Criciúma: Vacina-teste começa a ser aplicada

Hospital São José, em Criciúma, é um dos 25 centros, no Brasil, que fazem parte do estudo em busca da imunização contra a Covid-19

Ocupação no São José é de 37,8% da ala para Covid-19 (Foto: Arquivo/Lucas Colombo/TN)
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Tiago Monte

Criciúma

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O Hospital São José (HSJ), de Criciúma, faz parte de uma importante pesquisa na busca pela vacina contra a Covid-19. A unidade foi escolhida, junto com outras 24 de todo o Brasil, para fazer aplicações de imunização-teste que está sendo desenvolvida pela empresa Johnson & Johnson.

Os voluntários estão se credenciando, desde a última segunda-feira, para análise que detecta se a pessoa está apta ou não a participar do processo. “A gente está fazendo rastreamento das pessoas inscritas para ver, efetivamente, se eles têm os critérios para poder participar do estudo. O acompanhamento destas pessoas vai ocorrer durante o estudo inteiro”, explica o coordenador do Serviço de Medicina Intensiva do HSJ e médico pesquisador da Unesc, Felipe Dal Pizzol.

As pessoas escolhidas começarão, a partir da tarde de hoje, a receber as injeções de vacina ou placebo – medicação sem efeito – para que o estudo siga acontecendo. “A partir daí, os dois grupos vão correr em paralelo e vamos fazendo o rastreamento. Outras pessoas serão incluídas no estudo para a vacinação”, pontua o médico.

Mais de 400 interessados em participar

Desde segunda-feira, a equipe do HSJ já recebeu mais de 400 e-mails de interessados a participarem dos testes. Os inscritos mandaram e-mail e foram chamados para uma análise de perfil. “Eles fizeram a pré-seleção, mas continuam chegando e-mails toda a hora. A gente continua recebendo as inscrições, pois são sete mil participantes no Brasil, não tem teto para cada centro. São mais de 20 centros e, quando fechar o número total para a inclusão em todos, a gente suspende as inscriçoes. Não há um teto determinado para cada centro”, explica Dal Pizzol.

Ou seja, das 7000 pessoas selecionadas no Brasil, um grande número pode ser de Criciúma. “Para cada centro, não há um número específico. Quando os centros todos fecharem sete mil, no total, encerra. Pode ser que sejam 50, 100, 500 de Criciúma… Vai depender da velocidade de inclusão no Brasil”, pontua o médico.

Os participantes recebem assistência médica relacionada ao estudo e a vacina experimental ou placebo, sem nenhum custo. Quem quiser participar, pode mandar e-mail para pesquisa@hsjose.com.br com nome completo e telefone de contato. Para realizar os testes, o HSJ possui uma equipe de 20 pessoas entre médicos, coordenadores de estudo, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, profissionais da tecnologia da informação e auxiliares administrativos.

Última fase do estudo em busca da vacina

Essa etapa clínica que está sendo realizada em Criciúma é a última da pesquisa para verificar a efetividade da vacina contra o novo coronavírus. “A quarta fase acontece só depois que a vacina vai para o mercado, para ver se aparece algo diferente. No estudo clínico, a terceira fase é a última”, enfatiza o médico.

Sendo assim, a partir dos diagnósticos, se diz se a vacina é efetiva ou não. “São 60 mil pessoas no mundo, então vai dar para dizer se a vacina é efetiva ou não. Os órgãos regulatórios vão pedir o estudo da fase três para poder colocá-la no mercado”, destaca Dal Pizzol.

A porcentagem esperada de imunização é, ao menos, 50%. “Esse é o número de pessoas que precisam ser imunizadas para que ela seja efetiva. É o ponto de corte de efetividade. Claro que, quanto maior a porcentagem, melhor”, ressalta o médico. A pesquisa deve ser finalizada até o final do ano. São sete países do mundo participando do estudo.

A previsão é que, se aprovada, a vacina da Johnson & Johnson chegue ao mercado no primeiro trimestre do ano que vem. Tudo depende, claro, das agências regulatórias de saúde dos países. “É necessário terminar o estudo, depois analisar, publicar e mandar para as agências. Normalmente, isso demora de três a quatro meses. Vai depender da urgência das agências regulatórias. Podemos dizer que ela chegaria no primeiro trimestre do ano que vem”, destaca.

O médico ressalta a alegria por fazer parte da pesquisa. “A unidade participa no cuidado dos pacientes e agora podemos diretamente ter papel para ajudar na prevenção. Todos estamos orgulhosos de poder participar ativamente disso. Criciúma e a região Sul ficarão na história. Poder ajudar o desenvolvimento de uma estratégia para prevenção da doença é muito satisfatório”, finaliza.

Cadastro para participação:

– Ter 18 anos ou mais

– Estar com a saúde boa ou estável (você pode ter condições médicas subjacentes, desde que as suas condições estejam estáveis e bem controladas)

– Não ter recebido anteriormente uma vacina para a Covid-19.

– Mandar e-mail para pesquisa@hsjose.com.br com nome completo e telefone de contato

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