Covid-19: Coronavac vira disputa política entre Bolsonaro e Dória

Anvisa suspende testes no Brasil por "evento adverso grave" e causa estranheza ao Instituto Butantan

Foto: Divulgação
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A Anvisa suspendeu ontem os testes com a Coronavac, vacina contra a Covid-19 em estudo, em parceria do Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac. A medida foi justificada como um “evento adverso grave” pela agência reguladora brasileira, um dia após o governador de São Paulo, João Dória, anunciar o primeiro lote das vacinas para o dia 20 de novembro.

A Coronavac virou alvo de disputa política entre João Dória e o presidente Jair Bolsonaro, desafetos políticos após aliança nas eleições de 2018. Ainda ontem, antes da suspensão dos testes pela Anvisa, Bolsonaro – que anteriormente já havia se manifestado contra o que chamou de “vacina chinesa de João Dória” – prometeu comprar qualquer vacina certificada pela agência reguladora.

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Após a suspensão por parte da Anvisa, o diretor geral do Instituto Butantan – um dos mais conceituados centros de pesquisas brasileiro – disse ao site G1 estranhar a decisão da agência reguladora. Segundo Dimas Cova, a suspensão partiu pela morte de um voluntário da fase de testes da vacinação, mas sem haver relação com a aplicação das doses.

“É um óbito não relacionado com a vacina. Não existe nenhum momento (ou motivo) para interrupção do estudo clínico”, assegurou Cova ao G1. “Como são mais de 10 mil voluntários nesse momento, podem acontecer óbitos. Nesse momento, [o voluntário] pode ter um acidente de trânsito e morrer”, completou.

A Sinovac, tradicional empresa chinesa de produção de vacinas, também se manifestou sobre o ocorrido e afirmou ter total confiança nos testes no Brasil, segundo publicou o portal Uol. “O estudo clínico no Brasil é realizado estritamente de acordo com os requisitos e estamos confiantes na segurança da vacina”, publicou a biofarmacêutica.

De acordo com a Agência Brasil, a Coronavac foi considerada pelo diretor do Butantan, Dimas Cova, como a mais segura testada no Instituto, há cerca de 10 dias. A Anvisa não confirma a suspensão dos estudos clínicos por causa do óbito mencionado por Cova, afirma apenas que houve “um evento adverso grave” no dia 29 de outubro.

Pela página oficial de seu Facebook, Jair Bolsonaro afirmou que “ganhou de Dória” após a suspensão dos testes da Coronavac. Segundo o presidente, a vacina é “morte, invalidez e anomalia”, sem no entanto apresentar qualquer fonte científica.

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