Balneário Rincão: Adolescente abandonado dorme três dias em Conselho Tutelar

Antes da devolução da tutela, ele estava na casa de uma família acolhedora e desde segunda-feira estava dormindo na sede da instituição. Situação se resolveu após presença da reportagem no local

Foto: Lucas Colombo

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Um adolescente de 17 anos, residente há 30 dias em Balneário Rincão dormiu durante três noites na sede do Conselho Tutelar, localizado na Avenida Leoberto Leal, no Centro do município. O adolescente, natural do Rio Grande do Sul, estava residindo com uma família acolhedora, mas devido a alguns problemas ele foi desligado do lar temporário e a equipe do Conselho Tutelar precisou acolhê-lo na sede da instituição.

O adolescente sofre com esquizofrenia, que é acompanhada por pensamentos e experiências que parecem não ter nexo com a realidade, fala ou comportamento desorganizado. De acordo com a Conselheira Elisangela Faiet, o órgão foi chamado na última segunda-feira, para acompanhar a situação. “Fomos chamados para atender essa situação e aceitamos o pedido da família acolhedora em devolver a tutela temporária do jovem, o que fez com que improvisássemos dentro da nossa sede um quarto para ele”, salienta.

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Desde a noite de segunda-feira o jovem estava dormindo no local e as conselheiras estavam acompanhando de perto a situação. “Todas as noites uma conselheira precisou ficar aqui, além disto, durante todo o dia tivemos que manter uma colega aqui para não deixar o jovem sozinho. Gastamos mais de R$ 300,00 com alimentação, do nosso bolso, pois não tivemos apoio de outras pessoas”, explica à conselheira.

Segundo Elisangela, as conselheiras assumiram uma função que não cabe a elas. “Antes de o jovem ir para a casa da nova família ele veio parar aqui e agora pela segunda vez tivemos que acolher. Em três dias, a secretária de Assistência Social não apareceu para resolver ou verificar a situação. Contamos com o apoio apenas das técnicas da secretaria”, revela.

Ainda segundo a conselheira, objetos de uso pessoal precisam ser colocados no espaço. “Aqui não tem cama, não tem fogão, alimentação, tudo isso nós tivemos que resolver uma situação lamentável. Nos dois primeiros dias tivemos que dormir no chão, hoje (ontem), que encontramos um colchão. São mais de 90 horas trabalhadas de forma ininterruptas”, conclui Elisangela.

Secretária se explica

Procurada a secretária de Assistência Social de Balneário Rincão, Jucilene Fernandes, comentou que todo o apoio veio sendo dado ao caso. “As técnicas da nossa secretaria estavam desde o começo sabendo da situação, eu particularmente não cuidei do fato. Apenas fui comunicada que o jovem teve problemas com a família acolhedora, pois sofre com esquizofrenia e é dependente químico”.

O Conselho Tutelar desconhecia que o adolescente era usuário de droga.  “Ele não tem nenhum problema com o uso de drogas, apenas esquizofrenia, inclusive tomava apenas três medicamentos, que controlávamos aqui como a família acolhedora fazia”.

MP atento

Segundo a conselheira, desde o primeiro momento, o Promotor de Justiça, Marcus Vinícius de Faria Ribeiro, estava sabendo de toda situação. Na terça-feira foi acolhida a ação, na quarta-feira, encaminhamos a solicitação ao Juiz Fernando Ritter, que solicitou que o município encaminhasse o jovem para uma casa de acolhimento. Os encaminhamentos foram dados às 17h00 desta quinta-feira, uma hora após a reportagem verificar o caso em loco.

 

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