Geladeira solidária alimenta moradores de rua no Centro de Criciúma

Ação é promovida por Claudiomar de Souza, em marmitas feitas por um grupo de cozinheiras haitianas, por meio da doação de cestas básicas

Foto: Guilherme Cordeiro/TN
- PUBLICIDADE -

Próximo à feira livre de Criciúma, há mais de 45 dias, está uma geladeira solidária que disponibiliza alimento para os moradores de rua. A iniciativa social é de Claudiomar de Souza, pastor de uma igreja que tem entre fiéis principalmente brasileiros e haitianos.

A ideia da geladeira solidária surgiu quando Claudiomar flagrou moradores de rua catando alimentação entre os rejeitos da população criciumense.

- PUBLICIDADE -

“Esse projeto nasceu no coração. Vendo moradores pegando comida na rua, criei a geladeira solidária”, diz Claudiomar.

O projeto mantém-se através de uma rede de solidariedade. Na Feira Livre, uma banca recebe diariamente a doação de cestas básicas; em posse dos alimentos, um grupo de cinco a seis cozinheiras haitianas preparam as marmitas: arroz, feijão, salada de batata, beterraba, repolho, ovo e sardinha. “Uma comida brasileira com toques haitianos”, confirma Claudiomar.

A média mensal de pratos disponibilizados na geladeira solidária é, segundo Claudiomar, de 240 a 260. Calcula-se que diariamente de 10 a 12 moradores de rua servem-se das marmitas.

“Tem quem leve duas, para garantir a noite, como eles dizem. Já aconteceu de um vir aqui e levar tudo, aí chamei a atenção e ficou tudo certo”, conta Claudiomar.

O morador de rua Sandro Audieri, ex-mineiro e sem teto há 12 anos, é frequentador assíduo da geladeira solidária na rua São José, área central da cidade. “É uma iniciativa muito boa. A gente depende de ajuda, de achar alguma coisa para se alimentar. Quando perdi o emprego na mina, todo mundo virou as costas para mim”, afirma Sandro.

A ação solidária, que beneficia moradores de rua como o Sandro – que cresceu em Criciúma, é pai de três filhos, que não vê mais, pois brigou com a família e saiu da casa na Vila Zuleima, e durante a noite dorme em um terreno baldio na cidade “magoado, pois quando os conhecidos passam por mim na rua viram a cara e só pensam no dinheiro, são capazes de vender a alma por dinheiro, o que eu não faço” – a ter uma alimentação digna, ganhou reforço.

Segundo Claudiomar, outras pessoas colocaram marmitas na geladeira. “Cheguei aqui um dia e fiquei surpreendido, havia 12 marmitas. Alguém passou e deixou aqui”, comemora. “É uma coisa positiva, eles deixam o alimento aqui, é bastante coisa. Nem vi quem tinha feito essa doação”, acrescenta.

“Eu tenho buscado arrecadar as cestas de alimentos e doações. A gente cozinha tudo, congela e durante o dia aquece-as e coloca na geladeira. Os moradores de rua passam e pegam a marmita”, detalha.

Claudiomar pede para que mais pessoas participem da ação solidária e façam as doações de cestas básicas. De acordo com ele, para fazer 150 marmitas, são necessárias de cinco a seis cestas básicas.

A geladeira é abastecida três vezes ao dia: de manhã, por volta das 11h, à noite, às 19h, e alguns lanches que são doados às 21h. São servidas em torno de 10 marmitas diariamente. “Eu vejo que aquela pessoa que busca a marmita é porque necessita. É importante que o morador de rua consiga suprir a própria necessidade”, conclui Claudiomar.

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.