Balneário Rincão faz 17 anos e não quer ser conhecido só pelo turismo

Segmentos de metalurgia, produção de energia e indústrias também estão sendo trabalhados para a geração de empregos no município

Foto: Arquivo / TN
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A vocação do Balneário Rincão é, inegavelmente, voltada para o turismo. Mas este ponto vem gerando preocupação no município há alguns anos. Para não depender de um setor explorado apenas durante três meses do ano, o poder público estuda possibilidades de explorar outros potenciais do lugar. Localizado em uma posição geográfica privilegiada, o Rincão tem grandes chances de, em breve, transformar-se em um polo metalúrgico, repleto de indústrias e com geração própria de energia.

“Não queremos ter nove meses de condenação à pobreza. Estamos, também, buscando outras áreas da cadeia econômica, para atrair empresas e investidores para cá”, afirma Adroaldo Faraco, presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico do Balneário Rincão. Era impossível imaginar o município atraindo fábricas a até alguns anos atrás, por conta da maresia. O cenário deve começar a mudar a partir de 2021, com a chegada de oito metalúrgicas, formando um polo metal-mecânico.

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“Hoje em dia sabemos que as indústrias trabalham com o chamado ‘just in time’, que nada mais é do que o tempo justo do estoque. Ninguém mais faz estoque de mercadorias. Com o incremento da logística, facilitando as transportações, e da própria tecnologia, que permitiu que você compre de forma mais imediata, a transmissão de matéria-prima de lá para cá ficou mais acelerada. Não tem mais aquela pilha de ferros que podem enferrujar com a maresia”, explica Faraco. O administrador ainda ressaltou que outras cidades litorâneas brasileiras se destacam no ramo industrial, como são os casos de Balneário Camboriú, Rio de Janeiro e Santos/SP.

Localização invejável

O Balneário Rincão fica situado em um lugar estratégico e privilegiado. A BR-101, principal rodovia do país, está a questão de minutos do município. Em menos de 200 quilômetros, é possível alcançar o centro do Estado de Santa Catarina, a capital Florianópolis e a região metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. “Há o interesse de as empresas aproveitarem essa nossa aproximação geográfica, com o fluxo rápido. Nós estamos, do ponto de vista logístico, muito bem localizados”, destaca.

Empresários e investidores já passaram a enxergar esse diferencial. Recentemente, 43 novas empresas foram habilitadas pela Prefeitura para serem instaladas na cidade. Desta forma, um novo distrito será criado para abrigar todos esses empreendimentos. “Já foram adquiridos 70 mil m2 para uma nova área industrial, chamada de distrito dois. E já estamos planejando a criação do distrito três”, informa o administrador.

Funcionários “caseiros”

É esperada a geração de ao menos 1,5 mil empregos diretos e 500 indiretos a partir do próximo ano. Uma das grandes reclamações da população rinconense sempre foi a necessidade de se deslocar a Içara ou Criciúma para poder trabalhar. Esta tônica vem mudando com o passar do tempo. Estima-se que até 40% dos moradores já trabalham dentro do balneário atualmente. Essa porcentagem irá subir ainda mais com o aumento de 300% da atividade industrial no município. As menos de 10 indústrias em funcionamento se transformarão em mais de 50 futuramente.

“Também estamos percebendo a alta demanda dos pequenos negócios. Emitimos em média, todos os meses, cinco ou seis alvarás de funcionamento. Está bem intensa a procura. Não temos dúvidas de que o Rincão, em breve, será a bola da vez para o trabalho”, ressalta Faraco.

Potência imobiliária

Faraco observa, também, outra vocação do Balneário Rincão: o ramo imobiliário. Por ser uma cidade litorânea, ocorre uma grande procura de pessoas que escolhem a praia para morar e descansar. Principalmente, aquelas que possuem um poder aquisitivo mais elevado e uma condição de estabilidade.

“Isso atrai uma faixa etária a partir dos 60 anos. É um reflexo do aumento da expectativa de vida do brasileiro. As pessoas hoje, aposentadas, preferem um lugar mais tranquilo para seguirem a vida. Tivemos um aumento de 70% na busca pela aquisição de imóveis. A quantidade de casas que eram vendidas em um mês, agora passou a ser vendidas em um único dia. Inclusive, não existem mais imóveis para alugar aqui, já estão todos ocupados”, aponta.

Geração de energia

A bacia hidrográfica do Balneário Rincão está localizada no ponto mais baixo da região Sul do Brasil. Isso quer dizer que o município retém as águas de toda a região. O fato faz os governantes criarem altas expectativas em torno disso. “Temos um potencial hídrico fantástico. Se formos atrás dele, talvez possamos abastecer todo o sul brasileiro com água”, projeta Faraco.

As energias eólica e fotovoltaica também estão no radar. “Já fizemos estudos onde concluímos que os ventos que sopram no balneário atingem mais de 70 metros de altura, o ideal para a produção de energia eólica. Além desse sopro forte de vento, temos uma irradiação solar elevadíssima, alavancando o potencial de produção de energia elétrica pelo sol”, frisa.  Uma equipe da Prefeitura Municipal já esteve reunida com a Celesc para dar os primeiros passos em torno do assunto.

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