Fila de espera na saúde volta à tona em Criciúma

Comissão da Saúde da Câmara de Vereadores quer ouvir secretário Acélio Casagrande sobre os 15 mil que aguardam consulta com especialista

Foto: Guilherme Cordeiro / TN
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Heitor Araujo

Criciúma

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A fila de espera para atendimentos, exames e cirurgias com especialistas em Criciúma. De acordo com  dados levantados junto à secretaria de Saúde do município e do Estado, mais de 15 mil pessoas estão à espera de consultas na cidade, enquanto mais de 900 aguardam por exames.

Há cerca de duas semanas, o vereador Jair Alexandre, presidente da Comissão de Saúde da Câmara, requisitou à secretaria municipal a relação de pacientes na lista de espera por atendimento especializado no município. A resposta veio nesta semana e mostrou que ainda há espera por atendimentos na cidade

“É uma tristeza. Foi feito no ano passado um Refis com o objetivo de que o recurso seria para contratar os novos profissionais e zerar a lista de espera. Foram mais de R$ 3 milhões e agora a gente vê ainda uma fila gigantesca”, afirmou o vereador, que completou dizendo que deve chamar o secretário Acélio Casagrande para explicações em sessão remota na Câmara de Vereadores.

Fila diminuiu

Procurado pela reportagem, Casagrande demonstrou confiança no trabalho realizado pela pasta da saúde em Criciúma. “Está diminuindo muito a lista de espera. No ano passado chegamos a ter mais de 30 mil pessoas em espera”, destacou.

O secretário citou as especialidades de oftalmologia e ortopedia como pontos positivos na diminuição da fila. Na oftalmologia são 240 pessoas ainda sem horários marcados. Na ortopedia, são mais de 1,3 mil pessoas que ainda aguardam para ver um especialista.

Cleuza da Silva Córdova, 60 anos, atualmente desempregada, há seis anos convive com um cisto no joelho; nos últimos cinco meses ela não consegue sair de casa. No sofá da sala da residência localizada no bairro Mineira Velha, ela explica que no ano passado marcou uma consulta com um ortopedista na cidade.

Com exames já realizados, ela ainda aguarda para passar pelo procedimento cirúrgico, após consulta em agosto deste ano. “O médico olhou o raio-x e disse que não sabe como eu ainda estou andando”, lamenta. Ela precisa retirar o cisto do joelho e colocar uma prótese metálica. “O médico disse que nem poderia colocar uma de silicone mais porque passou muito tempo e piorou o joelho”, completa Cleuza.

Sem conseguir caminhar e à espera da cirurgia

Há cinco meses o estado de saúde piorou e ela mal consegue caminhar. Teve que instalar barras de apoio nos banheiros e, muitas vezes, pede ajuda do marido para conseguir se vestir. Quando deita à noite, levanta-se poucas horas depois com muita dor, senta-se e começa a massagear o local. “É muito triste, eu fico em casa que só choro”, desabafa.

Com o problema, há muito tempo não arranja trabalho como faxineira. O marido, o pintor Ademir José Francelino, também aguarda do Estado a liberação para uma cirurgia de hérnia umbilical. “Começou a doer muito um dia, fiz os exames, mas não tem nada de marcar a cirurgia”, conta.

Sem conseguir carregar peso, o pintor diz que já perdeu trabalho por causa da saúde. “Eram umas casas no Demboski, como ficava uma longe da outra e tinha que caminhar muito, eu desisti. Quando eu caminho muito, acaba inchando tudo e dói muito”, reclama.

Estado liberou as cirurgias eletivas nesta semana

O secretário Acélio Casagrande explica que as cirurgias estão em espera por conta da portaria do Estado que suspendeu os procedimentos de média e alta complexidade no começo da pandemia, com exceção daqueles emergenciais: ela foi revogada no começo desta semana.

“Tem até 4 mil pessoas esperando no ambulatório do Hospital São José, com exames já feitos, para agendar a cirurgia”, diz Casagrande. Segundo ele, não fosse a pandemia, o município estaria próximo de zerar a fila dos atendimentos de média e alta complexidade. “O zero não chega porque sempre tem consulta retorno e novas pessoas entrando. Até 30 e 60 dias de espera é considerado um número razoável em qualquer lugar do mundo, inclusive nos planos de saúde”, afirma o secretário.

Casagrande lamentou o retorno do assunto e a repercussão na Câmara de Vereadores. “Eu não entendi, porque todos os vereadores sabem o quanto já reduziu o número de procedimentos, cirurgias e o que já foi feito. Não sei se é a questão política nesse momento. Espero que não aflore isso”, conclui.

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