Estudo mostra redução da anemia em brasileiros menores de 5 anos

Trabalho é de um consórcio de instituições, liderado pela UFRJ

Foto: Divulgação/ Pedro Gorender

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No decorrer do primeiro semestre de 2021, o consórcio de instituições acadêmicas, liderado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), divulgará novos resultados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani 2019), realizado sob encomenda do Ministério da Saúde. O estudo tem o objetivo de conhecer a situação de alimentação e de nutrição das crianças brasileiras até 5 anos de idade.

Serão abordadas deficiências de micronutrientes, dados antropométricos para saber como está a obesidade e nutrição nessa parcela da população, com informações detalhadas de alimentação. A partir de janeiro, será liberada uma sequência de relatórios técnicos. Os pesquisadores se encontram, no momento, em fase de análise de dados.

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Um resultado preliminar do trabalho, sobre aleitamento materno, foi conhecido em agosto passado e, nesta semana, foram divulgados resultados parciais do estudo abordando anemia e deficiência de vitamina A na primeira infância. O estudo, inédito, mostrou queda de 65,5% na prevalência de deficiência de vitamina A e de 50% na de anemia em menores de 5 anos nos últimos 13 anos. O único dado disponível no ministério até então era de 2006.

Anemia

A coordenadora adjunta do estudo, nutricionista Inês Rugani, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), disse à Agência Brasil que a prevalência de anemia diminuiu 52%, passando de 20,9%, em 2006, para 10%, em 2019. A queda foi observada em todas as regiões brasileiras, à exceção da Região Norte, onde a prevalência de anemia aumentou de 10,4%, em 2006, para 17%, em 2019.

A maior redução foi observada no Sudeste (14,7%) e a menor no Centro-Oeste (1,6%). O Enani revela também que a anemia é mais comum entre crianças de 6 meses a 23 meses. Nessa faixa etária, a prevalência no Brasil foi de 18,9% e alcançou 30% para na Região Norte. Entre os 2 e os 5 anos de idade, a prevalência foi de 5,6%.

Vitamina A

Inês Rugani salientou que, no caso da vitamina A, a redução foi ainda mais expressiva: 65,5%. A prevalência da deficiência de vitamina A na faixa etária analisada caiu de 17,4%, em 2006, para 6% no Brasil. “A redução foi de quase dois terços”, disse a coordenadora adjunta. As maiores prevalências foram encontradas nas regiões Centro-Oeste (9,5%), Sul (8,9%) e Norte (8,3%) e a menor na Região Sudeste (4,3%). De acordo com o estudo, não houve diferença significativa, em termos estatísticos, entre as faixas etárias de 6 a 23 meses (5,4%) e de 2 a 5 anos (5,9%).

Em relação à anemia ferropriva em crianças até 5 anos de idade, o estudo indica resultado de 3,6% no país, em 2019. A maior prevalência foi registrada na Região Norte (6,5%) e a menor no Nordeste (2,7%). Da mesma forma que ocorre com a anemia, a anemia ferropriva é mais comum entre crianças de 6 a 23 meses (8%) do que na faixa etária de 2 a 5 anos (1,3%).

Inês Rugani esclareceu que o foco nas crianças menores de 5 anos decorre do fato de se tratar de uma fase especial da vida. “A primeira infância é uma fase em que os indivíduos têm grande vulnerabilidade, porque estão crescendo e se desenvolvendo. Os dois primeiros anos são fundamentais para muitas coisas que vão acontecer depois na vida da criança. O motivo que faz a gente estudar as crianças pequenas é que são mais vulneráveis, e entendemos como uma prioridade na agenda de saúde pública. Os cuidados de saúde e a boa alimentação são prioritários para garantir que as crianças se desenvolvam bem”, acrescentou Inês.

Prevenção

Para prevenir a anemia nas crianças, Inês afirmou que, em termos individuais, a recomendação é sobre alimentos ricos em ferro, um dos nutrientes importantes na prevenção, e alimentos ricos em vitamina A, como frutas, legumes e carne. ”Que a alimentação seja a mais saudável possível, evitar os alimentos ultraprocessados, as guloseimas, os alimentos prontos que não fornecem adequadamente esses nutrientes, e priorizar os alimentos in natura ou minimamente processados”.

A professora da Uerj lembrou que há também, em termos de políticas públicas no Brasil, programas de suplementação preventiva. São suplementos com vitaminas e minerais que as crianças usam para essas doenças. Inês disse que, com esses novos dados, o Ministério da Saúde poderá dar novo direcionamento a esses programas. Um grupo de trabalho, formado por pesquisadores de todo o país, está sendo criado para pensar os aprimoramentos das políticas. Ela destacou que a prevenção não tem a ver somente com os nutrientes propriamente ditos, mas com condições gerais de vida. “Conseguir renda suficiente, ter acesso à água e esgoto melhoram as condições gerais de vida e, também, esses agravos”.

Segundo a coordenadora, o Brasil teve uma diminuição importante da desnutrição nos últimos anos, que tem a ver com políticas públicas mais estruturantes. “Tem a ver com as pessoas estudarem mais anos, com acesso à assistência à saúde, ao pré-natal. É um conjunto de medidas estruturantes que garantem que as crianças fiquem melhores, inclusive em relação à anemia e à vitamina A”.

Na avaliação do coordenador nacional do Enani 2019, o pesquisador Gilberto Kac, as principais consequências desses déficits nutricionais, além da ocorrência de anemia, são de crescimento, baixo desempenho cognitivo, comprometimento do sistema imunológico e cegueira noturna.

Enani

O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil é a primeira pesquisa com representatividade nacional que avalia, simultaneamente, práticas de aleitamento materno, alimentação complementar e consumo alimentar individual, estado nutricional antropométrico e deficiências de micronutrientes em crianças menores de 5 anos, incluindo as deficiências de ferro e vitamina A. Entre fevereiro de 2019 e março de 2020, foram realizadas visitas domiciliares em 123 municípios brasileiros, totalizando 14.583 crianças menores de 5 anos.

Encomendada pelo Ministério da Saúde, a pesquisa foi coordenada pelo Instituto de Nutrição Josué de Castro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com financiamento do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Também participam da coordenação do estudo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a Universidade Federal Fluminense (UFF).

Com informações da Agência Brasil

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