Criciumense ajuda no combate aos incêndios florestais na Austrália

O alto número de fogos vem se espalhando por diversas regiões do país. Ravick Gomes atua há mais de cinco anos como bombeiro voluntário em Sydney, capital de Nova Gales do Sul

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Geórgia Gava/Especial

Criciúma         

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Uma onda de incêndios florestais em algumas regiões da Austrália têm provocado grande comoção em escala mundial. Desde agosto, os fogos têm se espalhado por cinco dos oito estados australianos, até o momento, 27 mortes já foram registradas, entre elas, quatro de bombeiros. Morador há mais de 17 anos do estado de Nova Gales do Sul, no sudeste do país, Ravick Marcelino Gomes, atua há mais de cinco anos como bombeiro voluntário.

Ravick é natural de Criciúma, morou até os 16 anos no município quando se mudou para Joinville e de lá,  com 23 anos, seguiu para Austrália onde vive até hoje. “Há cinco anos atuo como bombeiro voluntário na brigada Beacon Hill, e neste tempo obtive a oportunidade de colaborar com a comunidade em diversos eventos. Entre eles, incêndios em propriedades nas Northern Beaches, tempestades e acidentes de carro. Também participo de levantamento de fundos para manter a brigada. Nesta ocasião, tenho colaborado com a corrente situação dos fogos selvagens”, ressalta Gomes.

O estado de Nova Gales do Sul conta com 300 quartéis de bombeiros por profissão e as brigadas de voluntários que chegam a duas mil, atingindo o número de 72 mil voluntários. “Esse trabalho enriquece a alma, ajudar as pessoas na hora da necessidade e colaborar com nossa comunidade. Tudo tem seu preço, a família, o meu trabalho profissional, “ganha pão”, sempre sofrem um pouco com a ausência. O trabalho é perigoso, tanto que nesta temporada dois bombeiros faleceram e um número grande sofreram acidentes menores”, acrescenta Gomes.

A principal obrigação e prioridade dos bombeiros para a atual situação é proteger as vidas.  “Estivemos passando em cidades pequenas com 60 casas, passamos com o caminhão, entramos nos lugares para ver se tem pessoas vivas, se tem algum cachorro perdido, aquela comunidade perde 20 casas e demora dez anos para se reconstruir, além do trauma que fica ali para aquelas pessoas, só o tempo”, completa o bombeiro.

Incêndios estão em larga escala

O fogo até o momento já devastou mais de 10 milhões de hectares, uma área aproximada ao tamanho da Coréia do Sul. O Governo Australiano pediu para que mais de 250 mil pessoas deixassem suas casas, que correm o risco de serem atingidas pelos incêndios, além disso, mais de 1 bilhão de mortes de animais já foram contabilizadas. ”O que tem nos assustado é o número de casas perdidas, são mais de duas mil casas, e as mortes, dois bombeiros perderam a vida. As boas histórias são as 15 mil casas que foram salvas, comparadas as duas mil, tem um contra balanço. O crítico realmente é o fato de que não sabemos o que vai acontecer, é muito difícil se planejar, quando o fogo selvagem pega e nós apagamos, ele deixa de ser alarmante, mas de repente ficou um pedaço que não apagou direito, ou raízes, ou bate o vento e a umidade do ar baixa, o fogo fica gigante de novo, e temos que novamente deslocar recursos”, explica Gomes.

A estiagem e o clima quente contribuem para que o fogo se alastre, a Austrália chegou a registrar temperaturas próximas aos 50°C. “O que mais chama atenção é a quantidade fogos ao mesmo tempo, o tamanho deles e a proximidade com comunidades e as casas. O principal motivo para esses fogos não é nem somente a temperatura, é a umidade do ar, a velocidades dos ventos e quantidade de combustível, esses são os três fatores determinantes para o fogo selvagem”, salienta Gomes.

Fumaça da Austrália chega à América do Sul

Na última terça-feira, dia 8, a fumaça proveniente da Austrália chegou à América do Sul. A nuvem percorreu por mais de 12 mil quilômetros, atingindo países como Argentina, Chile e Uruguai. No Brasil, a fumaça foi registrada no Rio Grande do Sul. De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, não há chance do Estado receber o fenômeno.

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Por: Marciano Bortolin
Em: Criciúma

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