenvolvido no dia 20 de outubro e os assistentes de atendimento do Hospital Sírio Libanês, Édria Lentz Behenck e Rafael Klenikauf seguem em Criciúma até o dia 21 de dezembro. Após esse período, os tabletes permanecem no HSJosé para a continuidade do projeto.

“O Hospital Sírio Libanês também é um hospital filantrópico e entre os trabalhos que realiza está o desenvolvimento de programas para atender hospitais que prestam atendimento ao Sistema Único de Saúde. O Ministério da saúde indica a necessidade do momento e os projetos são criados. Este ano, a orientação do Ministério da Saúde foi de desenvolver um trabalho para facilitar a comunicação entre as famílias dos pacientes internados em isolamento devido à Covid-19. É uma forma de humanizar o atendimento, já que as famílias não conseguiam mais o contato com o familiar após a internação”, explica a assistente de atendimento do Hospital Sírio Libanês, Édria Lentz Behenck.

De acordo com Édria, o Hospital São José foi indicado a participar da iniciativa pelo Ministério da Saúde. “O Projeto foi desenvolvido pela equipe de cuidados paliativos do Hospital Sírio Libanês. Foram disponibilizados 10 tabletes ao HSJosé com o objetivo de promover uma conexão e facilitar a comunicação, de forma humanizada, entre os pacientes e familiares”, explica.

Ligações realizadas diariamente

As ligações são feitas todos os dias para com os pacientes internados na UTI e clínicas Covid e o próprio setor de enfermagem define os pacientes que estão elegíveis para a videochamada. Durante a videochamada há todo um controle dos batimentos cardíacos e saturação do paciente e há também o acompanhamento da própria equipe de enfermagem para o controle. “Os familiares agradecem muito. Muitos não acreditam que poderão ver o seu familiar internado. Além do espanto, o que mais sentem é gratidão e o incentivo da família faz muita diferença no tratamento. Eles conseguem mostrar a casa, dizer que está tudo bem. Tranquilizam o familiar que está internado em situações que podem ser básicas, mas que preocupam, como o pagamento de contas, se a família recebeu o salário, como está a esposa ou o esposo em casa, os filhos e netos. É possível atualizar as informações e tranquilizar. Além disso, em grande parte dos casos, os familiares não têm noção do quanto a Covid é ruim e as consequências que ela traz. O mais comum é ouvir o paciente pedir para os familiares se cuidarem, para evitar sair de casa ou aglomerações. O que mais percebemos é um sentimento de proteção para que eles não passem pelo o que a pessoa está passando”, esclarece Édria.

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