Diretor do Butantan diz que Coronavac não teve reações adversas graves

Estudo clínico da vacina contra a Covid-19 foi suspenso pela Anvisa; segundo instituto de pesquisa, "evento adverso" não teve relação com as doses aplicadas

Diretor geral do Butantan, Dimas Cova, durante coletiva hoje em São Paulo (Foto: Reprodução)
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O governo do Estado de São Paulo concedeu uma coletiva hoje para repudiar a suspensão dos testes da Coronavac pela Anvisa. O órgão regulador anunciou ontem a cessão dos estudos clínicos da fase três pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. A decisão da Anvisa partiu no mesmo dia em que o governador paulista, João Dória, anunciou a compra de 120 mil doses para o dia 20 de novembro.

A justificativa da Anvisa foi de que “eventos adversos” teriam ocorrido na fase de testagem. O Instituto Butantan afirmou que um voluntário morreu, mas em evento sem relacção casual à vacina. É a sustentação do governo paulista para o retorno dos estudos clínicos, no que atualmente é a vacina mais próxima de ter comprovação científica contra a Covid-19.

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Mais de 10 mil pessoas se voluntariaram para a fase de testes da Coronavac. Chamada de “vacina chinesa de João Dória”, a chegada do imunizante à Covid-19 foi politizada pelo presidente Jair Bolsonaro. O diretor do Instituto Butantan, Dimas Cova, participou da coletiva do governo de São Paulo e reafirmou a segurança nos estudos aplicados.

“Nos causa indignação (a suspensão). O processo, da forma como aconteceu, poderia ter sido diferente. O Butantan tem 119 anos de história, produz 75% das vacinas usadas pelos brasileiros. Um a cada três brasileiros nesse ano tomou a vacina pelo Butantan. São vacinas que tem a segurança atestada pelo uso de milhões e milhões de doses”, disse.

Cova deixou claro o descontentamento com a Anvisa. “O que não é normal é transformar um fato normal em um acontecimento anormal e é isso o que se trata aqui. Por que todo esse problema e polêmica, se agora vai chegar-se à prova de que não tem relação com a vacina? A comunicação foi feita no tempo apropriado e essa decisão, depois de três dias, veio dessa forma como ocorreu, ontem através de e-mail sem qualquer tipo de notificação mais efetiva e pessoal”, aponta.

“No estudo clínico em andamento, existiram reações adversas leves, não tivemos nenhuma grave. Não tivemos e não temos, continuamos a não ter. Uma reação adversa tem relação com a vacina: eu tomo a vacina agora, sou acompanhado pelos próximos sete dias para saber se vou ter alguma coisa, alguma dor. Passados sete dias, não existiram mais reações adversas”, reforçou Cova. “Existem eventos adversos, que não tem relação com a vacina: o voluntário sai de casa é atropelado. Esse evento tem que ser relatado, pela coisa externa, sem nenhuma relação com a vacina”, continuou o cientista. ”

Cova ressaltou diversas vezes que o evento adverso relatado à Anvisa não teve a menor relação com a vacina. Anteriormente, o presidente Jair Bolsonaro criticou João Dória por querer comprar “vacina chinesa” e disse hoje, sem qualquer evidência científica, que se trata de uma vacina “maligna” e que a suspensão pela Anvisa foi “mais uma vitória do presidente” contra o governador de São Paulo.

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