Criciúma: Clientes não querem mudança na energia

Empresas e moradores da grande Quarta Linha pedirão liminar na justiça contra a alteração no fornecedor. Chegada da Celesc deve promover aumento na tarifa

- PUBLICIDADE -

Tiago Monte

Criciúma

- PUBLICIDADE -

Moradores e empresas de uma região da grande Quarta Linha, em Criciúma, terão mudança no fornecimento de energia elétrica. A alteração compreende uma parte da Primeira Linha, Paineiras, São João, Morro Estevão e Quarta Linha. Conforme uma resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Celesc passará a abastecer a região que anteriormente era atendida pela Cooperativa Pioneira de Eletrificação (Coopera).

Na prática, isso acarretará no aumento de 40% nas contas mensais dos usuários. Isso porque a energia fornecida pela Celesc é mais cara que da Coopera. “A Coopera não pode fazer mais nada. Alguns cooperados e empresas vão entrar na justiça pedindo uma liminar para manter a situação como está. Principalmente as empresas, nesse período de pandemia, que já estão em situação difícil e ainda vão ter que pagar 40% a mais de energia com a Celesc. Daí complica”, explica o presidente da Coopera, Walmir Rampinelli.

A mudança deve acontecer em até oito meses. O prazo mínimo para a conclusão do procedimento é de seis meses. As lideranças da Coopera e da Celesc já estão conversando para realizar o plano de transferência. A comunicação oficial aconteceu na última quinta-feira e a primeira conversa ocorreu na sexta-feira, dia 22. “Temos agendada uma reunião, para quarta-feira (amanhã), com algumas lideranças. Nós precisamos, de acordo com a resolução, de seis meses para comunicar os cooperados. Não é chegar amanhã e já vai transferir, precisamos comunicar os cooperados, conforme a resolução. Só que a Celesc está pressionando: ela quer passar logo. Estamos conversando”, explica Rampinelli.

Em 10 dias, o plano de transferência deve estar pronto. Porém, o dirigente da Coopera gostaria que tudo ficasse como está. “Estamos tomando as medidas que estão na nossa alçada. Nós temos que cumprir a resolução da Aneel e vamos fazer o que for determinado, mas, para nós, seria interessante se ficasse como está”, destaca o presidente.

A reportagem entrou em contato com a Gerência Regional da Celesc, mas não teve resposta até o fechamento da matéria.

Moradores querem uma definição

Os moradores se organizarão para debater a situação. Uma audiência pública chegou a ser realizada, no ano passado, para evitar a alteração. Agora, eles querem que todo o bairro seja abastecido pela mesma concessionária. Ou, no mínimo, que os moradores permaneçam com a Coopera. “Isso já vem de muito tempo. Não é de hoje que querem fazer essa mudança. Queremos uma definição, pois vai ficar um lado do bairro atendido pela Celesc e outro pela Coopera e não achamos justo isso. Queremos que a população fique abastecida pela Coopera e as industrias passarem para a Celesc. Ou então não dividir o bairro”, ressalta o presidente da Associação dos Moradores da Quarta Linha, Alberto Pereira Vianna.

Há a possibilidade de que os moradores entrem na justiça para evitar a mudança.“Nós vamos conversar aqui no bairro, entre as lideranças, mas pode ser que a gente entre na justiça. Vamos fazer uma mobilização”, comenta Alberto. Ele diz que procurará o presidente da Coopera, ainda nesta semana, para encaminhar um movimento sobre o caso.

Vereador também é contra a alteração

O vereador Tita Belloli (PSDB), que é presidente da Câmara de Vereadores de Criciúma, engrossa o coro contra a mudança da Coopera para a Celesc. “Nós não aceitamos e vamos continuar não aceitando. Nada contra a Celesc, mas é direito do consumidor de permanecer na Coopera. É uma das energias mais baratas do Brasil e as pessoas que assinaram o contrato de cooperado têm o total de direito de ficar onde estão. Por que agora passar para a Celesc?”, questionou o vereador, na sessão de ontem.

Belloli pondera, inclusive, sobre o momento de pandemia que impede uma reunião e um debate maior sobre a situação. “Estão fazendo agora porque não podemos nos reunir? Neste momento de crise, momento que todas as pessoas estão passando por momento difícil, contando o salário para pagar as contas. E agora vem mais essa?”, diz o vereador.

Ele ressalta ainda sobre os gastos que os moradores tiveram com infra-estrutura para se adequar ao fornecimento. “E as pessoas que assinaram os contratos? Várias pessoas pagaram os postes, colocaram a rede e agora passa para a Celesc, sem satisfação? Tem que ter respeito com o consumidor”, finalizou Belloli.

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O TN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.