Como a região vem utilizando a cloroquina no combate ao coronavírus

Hospitais já usam o medicamento em pacientes, ainda que ele esteja em fase experimental

Remédio é encontrado em farmácias de Criciúma (Foto: Lucas Colombo / TN)

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Com o avançar da pandemia de Covid-19, médicos e cientistas de todo o mundo passaram a procurar por formas de combater a doença para salvar vidas. Um dos medicamentos já existentes que vem trazendo resultados positivos é a cloroquina, antes utilizada no tratamento da malária. O remédio é amplamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, mesmo que ainda esteja sob análise do Ministério da Saúde.

Nos hospitais da região, em casos graves, a medicação já é indicada pelos médicos. É o que acontece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Donato, em Içara. “Temos a hidroxicloroquina, que é um derivado desenvolvido com menos efeitos colaterais que a cloroquina. Utilizamos em pacientes com a confirmação ou suspeita de coronavírus, que apresentem disfunção respiratória, que estejam internados na UTI ou entubados”, relata o Dr. Marcelo Vinhas, médico intensivista e coordenador da UTI da instituição.

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Devido ao ainda baixo número de casos em que o remédio precisou ser usado na unidade, não é possível concluir o efeito benéfico. Porém, a equipe acompanha de perto os estudos científicos que seguem ocorrendo para comprovar a eficácia. “Nos trabalhos já publicados, parece haver uma redução do tempo de internação e mortalidade, porém, ainda são estudos pequenos. Seguimos aguardando estudos maiores para comprovar esta tese”, assinala o profissional.

No Hospital São José (HSJ), de Criciúma, o medicamento também está sendo utilizado. Todavia, os pacientes não precisam estar na UTI para receberem as doses. Os resultados ainda são bastante incertos. “Tivemos pacientes que depois de dois dias de uso tiveram alta. Por outro lado, tivemos outros precisaram ir à UTI depois de ingerirem o medicamento”, afirma o Dr. Felipe Dal Pizzol.

Hospital de Criciúma participa de projeto de estudo nacional

O HSJ está participando de estudos nacionais sobre o coronavírus. A unidade faz parte da “Coalisão COVID Brasil”, que conta com a parceria de outros hospitais de grande respaldo científico, tais como Hospital Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet) e o Ministério da Saúde.

O objetivo é avaliar a eficácia e a segurança de medicamentos como hidroxicloroquina, azitromicina e a dexametasona, no tratamento de pacientes infectados pelo Covid-19. “O uso empírico de medicações sem comprovação de efetividade traz riscos desnecessários aos pacientes. Assim, definir a eficácia destas estratégias em estudos clínicos bem realizados é de vital importância”, pontua Dal Pizzol, coordenador do estudo no Hospital São José.

O especialista destaca que o prazo para se encontrar as repostas é bem menor se for comparado a ‘estudos tradicionais’. “Pretendemos ter resultados em poucas semanas, diferentemente dos estudos clínicos tradicionais, que costumam demorar anos para ter resultados. Isso reforça a relevância deste esforço nacional”, completa.

Sobre a medicação

A cloroquina e a hidroxicloroquina são dois compostos usados no tratamento da malária, para reduzir febre e inflamação, e de algumas doenças reumáticas. Para o coronavírus, os testes ainda estão em uma fase inicial.

“Não existe um trabalho conclusivo. Estamos em fase experimental. Não há convicção a respeito da baixa mortalidade, e ainda não sabemos qual é o momento adequado, a dose e o tempo de tratamento mais apropriados”, explica o médico pneumologista Dr. Renato Matos.

Porém, devido ao momento crítico, a tendência é que os profissionais indiquem a cloroquina nos piores casos da doença. “Dentro desta situação, de grande gravidade, o Ministério da Saúde deixou a cargo de cada médico. Por isso, vem sendo comum os médicos receitarem o medicamento”, afirma.

O mais importante é que o uso seja realizado apenas pelos pacientes com prescrição médica. O uso por conta própria é totalmente desaconselhado, visto que a cloroquina tem como efeito colateral a arritmia cardíaca, entre outros problemas. “Antes do uso, é necessário que o paciente faça um eletrocardiograma, para o tratamento então ser aprovado”, comenta o pneumologista.

A hidroxicloroquina possui menos efeitos colaterais em relação à cloroquina, sendo mais segura. Até o momento, sabe-se que o uso não recomendável da cloroquina e da hidroxicloroquina pode causar efeitos colaterais na saúde dos olhos, dos rins e do coração.

“Se o médico está convencido de que isso é o melhor para o paciente dele, ele deve comunicar o paciente. A prescrição, o papel e o carimbo são dele. A farmácia está lá e vai dispensar o medicamento. O que a gente alerta é que este remédio pode acarretar em alguns problemas”, afirma do ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta.

Hidroxicloroquina curou médico em SP 

O médico cardiologista Roberto Kalil Filho, do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, deixou o hospital nessa quarta-feira, dia 8, depois de 10 dias internado por conta da Covid-19.

Depois de receber alta, ele decidiu divulgar publicamente que, desde o primeiro dia, tomou dentre outros medicamentos, a hidroxicloroquina. “Impediu a minha ida para a UTI”, define.

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