Criciúma: Retribuição pelo sucesso na pandemia

Em Criciúma, fotógrafo de eventos se reinventa e passa a consertar computadores. Novo negócio dá certo e gera projeto social

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Tiago Monte

Criciúma

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A pandemia do novo coronavírus gerou uma crise muito grande em diversos setores. Um dos mais prejudicados foi o ramo de eventos. Assim, o fotógrafo Arlan Rodrigues, de Criciúma, mais conhecido como Lan, que faz a cobertura de festas e formaturas, viu as datas da agenda dele serem desmarcadas pelos clientes. Uma a uma. “A minha agenda estava lotadíssima, eu estava muito tranquilo para 2020. Veio a pandemia e os clientes foram desmarcando. Então, eu pensei: ‘meu Deus, o que fazer?’”, comenta.

Nesse momento, a veia “nerd” falou mais alto e Lan Rodrigues resolveu começar a consertar computadores. “Há tempos, eu fiz curso de informática e tudo mais. Era uma necessidade pessoal para não precisar levar os computadores para a assistência técnica. Eu gosto sempre de aprender a fazer as coisas e não precisar contratar serviços”, explica.

Então, a sobrevivência de Lan começou a se dar através dos consertos, até que a empresa própria tomou forma e saiu do papel. “Comecei consertando o computador de um amigo aqui, outro ali. Um dia um amigo falou: aproveita a época de pandemia e abre o teu negócio. Eu comecei a fazer uma formatação aqui, outra ali e a minha cozinha virou uma mini-oficina”, ressalta.

O negócio deu tão certo que a casa ficou pequena. Lan precisou se mudar e adaptar uma outra oficina na área de casa. Outro fator que influenciou, segundo o fotógrafo e agora profissional de informática, foi o aumento dos trabalhos em “home office”. Entretanto, Lan disse que a questão das pessoas cumprirem expediente em casa não foi pensada propositadamente. “Eu fiz tudo isso inconscientemente, não associei a pandemia ao ‘home office’, nem me liguei nisso”, explica.

A iniciativa que coroa o novo momento

A partir do momento que a empresa engrenou, Lan Rodrigues se sentiu na obrigação de fazer algo para agradecer o momento positivo que estava vivendo. Desta forma surgiu o “Seu Lixo, Meu Tesouro” – um projeto social que conserta computadores para doação a famílias menos favorecidas. “Eu me senti na obrigação de fazer algo para agradecer tudo de bom que vinha me acontecendo. Então, criei o projeto a partir desse principio. Eu sempre fui envolvido com bastante trabalho social e voluntário. Na minha parte de fotografia, sempre faço várias exposições e estava com saudade de fazer algo mais voluntário”, pontua Rodrigues.

Lan recolhe lixo eletrônico, na área de informática, recupera as peças, e monta computadores novos, básicos, para estudo. Eles são doados para famílias de baixa renda, que não têm acesso ao conteúdo de aulas online em casa. “Tive que me reinventar e fiz tudo inconscientemente. A partir do momento que eu estava retribuindo, estava aprendendo muito. Depois que eu comecei a trabalhar, vi que o meu conhecimento em informática era bastante limitado. Eu só conseguia trabalhar nas máquinas mais atuais, as mais antigas, eu não tinha tanta experiência. Quando eu comecei o projeto, me vi obrigado a pesquisar sempre para poder consertar tudo”, diz. “Por enquanto, quando aparece algo para consertar, não tem tanta coisa que eu já não saiba. Agora, aparece um problema, já sei arrumar logo de cara. Já tenho a solução. E foi devido à esse ‘treinamento’ que eu fiz com o projeto, consertando computadores antigos”, completa.

Má fé das pessoas e maior cuidado do profissional

Lan está sendo mais cuidadoso com as doações. No início do projeto, ele descobriu que algumas famílias estavam vendendo os computadores doados por ele. Mesmo assim, ele não desistiu da ideia, apenas se tornou mais criterioso na escolha. “Infelizmente, algumas famílias que eu doei, acabaram vendendo os computadores em sites e redes sociais. Então, preciso ser mais criterioso, pesquisar mais para tentar não errar”, comenta.

Até a tarde de ontem, o profissional já havia doado 34 computadores para famílias carentes. Outros serão entregues em breve. A meta é chegar aos 50 computadores doados até o final do ano, levando mais inclusão digital às pessoas.  “Tenho mais quatro aqui que estão prontos e eu tenho que procurar as famílias certas para doar, porque eu preciso ser bem mais seletivo”, destaca.

As entidades menores, que desejarem receber algum computador, podem procurar Lan Rodrigues. “Até agora, só doei para um centro comunitário do Renascer. Mas é basicamente para pessoas físicas. As entidades, na maioria e as mais conhecidas, já têm um monte de empresas que ajudam mensalmente. Então, estou tentando abastecer as famílias, principalmente as do meu bairro. Sou vice-presidente do bairro Nossa Senhora da Salete, então priorizo o pessoal daqui e sei a necessidade de cada um”, comenta.

Mesmo assim, ele não descarta fazer doações para iniciativas que contemplem um número mais de pessoas. “Posso doar às entidades menores também. Elas, que não têm tanta ajuda, podem me procurar também. Vai ser muito bom se acontecer isso”, pontua.

A iniciativa de Lan Rodrigues chegou ao conhecimento do grande público no domingo, através de um post publicado em uma rede social. O sucesso foi imediato. “O meu celular não para. Está todo mundo compartilhando. Virou uma reação em cadeia”, finaliza. Quem desejar encontrar Lan Rodrigues para doar computadores antigos ou peças, pode procurar pelo perfil dele no Instagram – @Lanrodrigues182. Ou então pelo perfil pessoal no Instagram: Arlan Rodrigues.

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