Balneário Rincão: Muita procura e pouca oferta

Interessados em alugar imóveis para a temporada de verão, em Balneário Rincão, reclamam da diminuição nas opções

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Tiago Monte

Balneário Rincão

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O final do ano se aproxima e, junto com ele, a estação mais quente do ano. Assim, os interessados em alugar imóveis para passar o verão no litoral começam a busca pela casa do verão. Porém, neste ano, a realidade está diferente. A oferta está reduzida. “A gente está com bastante dificuldade, porque, neste ano, tem poucas casas para alugar. Em todos os anos é bem fácil, nunca tivemos essa dificuldade. A gente gosta mais da Zona Sul, mas, neste ano, estamos procurando em todos os cantos. Pode ser Centro, Zona Norte…”, comenta Araceli Amanda Antonin, de 35 anos, moradora do Rio Maina, em Criciúma.

Ela e a família tem o hábito, há duas décadas, de alugar um local para passar o verão. Neste período foram seis ou sete casas em que eles ficaram, mas nenhuma delas está à disposição. “Normalmente, quando a gente gosta da casa, ficamos por dois ou três anos seguidos. Só paramos de alugar porque, às vezes, o proprietário quer passar o verão na praia. Então, a gente procura outro lugar. Nesses 20 anos foram umas seis ou sete casas. Já procuramos todas elas e nenhuma está disponível”, diz.

A época que a família aproveita, na praia, está chegando, entretanto, há a hipótese deles não fixarem residência no litoral nesta temporada “A gente costuma, todos os anos, pegar a chave em outubro ou novembro e devolver em março. Ficamos entre quatro e cinco meses com a casa. Se não conseguirmos, vamos ficar sem ir para a praia. Vamos só passar os finais de semana, indo e voltando. A gente até tem parentes em Balneário Gaivota, mas fica fora de mão. É meio longe. O pessoal trabalha: vai e volta todos os dias”, lembra Araceli.

Valores não estão superfaturados

A criciumense também comenta sobre os valores praticados nos alugueis. Para ela, os números estão muito acima do normal. “A casa do ano passado, que alugamos pela primeira vez, no Centro, já foi alugada por 16 mil. No ano passado, pagamos 10 mil. Ela nem falou com a gente porque conseguiu um valor maior”, diz.

Para a mulher, os preços estão fora do normal. “Os valores estão absurdos. A gente procura casa de quatro a cinco quartos e não estamos encontrando. Casas que alugamos, em outros anos, por nove ou dez mil reais, neste ano está 16 a 18 mil. Está bem complicado”, comenta. “Tem uma casa que se pagaria, em outros anos, uns oito ou nove mil. Estão cobrando quase três vezes mais. Pediram 22 mil. Está difícil de conseguir”, ressalta.

Na visão dos profissionais do mercado, os valores praticados não estão muito acima do normal. “Eu aluguei uma casa de quatro dormitórios com edícula por 13 mil. No ano passado foi 11 mil reais, o preço. Houve um repasse, com certeza, mas em uma proporção normal dentro do aumento da procura”, explica o corretor de imóveis, Luiz Soares Menegat.

A melhora na estrutura da praia também colabora para uma alta de valores, mas nada abusivo. “O pessoal se surpreende com os valores atuais do Rincão. Parte desse acréscimo é bastante natural, em função da melhora de estrutura da praia. Estou há cinco anos aqui e a diferença é muito grande. Hoje, a infraestrutura é outra, a oferta de lazer está maior. Tudo mudou para melhor, então é natural que os preços tenham uma diferença” , comenta Luiz.

A pandemia diminui as opções

Em virtude da pandemia do coronavírus, muitas pessoas migraram para o Balneário Rincão. Diversas famílias começaram a usar a residência destinada para a temporada como moradia fixa. Isso também fez a oferta diminuir. “Muita gente vai ficar pelo Rincão, não vai viajar neste ano, por conta da pandemia, então, resolveram passar o verão aqui na praia. Assim, os que querem alugar se aproveitam da situação de ter pouca oferta”, comenta Araceli.

O corretor concorda que a situação pode contribuir para a baixa na disponibilidade de casas e apartamentos em Balneário Rincão. “Talvez não seja a parcela mais expressiva, mas eu tenho clientes que estão nessa situação. Um deles que, todos os anos, libera a casa para a locação de natal e ano novo, que é quando ele viaja, nesse ano deixou para decidir bem perto da data. Isso para ver se conseguirá viajar, em função da pandemia”, explica Luiz.

A pandemia, inclusive, foi tida como uma vilã para o profissional. Porém, o cenário ficou bem menos complicado que o esperado. “Com o início do Covid, nós pensamos que seria um desastre para o mercado imobiliário, mas, na verdade, foi o oposto. O pessoal está se sentindo preso nas cidades. Então, mesmo que não possa ficar circulando muito ou parar na beira da praia, só o fato de mudar de ares fez a procura aumentar. Tanto na locação quanto na venda. Desde que eu estou aqui, é a melhor fase que estou passando”, ressalta.

Araceli e a família ainda acreditam que conseguirão alugar a casa de praia. “A gente vai em pai, mãe, irmãos… Dá umas 12 pessoas no total, entre casais e filhos”, explica. “Como tem essas casas mais caras, em último caso, para não ficar sem casa na praia, talvez a gente faça uma força e alugue. Mas a ideia é conseguir mais barato”, finaliza a criciumense.

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